Capítulo 4

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Eu paralisei. Que tipo de pessoa acusa você de traição e logo depois faz uma brincadeira dessas? Esse garoto só podia querer tirar uma grande com minha cara.

– Você enlouqueceu? – perguntei com a voz completamente alterada.

– Kat, calma, eu vou explicar...

– Calma? Você me pede calma quando Fez uma cena ridícula na porta da minha casa por desconfiança besta, e agora vem dizer que vou sair do país, que piada é essa? – disse me afastando dele.

– Estou falando sério.

E ele realmente falou tão sério que parei de me afastar, a respiração desregulada e o coração pulsando forte no peito. Os olhos verdes de Matheus estavam tão vermelhos, por causa das lágrimas que ameaçavam cair, que aquilo não podia ser mentira.

– O-o-o quê? - gaguejei.

– Deixa eu te explicar? – perguntou compreensivo.

– Uhum.

– Okay. Primeiro quero me desculpar por ontem, por desconfiar do seu amor, mas eu fiquei louco com a ideia de lhe perder e fiz uma loucura maior ainda. Segundo, sobre você se mudar... – ele fez uma pausa, respirando fundo, as palavras custando a sair de sua boca - é verdade. Quando sua mãe me contou eu sabia que precisava lhe ver ao menos uma última vez e me desculpar.

– Mas, como assim? Porquê? - começei a chorar.

– Shiii, calma, estou aqui com você - me abraçou, consolando-me.

Sentir o cheiro daquele perfume me acalmou um pouco, respirei fundo em seu peitoral enquanto ele me apertava contra si, e mesmo com tudo que acontecera entre nós na noite passada, eu não consegui parar de pensar, "como vai ser ficar longe disso, dessa paz, dele?". Matt segurou firme meus braços finos e frágeis e me afastou, olhando nos meus olhos, me hipnotizando como sempre fazia.

– Como vou viver sem você? - perguntou colocando uma mecha de meu cabelo atrás de minha orelha e deixando as lágrimas rolarem por suas bochecha.

– Não chora – limpei uma lágrima solitária com meu polegar, a dor transformada em água que escorria em seu rosto angelical - eu também não sei como viver sem você - sorri e chorei ao mesmo tempo, colando nossas testas.

– Foge comigo? - perguntou, sapeca.

– Não posso, - ri de sua ideia maluca - mas posso ficar com você.

– Como? - indagou confuso.

– Aqui - pus a mão em cima de seu peito, onde ficava o coração.

Abraçados, beijamo-nos apaixonadamente como sempre fazíamos.

Depois de algum tempo minha mãe nos convidou a descer as escadas para explicar melhor o que estava acontecendo. Meu pai foi paciente e escolheu bem as palavras para me dizer que iríamos viajar por conta da empresa em que trabalhava, por ele ter sido transferido para uma filial no Canadá, e mamãe ao seu lado completou a conversa, avisando que partiríamos na semana seguinte. Uma semana, apenas uma semana para ficar com Matheus.

E como era de se imaginar, a semana passou como um piscar de olhos, e lá estava eu naquele aeroporto, agarrada ao tórax de Matt, como se minha vida dependesse exclusivamente daquilo.

" Vôo 247, como destino ao Canadá, chamada inicial, prossigam até a plataforma de embarque".

Soou uma voz feminina no alto-falante, olhei para ele, seu sorriso fraco fez com que uma lágrima solitária vagasse na superfície macia de seu rosto, sequei-a com um beijo.

Me virei de costas para ele, e abracei Lucas, que decidiu junto com os demais que viriam apoiar o amigo.

– Você é especial, Kat. Espero te ver de novo, nunca ninguém me deu os melhores conselhos em apenas uma semana - sorriu.

– De nada?! - retribui o sorriso e o abracei novamente.

Carlos estava ao lado dele, com um sorriso boboca no rosto.

– Vai ter que voltar em garota? Você é minha mais nova parceira de pegadinhas.

– Sim senhor, capitão - ri de mim mesma e abracei-o rapidamente.

– Antes que me massacre, quero que saiba que não foi culpa minha, seu namorado que deixou o celular comigo e eu vi sua foto de pijama do Frajola - disse Gabriel erguendo as mãos em rendição.

– Seu idiota, ninguém mandou você olhar - dei um tapa na sua cabeça, despenteando sua franja.

– Aaaaaaah - gritou como uma garota - como ousa tocar no meu cabelo? Demorou horas para ajeitar essa franja - falou fazendo um bico.

– Calado - sorri e abracei-lhe.

Voltei a olhar Matt que estava cabisbaixo. Cheguei perto dele e notei o rio que escorria por seu rosto. Não falei nada, apenas beijei seus lábios, nunca havia sido daquele jeito, era a despedida.

– Isso não é um adeus - falei ao seu ouvido.

– Espero que não - falou passando as costas da mão em minha bochecha.

Após um abraço forte, dei-lhes as costas, e caminhei até o portão de embarque junto com meus pais, alguns passos à frente, Matheus gritou meu nome, olhei para trás e vi ele correndo até mim.

– Kat, eu te amo! - afirmou e me beijou novamente.

Durante o beijo nossas lágrimas se chocavam, deixando rastros nossos um no outro. Nunca havíamos dito aquelas três palavras e para mim foi o fim, me destruiu, mas me encheu de alegria.

– Eu te amo - sussurrei.

Então passei por aquele portão e deixei meu coração ali, com ele.

Amor sem fronteirasOnde histórias criam vida. Descubra agora