Beatriz,
É difícil aceitar que a vida nos traga coisas do passado que não esperamos nem em um milhão de anos.
Me chamo Beatriz, perdi tudo que a vida me deu , foi muito de repente, depois de um passeio fui tomada por um desespero em não saber mais...
Aconteceu tudo do jeito que eu planejei, matei todos sem remorso, depois de uma reunião, os alidos invadiram e o tiro comeu solto, não demos tempo a eles pra se defenderem, agora o papai aqui é o manda chuva da facção. Continuo mandando em tudo daqui mesmo do meu morro, a Rocinha passei o comando pro Biel, parça mereceu, lutou junto comigo porra. Agora ele mora lá com a Isa e o filho. Mas sempre nos vemos.
O Tilico é meu gerente aqui na boca do Alemão, o Menor passou de segurança pra chefe da minha segurança e do morro todo. Tenho que dar uma moral pros moleques, estão sempre correndo do meu lado.
A responsa aumentou muito, seguro a bronca de oito morros, pensa num bagulho problemático...kkk...mas era isso que eu queria.
Agora é ir atrás da minha pequena, quero ver se o pai dela vai querer guerra, se ela quiser ficar comigo vai ficar e foda se. Ta tudo no esquema, já sei que ela foi pra Italia, tem gente observando tudo. Vou só esperar meu filho nascer, aliás ainda não sei se é um herdeiro ou herdeira. Não perguntei pra Isa mais nada sobre ela, até pra não trazer mais problemas.
-Aí chefe, o Balboa do Vidigal quer falar com tu.- Tilico entra na minha sala falando.
-Porra Tilico, o cara é dono do morro e tu deixa o cara esperando? Vacilo isso aí. Manda ele entrar.- falo e aguardo.
-Fala aí chefe, fiquei de fazer uma visita pra tu, to aqui!- fala e me cumprimenta com toque na mão. - Trouxe um presente aí pro nosso novo chefe da facção.
Um segurança dele entra com uma caixa bem grande, coloca no chão.
-Ta aí chefe, consegui um carregamento novinho. Pode pedir pros seus seguranças abrirem. Pode confiar pô.- ele diz dando risada.
-Abre essa porra aí Tilico.- mando e ele abre. Porra mano, meus olhos brilham.
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-Aqui tem os dois modelos que conseguimos, essas são presentes, mas se quiser o carregamento todo a gente negocia fácil, é muita potencia pro meu morro. - o Balboa fala e se senta.
-Porra, é tudo que eu estava precisando, armas super potentes.. falo pegando uma pra admirar.
-Eita, vim no homem certo, ta se preparando pra guerra chefe?- ele pergunta zuando.
-Tu não tem ideia, mas estou sim. - falo bem sério.
-Pô, precisar dos parça e só chamar.- ele diz e se senta.
-Bora negociar essa porra, quero todos.- falo e me sento pra negociar.
Caralho o baguio num tem erro, veio na hora certa, 300 dessas, tudo pro meu arsenal, pode vir a máfia que quiser, até bazuca nóis tem parça...kkk...
Fechei o negócio, fomos pro bar, tomamos umas breja e depois cada um caçou seu rumo.
Cheguei em casa, tomei um banho demorado e caí na cama. Dormi feito anjo.
-Ta certo mano, não é pra chegar junto não, deixa ela achar que me esqueceu. Depois que minha cria nascer nóis agiliza isso aí, continua de olho.- falo com um cara que mandei pra vigiar Bia.
-Sabe que as novidades aqui são bem difíceis, ninguém chega perto da família, tem segurança até no telhado da mansão, mas fica sussa chefe, to de olho.- ele informa e desliga.
Pelas minhas contas, desde o dia que ela me deixou, deve estar pra nascer, queria ir pra la correndo, queria ver meu filho vir ao mundo, mas tranquilidade nessa hora é mais o certo, tudo tem a hora e lugar certo.
Saio do morro em direção a Rocinha, vou num churrasco na casa do Biel. A escolta agora é bem grande, sou chefe né pô. Nem gosto...kkkk..
Mandei uma mensagem pra médica colar aqui, Eloisa, gostosa pra caralho, depois que o marido descobriu que ela tinha um caso, abandonou ela, aqui ela é minha amante, fora as outras...kkk...de vez enquando ela vem me encontrar quando estou por aqui, mas só quando chamo, quero mulher nenhuma no meu pé.
-Fala parça, tranquilidade? Que bom que veio.- Biel vem me cumprimentar.
-Porra sabe que não dispenso pagode, mas fala í, cade o moleque?- nem termino de perguntar e vejo ele vir correndo pro meus braços.
-Moleque ta grande pacas, da um trabalho danado pra mãe dele, bagunceiro.- Biel fala cheio de orgulho.
-Porra mano, num vejo a hora de ver o meu ou minha né?- faço cocegas nele depois ele sai correndo.
-Nem devia te falar nada PH, mas ouvi uma conversa da Bia com minha mulher, parece que ela volta pro Brasil depois de que o bebe nascer, mas nem perguntei nada, sei dos seus corres pra ter ela de volta, valorizo o que ta fazendo, mas fica sussa que sei que ela ainda vai voltar pra tu.- ele fala olhando nos meus olhos, fico pensativo, mas não falo mais nada do assunto.
-Já é parça, tem cerveja nesse pagode não?- brinco pra descontrair.
A Eloisa chega logo e ja vem sentando no meu colo, bebe junto comigo, ela nunca conversa com ninguém, só comigo mesmo, gosto assim, percebo que a Isa olha de rabo de olho, num gosta muito não, mas também não se mete.
-....ai, que dor do caralho, porra...ta doendo muito!- grito enquanto me levam pra sala de parto.
-Calma Bia, vai dar tudo certo.- Donatella, minha madrasta entra comigo.
Deito na maca e ja abrem minhas pernas, o bebe esta quase nascendo. Sem quere faço força pra ele sair.
-Vamos Beatriz, ele esta vindo, faça força, muita força.- o medico fala.
-Aaaiii...caralho...argggg...- faço muita força. De repente ouço um chorinho e a dor some como se fosse mágica.
-Pronto, seu filho já nasceu, um meninão forte e saudável.- o medico fala e coloca ele no meu peito. Eu choro ao ver seu rostinho.
-Como ele é lindo Bia, nosso Pietro é uma graça.- Donatella fala e se emociona.
-Sim, lindo demais. Meu filho, meu Pietro.
Meu pai deu a ideia do nome pois seria igual ao do meu avô, amei de primeira, afinal o PH se chama Pedro, mas meu pai não sabe.
15 dias depois
Meu pai esta muito bravo comigo, mas cumpriu o que disse e não me segurou aqui, quero ir embora, quero minha casa, amanhã mesmo já estarei no Rio, ainda não sei se aviso o PH, estou confusa. Mas seja o que Deus quiser.