Sem que nos comuniquemos Will avança os dois quarteirões e paramos a esquina de onde tudo aconteceu. Não é possível ver nada a não ser a poeira.
West pretendia nos matar.
Ele matou inocentes por interesse próprio.
- Dakota... - Chamo- a ao telefone, mesmo sem esperança.
Saio do carro e caminho vagarosamente até pouco a frente do carro. Apenas o chiado no telefone em minha mão. Ouço o barulho de portas batendo atrás de mim, quando viro-me percebo que há muitas pessoas apreciando o desastre.
Por que o ser humano sente tanto prazer em assistir o caos?
- Dakota. - Chamo-a uma vez mais.
Nenhuma resposta.
Largo o celular no chão, e , sem pensar, me embrenho na poeira. Não consigo ver nada, nem mesmo um palmo a minha frente, apenas ouço choros, gemidos, pessoas clamando por ajuda.
West fez isso.
A cada pequeno passo que dou, os pedriscos sob meus pés transmitem uma harmonia. Tropeço em algo grande, que imagino que costumava ser uma parede. Meus olhos ardem por conta da poeira densa. Continuo a dar passos curtos em direção a lugar algum, até que um choro e uma voz me chama atenção.
- Mamãe? - a voz clama em meio a um choro de desespero.
Mesmo sem saber o que fazer, tento ir em direção a voz que mesmo desesperada, é doce. É uma criança. Quando a encontro, ela está sentada ao meio fio. Uma garotinha agarrada a uma tartaruga de pelúcia; seu rosto está sujo de poeira, há pequenos filetes de sangue e também está completamente lambuzado por lágrimas. Ajoelho a frente dela e, sem que eu diga nada, ela pula em meu pescoço e volta a chorar. Há alguns arranhões em seus braços que estão nus, já que sua blusa está rasgada. Pego a pequena no colo e a aperto. Da mesma maneira que fiz com minha irmã.
- Eu quero minha mamãe. - O choro dela é tão desesperado que meu coração se despedaça.
- O que aconteceu? Conta para mim. -Peço passando a mão pelos cabelos da garotinha em uma tentativa de acalma-la.
- Eu estava comendo panquecas com suco de morango junto com a mamãe, aí um moço de topete começou a gritar dizendo que deveríamos sair dali. Minha mãe pegou a bolsa dela e começou a correr junto com todos para fora. - Ela solta tudo rapidamente entre soluços. - Quando estávamos quase alcançando à calçada, mamãe me empurrou e tudo fez "BOOM!".
- Você viu se sua mãe conseguiu sair também? - Um alívio me atinge ao perceber que o moço de topete , se trata de Matthew.
- Não... - Ela diz e começa a chorar outra vez.
Passo a conseguir acalma-la, quando eu me acalmo. Antes que eu perceba, estou fora da densa nuvem de poeira, que já se dissipa, e com a pequena em meus braços. Avisto Harry distante do local onde ele estava outrora; sua cara de preocupação transforma-se em um sorriso torto. Assim que vejo as ambulâncias e viaturas no local, entendo porque MacMillan não está mais tão perto. Os policiais já passaram a fita amarela, delimitando os curiosos e repórteres de plantão.
Passo pelo alvoroço, escondendo a pequena em meus braços. Levo-a até uma ambulância, só assim consigo ver seu rosto de maneira mais clara. Há cortes por sua bochecha, mas nada que pareça muito fundo, ou que deixará cicatriz. Entrego-a a um paramédico e antes que ela se afaste completamente ofereço-lhe um sorriso.
- Sua mamãe vai te achar. - Tranquilizo-a.
- Obrigada, moça. Sou a Natasha. - Ela beija minha bochecha.
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FIX YOU
Fanfiction|CONCLUIDO| Ela poderia simplesmente fingir que tudo continuava exatamente igual, que não havia nenhuma mudança; ela poderia dizer que não voltaria, que continuaria a fazer o trabalho pelo qual se apaixonou; mas ela sabia que, de verdade, não era is...
