Os quatro membros da banda de rock alternativo Fighting and Flighting só queriam descansar após uma exaustiva semana em seus empregos que detestam, mas acabam no meio de uma negociação de drogas arriscada.
Em meio a isso, sentimentos ocultos se reve...
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Um conto de Octávio Augusto de Souza
Ilustração e filmagem de Douglas Sant'Anna
Audiovisual e fotografias de Matheus Ramos
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Meu nome é Jéssica, mas todos me conhecem como Jélly, eu tenho 21 anos e eu estou muito puta. Puta com esses folgados que ficam me encarando no ônibus, na rua, no bar, babando a bossalidade que exalam. Tô puta com minha família desestruturada que simplesmente me jogou no mundo e disse: seja bem sucedida! tenha dinheiro! junte dinheiro! E não me disse como. Tô puta com minha mãe que largou meu pai; puta com meu pai que tentou largar o mundo e tô puta comigo por não ter coragem de largar nada. Sou uma maldita apegada, sensível, que sai na rua todos os dias, espreitada pela iminência da morte que nunca chega.
Existe apenas um momento que esta sombra me abandona. É quando estou com eles, meus amores, minha banda, Fighting and Flighting. Com eles, estaria feliz a qualquer hora, mesmo na morte.
Sempre quando é começo do mês, que é quando todo mundo recebe, nos encontramos nesta casa/bar na zona sul, que possui uma decoração incrível e drinks personalizados com os nomes dos maiores guitarristas. Eu tomei um Jimi Hendrix antes de me espalhar pelo sofá com meus amigos entediados, com suas long necks e sem muito assunto, já que é sexta feira e ninguém quer falar dos subempregos de durante a semana, só queremos deixar o álcool bater logo e a euforia subir à cabeça. Quem sabe aí ir atrás de umas cositas más.
Bernardo, o guitarrista da banda, desmancha uma erva na palma de suas mãos, enquanto olha para os lados, distraído. Eu sorrio para ele, ele sorri pra mim de volta. Marcão está ao seu lado, ele parece olhar bravo pra mesa de centro, como se algo o irritasse profundamente, mas é só o jeitão dele, ele é o baterista. Sentada no braço do sofá, com as pernas cruzadas, vestindo uma saia de couro e jaqueta de couro, toda preta, com a franja caindo sobre os olhos perfeitamente delineados, minha irmã gêmea de outra mãe e pai, Mélly, eu nunca vi mulher mais bonita! Ela fuma um black com a doçura de quem chupa uma bala e o mistério de quem lê cartas, além de tudo isso, é a nossa baixista e também manda nos vocais, como eu, que canto e faço guitarra base.