Parte 01.4 - Jéssica

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Mélly nos ultrapassa e dá seta para entrar em um hipermercado, nós a seguimos, os quatro cavaleiros desfilam pelo estacionamento até chegar às escadas rolantes que dão acesso ao EXTRA. Cada um pega um carrinho, menos eu, que prefiro entrar no carrinho que Bernardo empurra e para me desafiar a coragem mais uma vez ele sai em disparada, fazendo curvas rápidas que quase fazem o carrinho tombar.

Andamos pelos corredores colocando no carrinho tudo o que sentimos vontade. Pegamos algumas garrafas dos melhores vinhos, chocolates, uvas, dvds, danones e bolachas. Eu e Bernardo experimentamos alguns óculos escuros, enquanto entre os espelhos brincamos de pega-pega. Encontramos com Marcão que experimenta um boné, Mélly está logo à frente experimentando sapatos.

- O quê? Estão em liquidação. Não é fácil manter o estilo e ao mesmo tempo a variedade.

- Tive uma ideia! – Be grita, saindo correndo.

Colocamos as coisas dentro do carro da Mélly e vamos até a Praça do Sapo, onde começamos a distribuir cobertores, roupas, comida, também compartilhamos nosso vinho com aqueles que dormiam ao relento e eles, incrédulos, agradecem.

Feita a festa, pegamos o violão e tocamos pra todos ao redor da fonte com sapos jorrando água pela boca. É uma noite linda! Eles dançam ao som de Legião Urbana, eu e Mélly damos os braços para um deles e pulamos em círculos como em uma dança italiana. Eu posso apostar como eles nunca se sentiram tão amados.

Aquele altruísmo continua nos inspirando e ao passar pelo Mc Donalds e ver três crianças maltrapilhas por ali – não resistimos – as convidamos para entrar com a gente e escolherem o que quiserem. Ver a felicidade delas, isto nos faz felizes como nunca.

De volta à moto e rumo a lugar algum, eu abraço Bernardo com ainda mais afeição e descanso minha cabeça em suas costas, imaginando que aquele lugar é o melhor do mundo e algo passa em minha mente, algo como descansar minha cabeça em seu peito.

Em nosso percurso, vemos o que parece ser uma festa anos 80. Seria o casamento de alguém? Idosos, quarentões, pré-adolescentes dançando animadas com aquelas músicas "eu perguntava do you wanna dance" e isso nos motiva a entrar de penetra. Com a maior cara de pau entramos dançando com garrafas e cigarros na mão e as pessoas aplaudem animadas, dançam com a gente como se nos conhecessem há séculos.

É desse jeito que o dinheiro vai para o ralo como a água de uma torneira aberta, pegamos alguns trocados e jogamos para cima, as pessoas na festa entram na brincadeira e catam o dinheiro do chão, damos algumas notas ao casal e seguimos viagem.

Despejamos várias latas de tinta no anfiteatro da praça do Istoril, criando um belo mosaico no piso acinzentada. As cores escorrem pelo piso, enquanto terminamos de beber mais uma garrafa de vinho e tocamos violão.

- O que mais vocês querem fazer? – Bernardo pergunta.

- Ainda tem dinheiro? – Eu questiono abismada.

- Trezentos pila.

Todos parecem exaustos e sem muitas ideias, já está amanhecendo.

- Bom, já que ninguém falou nada. – Marcão quebra o silêncio. – Eu preciso pagar a fatura do meu cartão, dei uma extrapolada e isso me tirou o sono.

- Eu não acredito que você está se metendo com esse tipo de coisa, Marcão. – Bernardo diz incrédulo. – Cartão de crédito?

- Eu sei que eu não devia.

- Agora deve. Por que não falou antes? É só 300?

- Não. Mas 300 já adianta.

- Bom, meninas, ele falou primeiro.

Bagulho EstragadoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora