Eu desliguei o telefone na cara dela. Eu não acreditava que Mai tinha feito isso. É claro que eu imaginava os motivos, uma hora ela se cansaria de aturar alguém como eu. E eu não poderia Fazer nada, ou pior , eu teria que fazer o trabalho com Alfonso Herrera
Eu teria que falar com ele, e provavelmente o trabalho teria que ser feito em cima do horário já que eu não sabia o número dele, nem onde ele morava. Sendo novato na faculdade provavelmente o numero da família dele não constava na agenda telefônica, isso se ele ainda morasse com a família.
Se bem que eu estava inventando desculpas, e sabia disso. Eu não queria ligar para ele e eu não o faria.
Ainda era cedo, e eu teria o restante do dia inteiro. Primeiro eu fui para sala e assisti a um filme. Um só não, assisti logo toda a trilogia do Senhor dos anéis. Adorava filmes do gênero, e as cenas de batalha me impressionavam muito.
Gostava de me prender a cada detalhe que eu via. O olhar dos atores em cada cena demonstrando sentimentos diferentes, os gestos, os sons, os ambientes. Tudo me ajudava para saber exatamente como eu devia narrar, tudo o que eu deveria fazer para a minha história chegar ao fim.
Fazia um tempo que eu vinha trabalhando nela, e eu queria finalizá-la. Minha criação! Dava-me orgulho saber que eu havia criado algo, mesmo que não fosse mostrar a ninguém. E de repente, me lembrei de novo de Alfonso Eu não sabia o quanto aquele estranho metido havia lido do que estava na página.
Mas ele foi o único que já chegou a ver algo do que eu escrevia. O único, e o último no que dependesse de mim. Balancei minha cabeça para dispersar meus pensamentos. E já que o assunto em questão era a minha história, o meu livro, era hora de se dedicar a ele.
Eu devia aproveitar esses momentos de paz ao máximo, então após as longas horas dos filmes, já era de tarde. Fiz um sanduíche e rumei para o meu quarto. Abri meu caderno e recomecei de onde parei.
Eu havia escrito dois capítulos que considerava crucial na minha história. O momento em que Eleazar descobriria que Carmem também o traia e a ameaça com o divorcio. A mesma diz ter provas do adultério que ele vinha cometendo há anos, e que não sairia do casamento com as mãos abanando.
Agora, cada um travaria uma batalha em busca dos segredos mais obscuros do outro para tentar se sair melhor. E foi em meio a todo esse enredo, e ao cansaço que minha mente estava depois disso que acabei adormecendo.
Acordei com um pouco de dor nas costas pela posição em que estava. Olhei para o relógio na cabeceira da cama. Já eram 07:15pm. Daria tempo de tomar um banho e ir ao cinema. Estava em cartaz "Piratas do caribe: Navegando em águas sombrias". E como sempre fui fã de Johnny Depp, eu teria que ver o filme.
Inclusive eu tinha essa obsessão na cabeça. Se meu livro fosse publicado e por acaso virasse filme, era Johnny quem eu gostaria que interpretasse Eleazar. Pegava-me sorrindo como boba nesses momentos, mas depois eu voltava ao normal quando percebia que isso era bem improvável. Completamente improvável.
Tomei um banho relaxante, lavando meus cabelos. Vesti uma calça jeans justa, um top preto e um casaco por cima. O tempo estava frio. Calcei minhas botas cano longo e desci para o meu carro.
Coloquei "Smells like teen spirit" do "Nirvana", aumentei o volume e dei partida no carro. Demorei cerca de uns quinze minutos para chegar ao meu destino. Faltava pouco pra 08:45 pm e a sessão começaria dali a 15 minutos.
Comprei meu ingresso na bilheteria e fui comprar pipoca e refrigerante. Assim que estava me dirigindo à entrada da sala, alguém bate em mim e eu quase derrubo tanto a pipoca quanto o refrigerante.
- Não sabe olhar pra onde anda?_ eu perguntei irritada em quanto virava para olhar pra o desajeitado que havia me esbarrado.
Quando virei me arrependi na hora. "Ele" estava ali olhando pra mim. Maldição! Os olhos verdes me analisando. Da cabeça aos pés, e no que eu segurava. Prendi a respiração quando ele se moveu mais pra perto.
- Qual o seu problema hein? Não sabe respeitar o espaço pessoal dos outros?_ eu soltei e me afastei um passo pra trás.
Ele me analisou de novo, e eu estava começando a ficar realmente aborrecida com isso. Era como se com o olhar ele me cobrasse respostas e eu as tivesse que dar de um jeito ou de outro. Afinal, quem gostava de ser pressionado?
E logo ele, com quem eu teria que fazer o trabalho. Parecia que o destino estava pregando uma peça em mim, uma brincadeira de muito mau gosto.
– Primeiramente me desculpe por ter batido em você. Eu não estava prestando de fato atenção por onde andava._ ele disse confiante, seguro de si._ Eu nem cheguei tão perto assim de você. Não sou eu que gosto de invadir o espaço pessoal dos outros. Talvez seja você que não goste de ninguém ao seu redor._ ele completou um pouco desdenhoso.
- Isso não é problema seu. É como eu disse, fica na sua que eu fico na minha._ avisei dando as costas e entrando na sala.
Já havia algumas pessoas lá, eu fui para a ultima fileira da sala e me sentei. Aquela fileira estava com algumas cadeiras vagas, e eu sabia que a sala não lotaria, então era capaz de que ninguém sentasse perto de mim.
Era capaz, porque não foi o que aconteceu. Assim que sentei observei que ele havia entrado na mesma sala, e não estava sozinho. Chistian e Mai o acompanhavam. Ele virou o seu olhar na minha direção, e eu abaixei minha cabeça no mesmo instante que era para que Mai não me visse e não insistisse em vir se sentar perto de mim.
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UNTOUCHED
RomanceAlguém sem muitas expectativas na vida, sem ambição, sem amor próprio. Destinada a viver as mesmas experiências em um eterno deja vú, Ela precisava encontrar seu caminho, suas esperanças e sonhos novamente. Mas ela se sentia capaz? O destino coloca...
