Capítulo 08

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Arrisquei um segundo olhar e vi que ele mostrava a Mai onde eu estava sentada. Ela abriu um largo sorriso e veio ao meu encontro. Ela praticamente saltitou até chegar perto de mim.

- Oi Anahí!_ ela cantarolou e eu revirei os olhos.

- Oi Mai._ respondi a contra gosto.

– Anahí, eu espero que você não tenha ficado chateada comigo por não fazer o trabalho com você._ ela se sentou ao meu lado. E seu namoradinho Chistian se sentou ao lado dela. Ignorei a raiva que subiu pelo meu corpo quando Alfonso passou pela minha frente e se sentou no outro lugar que estava vago do meu lado.

– Porque eu ficaria não é Maite?_ eu perguntei sarcástica.

Maite riu aliviada sem perceber o tom do meu comentário, já Chistian havia notado muito bem e riu se divertindo da situação.

- Olha que maravilha! Alfonso se encontra aqui. É até bom que vocês já podem combinar de amanhã se reunirem pra fazer o trabalho._ ela propôs.

Merda! Parabéns Maite Perroni! Você conseguiu!

– O trabalho que você havia mencionado antes Mai?_ Alfonso perguntou

– Esse mesmo._ ela respondeu sorrindo deslumbrantemente.

– Não sabia que vocês já tinham virado tão amiguinhos!_e lá se vai mais um comentário jocoso da minha parte.

– Eles se ofereçam pra me mostrar um pouco à cidade e sair comigo._ Alfonso disse olhando pra mim sem se deixar abalar pelo veneno lançado nos meus comentários.

– Oh, quanta generosidade!_ eu falei rolando os olhos.

– E quanto ao trabalho, me diz o seu endereço e a tarde eu passo lá. Nós escolhemos o tema e fazemos._ Alfonso falou.

Ele anotou meu endereço na agenda eletrônica e nesse momento as luzes se apagaram. Houve um pouco de comerciais antes que o filme começasse. Eu estava tensa. Droga, eu gostava do filme e dos atores, mas não conseguia prender a minha atenção na tela.

Toda hora eu arriscava um olhar para o lado, e ele não estava me olhando. Ainda bem. Até que por fim eu desisti e me concentrei na pipoca e nas falas, mas até então eu já havia perdido boa parte do filme. Eu teria de vir e assistir de novo.

Sobressaltei-me no momento em que Alfonso decidiu se mostrar um completo folgado. Ele colocou a mão dentro do saco de pipocas e comeu distraidamente. Como se não tivesse feito nada. Até aí tudo bem se a pipoca não fosse minha, como era.

Eu não me incomodei pela pipoca, mas sim pelo seu braço que agora repousava próximo a mim. Seu braço direito estava encostado próximo ao meu, e eu comecei a sentir faíscas elétricas percorrerem todo o meu corpo pela proximidade. Com a mão esquerda ele pegava distraidamente a pipoca e continuava a comer.

Eu escutei um risinho baixo, e quando olhei Mai e Chistian quase não conseguiam segurar a gargalhada que estavam prendendo. Estreitei meus olhos e voltei minha atenção pra Alfonso , que achou pouco e pegou meu refrigerante.

- Espero que não se importe._ ele disse antes de dar um longo gole.

Eu olhei pasma, e se antes Mai e Chistian estavam fazendo esforço para esconder o riso, agora não faziam mais. Gargalhavam abertamente atraindo até mesmo a atenção de algumas pessoas, já que provavelmente o filme não estava em uma cena engraçada.

Minha cota de paciência já havia esgotado ali. Levantei de supetão, indignada e deixei a pipoca cair no chão. Peguei minha bolsa e olhei pra eles.

– Se a intenção era destruir a minha noite e acabar com a minha paciência, parabéns, pois vocês conseguiram._ passei por eles e desisti de ver o filme. Sai direto para o estacionamento.

Os saltos da minha bota ecoando pelo asfalto, e a raiva me fazendo andar mais depressa.

– Hey, espere._ escutei uma voz chamar atrás de mim. Virei o rosto e Alfonso estava correndo para me alcançar.

Comecei a andar mais depressa, mas o salto da bota também não estava ajudando. Eu o sentia chegando mais próximo. Bastava somente eu entrar no carro e não precisaria olhar para ele.

Tudo daria certo, se na minha ânsia de chegar rápido eu não tivesse tropeçado e começado a cair. E eu cairia se mãos fortes não tivessem me segurado firme, trazendo-me junto para o seu corpo.

O cheiro dele chegou até meu olfato, e era um cheiro bom. Cheirava a masculinidade. As mãos segurando com firmeza, e eu sentia a respiração próxima ao meu pescoço. Foi então que eu comecei a me sentir oprimida. Comecei a ficar em pânico pela proximidade dele e o empurrei.

- Obrigada por ter me segurado._ falei rapidamente dando as costas a ele.

Ele agarrou a minha cintura e me virou de frente para ele.

- Sinto muito se te chateei. _ele pediu

Os olhos brilhavam mais do que nunca e eu de repente os estava comparando com pedras preciosas, que brilhavam intensamente, ainda mais quando eram devidamente apreciadas. Balancei a minha cabeça. O que eu estava pensando?

- Tudo bem. Eu preciso ir embora._ falei

– Eu te acompanho até o carro._ ele falou firme

–Não é preciso, eu já estou quase nele._ rebati

– Não tem problema. Eu faço questão._ ele enfatizou mostrando que não iria ceder. Dei de ombros e continuei a andar como se ele não estivesse do meu lado. O carro estava próximo já a mim, então tirei as chaves de dentro da bolsa, destranquei as portas pelo alarme e abri para entrar.

- Obrigada._ eu murmurei antes de entrar no carro.

Ele não falou nada, então eu dei partida e sai do estacionamento. Saí, mas não antes sem olhar pelo retrovisor e ver que ele continuava a mirar o carro, mesmo comigo se distanciando cada vez mais.

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