Capítulo 12

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Seus olhos estavam injetados de raiva e ele apertava o volante com muita força. Os nós dos seus dedos estavam ficando brancos devido ao esforço que ele estava fazendo. Eu me vi em pânico. Ele queria uma resposta, ele exigia essa resposta.

– Vamos Anahi! O que há entre você e o seu padrasto?_ ele repetiu a pergunta

– N-não há nada!_ eu tentei falar apressadamente.

– Então por que ele te olhava com tanta raiva e você parecia ter medo dele?_ ele inquiriu.

Eu abaixei meu olhar e comecei a torcer minhas mãos em meu colo. Ouvi o barulho de um cinto ser destravado e em seguida senti o meu cinto ser destravado também. Uma de suas mãos envolveu a minha, e a outra foi parar no meu queixo erguendo minha cabeça para fita-lo.

– Ele bate em você?_ ele perguntou com a voz hesitante.

– Não._ neguei

– Força-te a fazer algo? É super controlador?_ ele tornou a perguntar e eu balançava a cabeça negando e desviando meu olhar do seu.

Sua mão apertou a minha mais forte. Eu senti segurança naquele momento e aquilo me assustou. Porque só quem me deu segurança alguma vez na vida já não estava mais vivo, e sentir aquela sensação novamente era ao mesmo tempo confortante e dolorosa.

Eu tentei tirar as minhas mãos da dele, mas ele não permitiu e apertou ainda mais forte para me deixar saber que eu não iria a lugar algum porque ele não deixaria.

Senti meus olhos se encherem com a umidade das lágrimas que ameaçam irromper a qualquer instante. Eu tentava refreá-las, mas não estava obtendo muito sucesso. E quando ele afagou a minha bochecha foi a gota de água que faltava para o copo transbordar.

Emiti um soluço estrangulado enquanto sentia as lágrimas deslizarem pelas minhas bochechas. Seria pior quando voltasse pra casa. Talvez não essa noite, mas no dia seguinte eu tinha certeza de que Phil viria cobrar respostas.

Não que houvesse muito o que dizer, mas ele já havia deixado bem claro que ninguém mais tocava no brinquedinho particular dele. E ter Alfonso em "casa", e com a minha mãe fazendo todo aquele estardalhaço me traria um grande problema.

Sem contar que o próprio Alfonso não chegou a negar que não era meu namorado como a minha mãe supôs.

- Fique calma Anahi. Fique calma e converse comigo._ ele pediu enquanto me puxava para si e eu descansava minha cabeça em seu peitoral.

Era quente, e muito convidativo. Seu cheiro parecia potencializado agora que eu me encontrava tão próxima dele. Funguei para tentar refrear as lágrimas e conseguir me distanciar dele.

Mas assim como antes, se ele não havia deixado minhas mãos se libertarem dele, ele não deixaria que meu corpo se libertasse de seu abraço.

- Não é errado Anahi. Todos precisam de amigos. Todos precisam de pessoas em que possa confiar, desabafar, sorrir, chorar. Não é errado._ ele disse próxima ao meu ouvido.

- Pra mim é errado. Eu não posso.

- Diga-me porquê. Vamos , converse comigo. _ele insistiu.

- Apenas me leve pra casa de novo. Ou melhor, nem necessita.

Eu o empurrei e estendi a minha mão para destravar a porta do carro e abri-la. Mas as mãos dele voltaram a me impedir.

- Não, Anahí. Eu disse que te levaria pra jantar. E eu vou._ os olhos verdes brilhavam, mas brilhavam tristes. Será que Alfonso não era assim tão indiferente quanto se mostrava ser a minha indiferença?

- Eu não quero comer nada. Eu só...._nem sabia como terminar a frase. Tudo o que eu sabia é que precisava me afastar dele.

Fazia anos que eu não chorava na frente de ninguém. Com o passar do tempo eu aprendi a ir solidificando a barreira que havia criado em torno de mim. E de repente eu me via tão frágil na frente dele.

- Vamos Anahí. Só vamos comer e conversar mais um pouco._ Alfonso ofereceu.

- Eu não quero conversar!_ falei mais alto

- Mas é preciso. Eu não vou desistir disso.

- Então eu espero que goste de se decepcionar. _falei desdenhosa.

Mais uma vez ficamos nos encarando. Eu não queria entrar mais uma vez no mesmo dia na briga do "meu olhar é mais potente que o seu". Mas ao mesmo tempo algo dentro de mim me fazia erguer o olhar e não desistir de encará-lo. Porque quebrar o olhar significaria ser mais fraca, e no meu mundo não existia lugar para fraquezas.

Não existia lugar para fraquezas e nem muito menos demonstrações publicas delas. Que eu me acabasse chorando dentro das paredes do meu quarto, era uma coisa. Outra bem diferente era ter um público apreciando isso.

- Você não é uma decepção._ ele disse num sussurro.

- Muita gente discordaria do que você está dizendo.

– Talvez decepção seja a versão que você enxerga de si mesma Anahi. Mas você é mais que isso. ele afirmou, suas palavras pareciam me queimar e ele passou a mão exasperado em seu cabelo.

– Você não me conhece._ falei entredentes.

– Mais uma vez eu digo: Porque você não permite.

UNTOUCHEDOnde histórias criam vida. Descubra agora