Capítulo IV - Debaixo do Lençol

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E de fato a casa de Dahyun estava perto, não se passaram nem dois minutos de corrida para que Sana já estivesse em frente à porta da casa de Dahyun enquanto esta procurava as chaves em seus bolsos.

Dahyun murmurou um "seja bem-vinda" enquanto abria a porta para a passagem de Sana.

— Uau, sua casa é muito bonita. — Sana afirmou olhando em volta enquanto tirava seus sapatos.

— Obrigada — Dahyun respondeu sorrindo. — O banheiro é a segunda porta daquele corredor, pode se secar lá ou tomar um banho se quiser, vou pegar algumas roupas pra você no meu quarto. — Assim, a garota subiu rapidamente as escadas e Sana foi em direção ao banheiro.

Sana optou por tomar uma ducha, ela sempre foi muito suscetível a resfriados e ficou receosa de passar suas férias na cama apenas porque não tomou um banho depois de pegar chuva, ainda mais agora que, contrariando todas as leis sociais de alunos do ensino médio, uma das garotas mais populares da escola simplesmente decidiu passar o tempo com ela.

Sana despiu-se e entrou rapidamente debaixo da água fria pensando o quão louco foi o dia e quais as chances daquilo ter realmente acontecido ou se foi tudo um sonho rotineiro. Ela finalmente parou para pensar onde estava e percebeu ela estava simplesmente tomando um banho na casa da garota por quem é louca.

"Estou no banheiro da casa de Kim Dahyun!" pensou, enquanto dava pulinhos de alegria e gritinhos abafados. Ela pre-ci-sa-va contar as novidades para Chaeyoung. Quer dizer, será que Chae ao menos acreditaria nessa história maluca? Dahyun, que nunca havia falado com Sana em todos os anos que estudaram no mesmo colégio, chamou a garota para sair quando acabaram as aulas, passaram a tarde conversando e agora Sana estava na casa dela? Bem, qualquer pessoa normal não acreditaria, mas Chaeyoung com certeza sim.

Quando Sana saiu, Dahyun esperava por ela encostada na parede da sala e sorriu ao ver Sana enrolada na toalha. Sana percebeu que o rosto de Dahyun estava mais vermelho que o normal e se envergonhou, afinal, falou com a garota pela primeira vez neste mesmo dia e já estava apenas de toalha na frente dela.

— Hum... toma eu escolhi essas para você — Dahyun estendeu uma camiseta branca e um short jeans para a outra garota, desviando o olhar — Mas se não te agradar posso voltar e pegar outras.

— Não precisa, estão ótimas. — Sana pegou as roupas e sorriu — Obrigada por tudo.

Quando Sana saiu novamente do banheiro Dahyun assistia algo na televisão, mas olhou para trás assim que ouviu a porta de fechando.

— Ficaram ótimas — O coração de Sana bateu mais rápido ao ver tão de perto aquele sorriso, o sorriso que os olhos de Dahyun se fechavam quase por completo, o sorriso que Sana amava. Ela se aproximou da coreana observando algumas fotografias em uma escrivaninha e sorriu ao notar uma pequena Dahyun segurando uma bola sorridente, enquanto um boné muito grande para sua cabeça caia sobre seu rosto. Tão fofa! Sana teve vontade de colocar o retrato em sua bolsa e levar consigo sem que ninguém visse, mas não o fez, é claro. Na foto, ao lado da garotinha, havia um menino um pouco maior que ela, que apoiava o cotovelo na cabeça de Dahyun.

— Seu irmão? — perguntou chamando a atenção da garota no sofá. Ao encarar seu rosto, Sana percebeu hesitação. Desde cedo tinha notado que Dahyun não falava muito sobre a família, será que era algo sério? Sana desejou não ter feito a pergunta. — Hum, desculpa, se não quiser responder est-

— Não! Tudo bem. — Dahyun levantou-se rápidamente, temendo ter parecido grossa com Sana, e aproximou-se da garota — Eu só, só... Não conseguia ver a foto muito bem. Ah, olha, é sim, meu irmão. — Dahyun respondeu sorrindo, mas para Sana continuava estranho.

— Ele foi viajar junto com seus pais? — Sana perguntou, um pouco desconfiada.

— Isso mesmo. — respondeu simplesmente e virou-se. — Quer assistir alguma coisa? Tem alguns filmes de terror, você disse que gostava. — Olhou novamente para Sana e sorriu. — O que acha?

— Claro! — Sana respondeu animada, não sabia exatamente quantas vezes ela tinha imaginado essa mesma cena em sua cabeça, mas podia afirmar que não foram poucas.

Invocação do Mal rodava enquanto Sana tinha os olhos vidrados na tela, ela era uma menina que realmente gostava deles, dos filmes de terror, eu digo. Quando era menor passava longas tardes sozinha já que sua mãe sempre estava fora a trabalho, e quando Sana achou o acervo de filmes de terror que ela colecionava, cada um deles se tornou sua companhia naquelas tardes. Poderia parecer estranho, mas na época ela achava confortável a ideia de ter sempre alguém, mesmo que esse alguém não fosse um alguém, mas pelo mesmo estava lá.

Sua concentração foi interrompida quando, depois de um susto, Dahyun soltou um grito abafado. Surpresa, Sana riu para ela.

— Não sabia que você era um gatinho assustado, Dayhun. — a outra garota, que ainda estava com a mão no peito e olhos arregalados para a tela, logo virou o rosto para Sana, carrancuda.

— Eu não sou um gatinho! Nem assustado! — e nesse exato momento outro susto apareceu na tela, causando mais uma reação assustada em Dahyun, que passou alguns segundos em silêncio — Quem é você pra me chamar de assustada? — terminou cruzando os braços e olhando novamente para a tela.

— Se quiser a gente pode mudar de filme. — Sana ria alto, o que deixava Dahyun cada vez mais irritada. Ela queria parecer legal para Sana e estava agindo como uma covarde! Não foi assim que ela imaginou isso.

— De jeito nenhum! Por quê? Ficou com medo, Minatozaki Sana? — Dahyun agora estava com um sorriso vitorioso no rosto. — Se quiser posso segurar sua mão. — se a luz não estivesse tão baixa, agora Sana estaria vendo o rosto corado de Dahyun.

E Dahyun o de Sana.

Dahyun esperava uma resposta da garota, mas o que recebeu foi apenas um leve toque em sua mão, rapidamente trocou olhares entre a mão de Sana sobre a sua e o rosto da garota, agora concentrado na tela. Dahyun engoliu em seco e apertou timidamente a mão de Sana, enquanto virava-se para o filme.

Naquele momento nenhuma das duas conseguiu prestar real atenção no filme. Seus corações batiam rápido e a barriga de Sana dava voltas e mais voltas. As duas estavam concentradas nas mãos que se apertavam logo ali embaixo do lençol. Dahyun apertava a mão de Sana e logo depois Sana retribuía com um carinho e outro aperto, e assim ficaram por minutos até que o filme acabou. Mas suas mãos continuaram entrelaçadas. Dahyun trouxe a mão de Sana mais pra perto de si, encostou-a em sua barriga e encarou Sana, enquanto esta, corada e nervosa, limitou-se a encará-la de volta.

— Hum... — Sana começou, desviando os olhos, — a chuva passou, acho que vou para casa.

— Oh, sim, certo. — Dahyun desviou o olhar e soltou a mão de Sana. — Hoje foi muito legal — sorriu — Obrigada por aceitar sair comigo, eu estava planejando isso faz um tempo — envergonhada, acariciou a própria nuca. Sana não pode deixar de mostrar empolgação ao saber que Dahyun já prestava atenção nela antes, algo que nunca poderia imaginar.

— Eu que agradeço, passar o tempo com você foi mil vezes melhor do que ficar sozinha em casa. — Sana sorriu e levantou-se e caminhou até a porta, seguida por Dahyun. — Então, tchau. — virou-se para sair, mas Dahyun segurou seu braço.

— Bom, eu tava pensando. Eu posso te levar em um lugar muito legal no nosso próximo encontro! — arregalou os olhos quando percebeu a expressão supresa de Sana — É, quer dizer, quando a gente for passar mais tempo juntas. — tirou sua mão do braço da japonesa e colocou por trás de seu próprio pescoço. — Hum, eu estava pensando em uma expedição fantasmagórica — falou, fazendo uma expressão brincalhona, com as mãos em frente ao rosto.

— Parece interessante. E onde seria essa expedição fantasmagórica? — falou no mesmo tom da outra e imitando seus movimentos.

— É uma surpresa — riu maldosa — Então... te encontro amanhã no parque?

— Estarei lá. Até mais. — Com um sorriso, Sana virou e deixou a casa. Dahyun observou-a até sumir do quarteirão quando suspirou e sorriu.

Não culpe as estrelas ~ SaidaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora