10. tear.

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No momento tudo não importava. Estavam vivendo o que tinham prometido: um mundo onde só existiam eles dois.

Mas eles não sabiam de um pequeno detalhe: o hospital era rodeado de câmeras, e o mundo real definitivamente não era composto por apenas duas pessoas.

Talvez esse fosse o problema.

― Quem era, amor? ― perguntou Haneul, estranhando a postura do marido diante a ligação que havia acabado de atender. ― Me pareces um pouco estranho. Já faz um minuto que tá aí parado.

― Ahn? Não, amor. Não é nada. Na verdade... ― limpou a garganta. ― Você sabe se aconteceu algo com a Sra. Jung? ― perguntou Sangjoon após colocar o telefone fixo em seu devido lugar.

A mulher estava sentada no sofá, tricotando algo que ainda não se tinha uma forma coesa para saber o que é. Apenas negou com a cabeça, olhando do telefone para ele.

― Era o Hoseok?

― Não, era do hospital. Querem falar comigo sobre o Taehyung.

Ela ergueu as sobrancelhas num reflexo de surpresa.  

― Sobre o Taehyung? ― questionou, tentando compreender o porquê de seu filho ser motivo de conversa, ainda mais em um hospital. Isso a desesperou por alguns segundos. ― Ele está bem? Aconteceu algo com ele? ― se levantou, porém o marido caminhou até ela e tocou-lhe os ombros numa tentativa de acalmá-la.

― Não se preocupa, ele está bem. Deve ser algo pra doar órgãos, essas coisas.

ㅡ Doar órgãos? Tá maluco, Sangjoon? Taehyung tá vivo! Ai meu Deus, estão de olho no meu filho!

ㅡ Calma, Haneul ㅡ acabou rindo da própria confusão. ㅡ Doar sangue. Deve ser isso.

― Isso não me alivia. Não quero meu filho metido nessas coisas.

― Calma, está bem? ― pediu. ― Não se preocupe, sim? Eu vou ter que ir trabalhar e talvez tenha que ficar uns três dias fora. Quando eu voltar resolvo isso.

Haneul ainda estava preocupada, como se estivesse prevendo algo de ruim. Abraçou o próprio corpo numa tentativa de se proteger de sua própria intuição, e assentiu para o marido.

― Mais três dias fora? ― retomou a esse assunto em específico, que particularmente a incomodava muito. ― Não acha que estão explorando da sua boa vontade?

― Não, tá tudo sobre controle ― garantiu ele, beijando-a na testa. ― Um homem precisa se esforçar em seu trabalho para dar o que é de melhor para a sua família.

Haneul sorriu simples com a resposta, mas o que ela não sabia, é que esses dias que o marido passava fora estava longe de ser um esforço a mais em seu desempenho no emprego. Muito pelo contrário.  

🌤️

Quinto dia como namorados.

― Nós já riscamos bastante coisas dessa lista. Já tiramos foto, usamos roupa combinando, vimos filmes…

― Fizemos preliminares ― completou Hoseok, com um sorriso que entregava que aquele momento era o seu favorito.

Taehyung revirou os olhos, mas um sorriso também tinha no rosto. Aquele também era o seu momento favorito. Os dois passaram a tarde andando de skate mais uma vez, rodando os pequenos pneus pela estrada banhada por um sol fraco e tímido, que não dava as caras já fazia um bom tempo. Sentado embaixo de uma árvore ao lado do skate que ganhara dias atrás, acariciou os cabelos de Hoseok, que tinha a cabeça deitada nas pernas de Taehyung estendidas no chão.

Perfect Lullaby | vhopeOnde histórias criam vida. Descubra agora