Hoje comecei o dia de mau humor. Não tinha dado certo a tentativa de acender a lanterna, e pra compensar meu colchão queimou. De novo. Quantos colchões uma pessoa é capaz de queimar?
Olhei no relógio e vi que já estava atrasada. Coloquei o uniforme correndo e fui para a escola.
- E o dever de matemática? - perguntou Sasha.
-Ah, já te dou - respondi.
Hoje ela parecia mais contente, com um brilho no olhar.
- Você está diferente. Tem algo que queira me contar? - perguntei.
- Não, eu estou... normal.
Soltou um risinho e então disse:
- Tenho que ir para a aula de matemática.
- Hoje não vai matar aula?
- Hoje não.
Então ela saiu, e eu fiquei ali, no corredor ao lado dos armários.
Até que o dia não demorou muito a passar. Logo que as aulas acabaram fui direto para a montanha, na esperança que Matt tivesse vindo.
Passado algum tempo ele chegou.
- Não sabia se viria - eu disse.
- Então por que você veio? - ele respondeu.
- Sou uma pessoa esperançosa.
- Eu realmente não te entendo. Mas enfim, algum progresso essa semana?
- Bom, eu acendi a lanterna.
Por um momento ele pareceu dar um leve sorriso.
- Mas ela e as lâmpadas do meu quarto queimaram.
O sorriso de repente desapareceu.
- Ta - ele começou a dizer. - Bom, pra começar, para que as coisas deem certo, você tem que aceitar seus poderes.
- Eu aceitei.
- Não, não aceitou. Você os usa, mas não os aceita. Tem alguma coisa impedindo você de aceita-los. O que é?
- Nada, eu...
Fiz uma pausa.
- Eu aceito.
Ele olhou para o lado meio bravo, então direcionou o olhar para mim:
- Olha, não posso te ajudar se você mentir. Diga, qual é o grande problema? O que está te bloqueando?
Depois de um tempo respondi:
- Okay. É o meu pai. E-eu - comecei a gaguejar e então disse tudo aceleradamente: - Eu ganhei esses poderes com a morte dele.
Matt ficou com uma cara de quem não tinha entendido. Então continuei, de forma mais acelerada ainda.
- Há 3 meses teve uma grande explosão, e meu pai mandou eu ficar abaixada na van, mas tinha essa luz forte e eu precisava ir até ela, e eu fui. Então meu pai foi atrás de mim, e eu senti a luz me invadir, me senti poderosa... mas meu pai, ele caiu muito longe com essa explosão... E, bem... ele... ele morreu.
Comecei a tentar conter as lágrimas.
- Ele morreu pra me proteger, pra que nada acontecesse comigo, porque eu não podia deixar a luz, porque eu não podia...
Tentar conter minhas lágrimas estava me tirando o ar. Respirei fundo, e Matt começou a dizer:
- Bom, talvez tenha sido sua culpa, talvez não. Mas isso não muda os fatos. Seu pai morreu. Tentando salvar você. Isso faz dele um herói. Okay, é claro que foi horrível pra você ele ter morrido, mas ele não ia querer que você ficasse se culpando, chorando por isso. - Ele deu uma pausa. - Ele ia querer que você seguisse em frente.
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A garota iluminada
FantastikEleanor era uma garota comum.. até não ser mais. Em um acidente, uma forte luz a atinge. Ela pensa não ser nada demais, até que começa a queimar colchões enquanto dorme e derreter objetos, então percebe que na verdade não era mais apenas uma garota...
