Capítulo 7

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Hoje comecei o dia de mau humor. Não tinha dado certo a tentativa de acender a lanterna, e pra compensar meu colchão queimou. De novo. Quantos colchões uma pessoa é capaz de queimar?

Olhei no relógio e vi que já estava atrasada. Coloquei o uniforme correndo e fui para a escola.

- E o dever de matemática? - perguntou Sasha.

-Ah, já te dou - respondi.

Hoje ela parecia mais contente, com um brilho no olhar.

- Você está diferente. Tem algo que queira me contar? - perguntei.

- Não, eu estou... normal.

Soltou um risinho e então disse:

- Tenho que ir para a aula de matemática.

- Hoje não vai matar aula?

- Hoje não.

Então ela saiu, e eu fiquei ali, no corredor ao lado dos armários.

Até que o dia não demorou muito a passar. Logo que as aulas acabaram fui direto para a montanha, na esperança que Matt tivesse vindo.

Passado algum tempo ele chegou.

- Não sabia se viria - eu disse.

- Então por que você veio? - ele respondeu.

- Sou uma pessoa esperançosa.

- Eu realmente não te entendo. Mas enfim, algum progresso essa semana?

- Bom, eu acendi a lanterna.

Por um momento ele pareceu dar um leve sorriso.

- Mas ela e as lâmpadas do meu quarto queimaram.

O sorriso de repente desapareceu.

- Ta - ele começou a dizer. - Bom, pra começar, para que as coisas deem certo, você tem que aceitar seus poderes.

- Eu aceitei.

- Não, não aceitou. Você os usa, mas não os aceita. Tem alguma coisa impedindo você de aceita-los. O que é?

- Nada, eu...

Fiz uma pausa.

- Eu aceito.

Ele olhou para o lado meio bravo, então direcionou o olhar para mim:

- Olha, não posso te ajudar se você mentir. Diga, qual é o grande problema? O que está te bloqueando?

Depois de um tempo respondi:

- Okay. É o meu pai. E-eu - comecei a gaguejar e então disse tudo aceleradamente: - Eu ganhei esses poderes com a morte dele.

Matt ficou com uma cara de quem não tinha entendido. Então continuei, de forma mais acelerada ainda.

- Há 3 meses teve uma grande explosão, e meu pai mandou eu ficar abaixada na van, mas tinha essa luz forte e eu precisava ir até ela, e eu fui. Então meu pai foi atrás de mim, e eu senti a luz me invadir, me senti poderosa... mas meu pai, ele caiu muito longe com essa explosão... E, bem... ele... ele morreu.

Comecei a tentar conter as lágrimas.

- Ele morreu pra me proteger, pra que nada acontecesse comigo, porque eu não podia deixar a luz, porque eu não podia...

Tentar conter minhas lágrimas estava me tirando o ar. Respirei fundo, e Matt começou a dizer:

- Bom, talvez tenha sido sua culpa, talvez não. Mas isso não muda os fatos. Seu pai morreu. Tentando salvar você. Isso faz dele um herói. Okay, é claro que foi horrível pra você ele ter morrido, mas ele não ia querer que você ficasse se culpando, chorando por isso. - Ele deu uma pausa. - Ele ia querer que você seguisse em frente.

A garota iluminadaOnde histórias criam vida. Descubra agora