Capítulo 12

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Acordei com o despertador tocando as 06:30 da manhã. Pensei por que estaria tocando tão cedo em pleno domingo, e aí percebi que tinha ativado para todos os dias da semana. Ótimo, eu e minha cabeça.

Tentei dormir de novo e não consegui ,então resolvi tomar um banho e descer para a cozinha. Coloquei umas tigelas para fazer uns muffins de café da manhã, quando percebi uma luz bem forte vinda da janela. Aquela luz me irritava, sempre fazia meus olhos arderem. Coloquei o braço em cima dos olhos e quando fui tira-los e arrastei minhas mãos para o lado, percebi que aquela luz não estava mais lá, mas estava para onde eu desviei o braço.

Espera, eu desviei a luz? Então olhei para a luz que agora estava em outro lugar e levei de volta à janela. Olhei e lá estava a luz de volta. Então desviei para outro canto e para lá foi.

Eu podia mudar a direção da luz, desviar ela de seu caminho.

Desculpe a falta de humildade ,mas isso era demais. Ter poderes é demais.

Estava brincando um pouco de ficar desviando a luz, quando Zouth entrou:

- O que você está fazendo?- perguntou ele com cara de surpreso.

- Muffins - respondi como se fosse óbvio.

- Não, eu digo, fica mexendo seu braço de lá pra cá, encarando essa janela. O que há de tão interessante?

-Estou... apenas... flexionando. É, flexionando os braços ,sabe,precisa de força nos braços para cozinhar.

- E para isso precisa ficar encarando a janela?

- É, pra refletir como flexionar é bom.

- Ta bom então - disse ele com uma cara de você é estranha. - Só toma cuidado,não vai por fogo na cozinha de novo.

- Pode deixar.

Comecei a pegar os ingredientes para fazer os muffins, pensando em como meu irmão sempre está lá quando estou aprontando minhas burradas. Tenho que ser mais cuidadosa.

Mais tarde fui ao galpão me encontrar com Matt. Ele ainda não havia chegado ,mas agora que eu conseguia fazer o mini sol com as mãos (acho que vou chamar esse poder assim) não havia com o que me preocupar. Iluminei o caminho até perto de uma das janelas, e fiquei treinando desviar a luz até que ele chegasse.

Ele chegou ,e eu animada, disse:

- Matt, olha isso.

Então peguei o feixe de luz que vinha da janela, e desviei para o outro lado, para perto das escadas.

Ele ficou olhando com uma cara de: é isso? Então eu disse:

- Eu desviei a luz, no caso de você não ter entendido.

-Legal - respondeu ele. - Agora tente com um feixe de luz menor.

Ele apontou para um buraquinho bem pequeno da parede de madeira.

Bom, foi um pouco mais difícil, mas eu tentei. Depois de um tempo,consegui.

- Bom, bom - disse ele. - Agora, depois que desviar, tente expandir essa luz para os lados.

Me concentrei, e não sabia se conseguia fazer aquilo, mas peguei um feixe de luz mínimo, e de repente a sala toda estava repleta de feixes de luz, como se houvesse vários buracos vindos das paredes. Era tão boa essa sensação, me perdi naquele momento. Então juntei todos os feixes em um só, e devolvi para seu lugar inicial.

Quando começou a escurecer resolvemos ir embora. Ele falou que me dava uma carona para casa. Entrei no carro e liguei o rádio, e quando Matt entrou perguntei se ele podia me deixar na casa de Sasha. Ele concordou e me levou até lá.

Não sabia se me despedia dele só com um aceno, com um abraço, já que agora éramos amigos. Então dei um rápido beijinho na bochecha, disse tchau e fui.

A casa de Sasha era branca, com um balanço na varanda, e janelas coloridas.

Estive aqui tantas vezes, mas não nos últimos meses. Então resolvi que era hora de fazer uma visita.

Bati na porta, e ela atendeu com uma cara meio de desesperada, e disse:

- Ainda bem que é você. Preciso da sua ajuda.

- Com o que?

- Entra.

Quando entrei a casa estava uma bagunça ,roupas jogadas na sala, a cozinha toda cheia de farinha, com pisca pisca todo embolado na sala de jantar. Então perguntei:

- O que está acontecendo?

- Sabe ontem, tive o encontro com Jason.

- Sei, como foi?

- Então, foi muito bom, e ele disse que não via a hora de repetir, aí eu posso ter mencionado que meus pais viajaram e talvez eu pudesse preparar um jantar para ele hoje. Mas acontece que eu não sei cozinhar, e fui tentar colocar umas velas e uns piscas piscas pra ficar romântico, sei lá, mais o pisca pisca queimou e ta tudo uma bagunça. E eu estou sem fósforos para as velas, e minha mãe só vai comprar quando voltar, e eu disse que o jantar era as 20 horas, mas agora já são 19 e não dá mais tempo de comprar, ou fazer nada.

- Calma, respira, faz assim, eu arrumo essa bagunça da sala e da cozinha, vai na sra Mendes e pede para ela te ajudar com a comida, vai por mim, ela adora cozinhar, e quando você chegar a gente da um jeito nas velas.

Ela foi e eu arrumei tudo o mais rápido que pude, o que foi um pouco trabalhoso, mas valeu a pena. Tudo estava limpo, e ela chegou com os potes com comida.

- Como vamos arrumar as velas?

Bom, tudo que eu queria era ajudar a minha amiga, e não tinha outro jeito agora senão fazer o que eu planejava há um tempo: revelar meus poderes.

Fomos na cozinha, e então, respirei fundo e disse:

- Sasha, tenho que te contar uma coisa.

- Agora?

- Sim, agora. Eu... eu tenho poderes.

- Ah Eli,agora não é hora para brincadeira.

Então eu acendi os piscas piscas.

- Ta - disse ela. - Seus poderes são consertar uns piscas piscas?

- Não - disse meio irritada. - Tenho poderes de luz, calor, essas coisas.

Ela riu.

- Olha - falei. - Eu vou acender essa vela.

Apontei para a vela do canto esquerdo, e então ela se ascendeu. Sasha ficou lá parada de boca aberta.

- Como você fez isso? - perguntou ainda de boca aberta.

- Poderes - eu disse. - Eu te falei.

- Mas como?

- Agora não da tempo pra explicar, você tem um encontro né.

- É, claro. Mas depois a gente conversa sobre isso.

- Claro. Boa sorte.

Estava indo embora, quando Sasha me chamou:

- Eli!

- Sim? - disse me virando.

- Você não ascendeu todas as velas.

E então ela riu. Ri também é fui la terminar de ascender todas as velas.

- Mais uma coisa - disse ela. - Ter poderes parece ser demais.

Dei um risinho e fui embora.

A garota iluminadaOnde histórias criam vida. Descubra agora