Capítulo 11

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Acordei bem tarde hoje.

Apesar do que aconteceu noite passada, estava deprimida hoje pelo que Matt e minha mãe disseram. Quer dizer, dessa vez eu consegui ajudar. Mas será que conseguiria sempre?

Ainda deitada, esparramada na cama, com Pero a meu lado, liguei para Sasha, para perguntar como foi o encontro. Ela não atendeu.

Então peguei meu violão, que estava no canto do quarto e comecei a tocar. Minha fiel platéia, Pero, estava assistindo, enquanto tocava no meio das cobertas bagunçadas.

Meu irmão bateu na porta já aberta, e se encostou nela. Então perguntou:

- Está tudo bem?

- Sim, está - respondi meio rápido.

Ele me lançou um olhar de eu sei que você está mentindo.

- Me conta o que está acontecendo.

Então se sentou ao meu lado na cama.

- Por que você acha que tem algo errado? - perguntei.

- Ah, qual é. Você está tocando música triste.

- Você sabe que eu adoro tocar música triste.

- Você só toca músicas tão depressivas assim quando está triste. Eu te conheço. E você nunca acorda tarde, e não costuma deixar sua cama bagunçada, muito menos tocando nela enquanto está bagunçada.

- Okay - disse eu, erguendo as mãos em símbolo de redenção. - Eu estou triste por causa da mamãe.

- Mas não é só isso - disse ele semicerrando os olhos. - O que mais?

- Ta, tem... o Matt também. Eu achei que nós éramos amigos, mas então percebi...

- Que não são?

- Isso - disse com um tom mais triste do que desejava que fosse.

- Bom, se ele não quer ser seu amigo então não te merece.

Segurei a sua mão e fiquei olhando para ele.

- Bom -  disse ele - se precisar de mim, estarei lá embaixo.

- Obrigada.

Mais tarde, eu ainda estava sentada na cama, ainda bagunçada, ainda tocando. Zouth bateu na porta de novo.

Parei de tocar e fiquei olhando para ele.

- Alguém veio te ver.

- Quem? - perguntei com um ar de curiosa.

Então Matt apareceu, com um café na mão, e ficou lá, parado na porta.

- Posso entrar? - perguntou ele.

Dei de ombros e ele entrou. Zouth ficou encarando Matt com olhar de irmão protetor, então fechou a porta e saiu. Quando ouvi o barulho de ele descendo as escadas, perguntei:

- O que você está fazendo aqui?

- Eu, eu... eu vim me desculpar - disse, se sentando na cama.

Era engraçado a maneira desajeitada dele fazer isso, como se não fosse um costume, franzindo as sobrancelhas, procurando pelas palavras.

- Você sabe que não gosto de café - disse, olhando para o copo em sua mão.

- Ah, isso. - Ele ficou olhando. - Não, eu sei que você não gosta. Trouxe pro seu irmão.

- Você vem se desculpar comigo, mas traz café para o meu irmão?

- É que ontem você queria dar um café pra ele e não conseguiu, então eu te trouxe para dar hoje. Antes tarde que nunca, né.

A garota iluminadaOnde histórias criam vida. Descubra agora