Capítulo 02

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Assim que chegamos à sala Helena já havia saído do banho e estava sentada no colo de um menino o qual imagino ser o seu namorado. No outro sofá havia a menina morena que Maria Eduarda tinha mencionado, um menino dos olhos verdes e outro loiro.

- Boa noite - falei e assim ganhei a atenção de todos.

- Já estava pensando que iria ficar no quarto - Helena diz assim que se levanta e passa os seus braços pelos meus ombros fazendo eu lhe enviar um sorriso - Gente essa aqui é a Julia - envio um sorriso tímido a todos, ela aponta para o menino que estava sentada - Esse é o Arthur, meu namorado.

- Oi - ele fala e me da um abraço, logo Helena continua sua apresentação, a qual eu já estava cansada, odiava toda essa atenção.

- Esse é o João Miguel, o mais legal do grupinho depois de mim - dou risada com seu jeito, o menino me da um beijo na bochecha em forma de cumprimento, o loiro solta uma risada sarcástica e eu o olho com a testa franzida sem entender.

Helena parece não ter ouvido ou apenas não ter dado importância, pois continuou as apresentações.

- Melissa, minha amiga - a morena me abraça e eu vejo Maria Eduarda rindo e negando com a cabeça, nunca vou entendê-la - E por último o mais insuportável do grupinho, Lucas - aponta para o loiro que lhe mostra o dedo do meio e apenas acena com a cabeça para mim me cumprimentado, já na Duda ele da um abraço demorado.

Depois disso sentamos na sala e ficamos conversando e tomando umas bebidas, fiquei voando nos assuntos e não me meti muito, ao contrário da Duda que já havia bebido o suficiente e já falava até pelos cotovelos, e olha que não era nem 00hrs ainda.

- Deixa eu contar pra vocês a vergonha que a Julia já me fez passar - olho para ela com os olhos arregalados, puta que pariu, a única coisa que poderia sair da boca dela nesse momento era merda, tentei fazer sinal para ela parar, mas ela me ignorou - Uma vez a gente tava em um sitio numa festa daí tava tudo escuro, porque sim - eu queria me matar nesse momento, porque ela tinha que lembrar disso? - Daí ela foi ao banheiro e voltou chorando feito uma louca, subiu numa mesa e começou a gritar que tinha visto "uma luz", que ela ia morrer, que era um espírito vindo buscar ela, fez o maior escândalo gritando.

Todo mundo começou a rir alto, eu vou matar ela amanhã quando ela estiver sem álcool no sangue. Coloquei minha cabeça entre as mãos e neguei com a cabeça, eu morria de vergonha desse acontecimento, e não achava ele engraçado.

- Eu estava muito bêbada, e você era a culpada. Não é engraçado. - me defendi, mesmo sabendo que eu iria ser sempre zoada por isso agora, já não bastava na minha antiga cidade.

- Eu queria muito ter visto essa cena mano - João falou e eu o olhei querendo o matar. No pouco tempo que ficamos ali ele foi quem eu mais conversei e o que mais gostei, ao contrario do loiro que não trocou uma palavra comigo e ignorou totalmente minha presença ali.

- Não queria nada - murmurei emburrada e ele me abraçou de lado, lhe olhei com os olhos semicerrados, o mesmo abriu um sorriso e levantou as mãos em forma de desculpas. Olhei para Duda que nos olhava com um sorriso no rosto - e você chega de beber.

- Chatona - o loiro se pronunciou depois de um longo tempo sem falar nada, franzi a testa com seu comentário, ele me olhou, bebeu um gole da cerveja e continuou - deixa a menina beber, vocês estão em casa, que perigo tem véi? Medo de ela contar seus podres?

Respirei fundo, não queria lhe dar uma resposta mal educada logo no meu primeiro dia aqui, nem sei por que ele estava agindo assim comigo, mas eu não iria aguentar quieta.

- Para de implicar com a guria porra, qual foi hein? - Arthur se pronunciou no meu lugar, não queria esse clima ruim e nem brigar, mas eu nem tinha feito nada dessa vez, o loiro apenas deu de ombros e começou a conversar com Melissa e a Duda.

Ao contrário do que eu pensei o clima ali não ficou pesado, na verdade, somente entre o loiro a minha frente e eu, o resto ignorou o fato e continuou com a conversa.

Quando já ia dar umas 02hrs da madrugada os meninos foram embora, Melissa iria dormir aqui, pois segundo ela, ela não estava disposta a andar aquela hora até sua casa, então ela preferiu o sofá preto da nossa sala.

- Eu juro que amanhã quando você estiver melhor eu vou te agredir Maria Eduarda - falei enquanto arrastava ela até seu quarto, era sempre a mesma coisa, ela bebia, eu cuidava, no outro dia ela estava morrendo e eu tendo que aguentar ela reclamar.

- Chama meu namorado pra dormir comigo?

- Que namorado o sua maluca? Cala a boca e dorme mano.

E assim ela fez, mal virou pro lado e já estava dormindo. Fui para o meu quarto, troquei de roupa e de tão cansada acabei dormindo quase de imediato ao me jogar na minha cama.

(...)

Acordei com o barulho de panelas batendo e bufei alto, minha mãe vivia fazendo isso para eu acordar e eu odiava com todas as minhas forças, olhei as horas no celular e eram apenas 10h20, levantei da cama contra minha vontade e fui para o banheiro fazer minhas higienes, coloquei uma roupa simples e segui para a cozinha.

Assim que cheguei encontrei Melissa e Duda, Melissa cozinhava algo enquanto a outra estava morrendo na bancada.

- Bom dia - falo assim que entro na cozinha, elas murmuram uma resposta e eu olho pra Maria Eduarda com a cara mais debochada que consigo - Como a princesa está? Você esta com uma cara ótima, sério, eu diria até que você não bebeu nada ontem.

- Cala a boca - fala e eu dou um sorriso, não me esquecendo que ainda terei uma conversa com ela sobre ontem.

Depois de uns 15 minutos, Helena acorda e ficamos conversando e comendo enquanto assistíamos um filme qualquer na TV.

Há tarde João e Arthur passaram no apê convidando nós para um clube de piscina que não ficava muito longe, Duda recusa de imediato alegando estar morrendo - como se não fosse possível notar de apenas olhar para ela - e eu não tinha a mínima vontade de ir, queria descansar e arrumar umas coisas antes da faculdade começar.

Assim que ficamos sozinhas, Duda levanta indo em direção ao seu quarto e eu lhe grito:

- Não se esqueça que ainda vamos conversar sobre a vergonha que você me fez passar ontem - ela me mostra o dedo do meio e bate a porta do quarto.

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