Capítulo 43

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Julia

Há primeira semana que passei na casa dos meus pais pareceu se arrastar, eu não fazia nada o dia todo além de assistir TV ou sair para alguns lugares à noite com a família.

Alguns amigos antigos, de quando eu ainda morava aqui, chegaram a me mandar mensagem e marcaram uma janta nesse sábado, mas a minha vontade de ir era zero, ainda mais agora que eu mal tinha intimidade com eles.

Apesar de estar em casa e me sentir extremamente confortável, eu ainda não havia conseguido voltar a dormir bem à noite, assim eu passei todos esses dias acordada a madrugada toda, por vezes assistindo, lendo ou qualquer coisa que me distraísse.

Todos os dias, perto da meia-noite, o Luis Gustavo me ligava pra ver como eu estava, falava comigo um tempo e depois eu dizia que ia dormir, não queria que ele se preocupasse ainda mais comigo. Ou que desse outro soco na cara do primo.

Durante essa primeira semana, eu demonstrei estar extremamente normal e bem para a minha família, eles não sabiam do meu rolo com o Lucas e agora nem valia mais a pena contar.

Mas, a cada vez que eu entrava na minha galeria, nossas fotos me faziam lembrar de cada momento, cada vez que eu fazia um simples toque para desbloquear a tela, o papel de parede, que eu ainda não tive coragem de tirar, me lembrava nós dois juntos.

Diferente do que eu imaginava, com o passar dos dias a dor que eu sentia no meu peito e minha vontade de chorar não passaram, mas eu aprendi aos poucos controlar.

Hoje, sexta-feira à noite, eu estava jogada na minha cama assistindo filme sozinha em casa quando meu celular começou a tocar, pausei o filme e estiquei minha mão até o aparelho, o nome do Luis Gustavo brilhava na tela.

Antes de aceitar a chamada, me ajeitei na cama arrumando meus travesseiros, quando deslizei o dedo pela tela do celular, antes de falar alguma coisa, o coloquei no viva-voz.

– Boa noite, gatinho! – falei mordendo minha língua pelo apelido.

Gatinho, é? Estamos evoluindo nos apelidos carinhosos, gostei. – ele falou rindo, dei risada murmurando um "aham" em tom de brincadeira, mas antes que eu escutasse uma resposta, escutei alguma coisa batendo do outro lado da linha.

– Ta sozinho? – pedi estranhando o barulho.

To sim.

– Por que não saiu hoje? Você nunca fica em casa no fim de semana.

Saudades suas ta me afetando, confesso. – ele riu ao terminar de falar e escutei novamente um barulho estranho.

– Eu não sei se acredito.

– Mas, me conta, como você ta? Já sabe quando volta?

– Eu to bem. – dei de ombros mesmo sabendo que ele não podia me ver – Eu só consegui pegar duas semanas de folga na editora, serei obrigada a voltar no próximo domingo.

Você ta conseguindo dormir bem?

– Sim.

– Julia? Vai mentir pra mim? – rolei na cama levando meu celular junto e respirei fundo antes de continuar.

– Eu to me virando, Luis Gustavo. A madrugada é boa pra assistir série, sabia? Eu durmo durante o dia, um pouquinho. – tentei dar uma risada ao final para que não parecesse tão ruim quanto é.

Você, por acaso, não quer que eu agrida meu primo novamente? Tipo, só um pouco, ele merece. – ele sussurrou do outro lado da linha como se fosse um segredo – Você ainda gosta dele?

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