Capítulo 47

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Julia

– Pelo amor de Deus, fala baixo Gabriela! – resmunguei para a garota sentada na poltrona do outro lado da nossa sala conversando animada com a Maria Eduarda.

– Deixa de ser chata, ninguém mandou você encher a cara ontem. – a minha irmã revirou os olhos antes de voltar a conversar.

A minha cabeça está explodindo e minhas costas estão doloridas, e eu nem posso culpar o álcool por isso, já que foi minha própria decisão louca de dormir no chão que me causou isso.

Quando acordei nessa manhã, a minha maior vontade era cavar um buraco e me enfiar dentro assim que vi o loiro ao meu lado, os olhos pequenos de sono me encaravam com atenção e sua mão fazia um carinho na minha bochecha.

Agora, estou jogada no sofá da sala, me torturando com as lembranças enquanto escuto minha irmã contar para a minha melhor amiga sobre a noite com o Marcelo.

– O que eu quero mesmo saber, é o seguinte – a Helena chegou falando com um prato de brigadeiro me estendendo uma colher – Rolou ou não, Julia?

– Hãn? – a encarei franzindo a testa e só entendi quando a mesma sorriu de lado levantando as sobrancelhas escuras – Não. É claro que não!

– Nem um beijinho?

– Não. – resmunguei afundando no sofá enfiando a colher cheia do doce na boca.

– Já era de se esperar, dois lerdos pra caralho. – a minha irmã deu de ombros mexendo no celular.

– Gabriela, você não abra sua boquinha pra dar opinião na minha vida ou eu te mando de volta pra casa antes do combinado. – semicerrei meus olhos para ela que levantou os braços em sinal de rendição.

– De lerdo o Lucas não tem nada. – a Duda falou rindo me fazendo franzir a testa e a encarar brava.

Ela não precisava lembrar que já pegou ele muito antes de mim.

Afundo ainda mais no sofá choramingando para a Helena assim que ficamos sozinhas, deixando o celular de lado, ela me encara esperando uma explicação, mas eu nem tenho uma.

– A minha vida se tornou um completo filme de drama e terror. – reclamo enchendo minha colher enquanto ela ri da minha cara.

– Muito drama, mesmo.

– Meu relacionamento nem bem tinha começado e terminou, troquei de turno na faculdade e agora não sei se fiz o certo, minha irmã ta sabendo demais da minha vida, enchi a cara e dormi com o cara que eu amo – encarei a garota ao meu lado que continha um sorriso enorme antes de continuar – Meu cabelo ta parecendo um ninho de passarinho, minha roupa parece que tem 30 anos de velha e to morrendo de dor de cabeça.

– Agora eu entendo por que você e o Lucas deram certo, os dois são muito dramáticos e reclamam por qualquer coisinha.

– Ai é que você se engana – apontei minha colher na sua cara – Nós não demos certo, esqueceu?

– É questão de tempo.

Argh. – deixei a colher de lado deitando minha cabeça no encosto do sofá e buscando o meu celular com a minha mão.

Já passavam das 15hrs da tarde e meu celular mostrava as inúmeras notificações e mensagens não lidas, ignorei tudo e abri meu twitter onde o primeiro tweet que apareceu foi justamente do Lucas reclamando da ressaca.

– Ju? – a Helena me chamou com cautela – Chama o Lucas pra conversar, resolve isso logo, pelo menos assim, vocês dois param de se torturar.

– Até parece que eu tenho coragem para fazer tal ato.

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