Capítulo 37

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Lucas

Assim que chegamos ao apartamento da Julia, estacionei o carro e desci logo atrás dela que seguiu em silêncio para dentro do prédio. A ideia dela querer conversar me assustava, ainda mais sendo sobre nós dois, juntando com as coisas que ela havia me falado mais cedo.

No elevador, assim que as portas se fecharam ela fez um coque no cabelo, escorando a cabeça no vidro e fechando os olhos assim que terminou, eu conhecia ela o suficiente para saber que aquela carinha dela significava cansaço. Segurei o seu pulso, a puxando devagar para perto de mim, a abraçando pela cintura e fazendo ela deitar a cabeça no meu peito.

Desde que começamos a ficar, a Julia foi se soltando mais, superando a timidez que tinha no começo e se tornando mais aberta e faladeira, confesso que eu adoro quando ela me liga as 23hrs e fica falando durante vários minutos sobre a cena de uma série que ela viu ou de um capitulo de um livro que acabou de ler, mesmo que eu não faça nem noção do que esteja falando.

Nessa semana foi ela quem me ajudou a manter o controle e a calma, mesmo sabendo que a morte da minha avó doía nela tanto quanto doía em mim, ela não deixou que alguém notasse isso. A Julia se manteve do meu lado pra tudo que eu precisei, e foi pra ela que eu corri no meu maior momento de fraqueza.

Se ela quiser terminar tudo o que temos, eu vou entender, mas não posso afirmar que tudo ficará bem, pois para mim, nesse momento, ela é quem mais importa na minha vida.

Assim que chegamos ao apartamento, ela trancou a porta assim que entrei, caminhou até o quarto e jogou a mochila no canto, perto da cama. Permaneci escorado no batente da porta de braços cruzados, enquanto ela suspirava baixinho passando as mãos pelo rosto.

– Você me espera tomar um banho? – ela me olhou mordendo o lábio inferior depois de falar e eu concordei com a cabeça – Se você quiser pode tomar banho depois que eu sair, tem umas roupas suas aqui no guarda-roupa.

– Pode ser, vai lá.

A loira pegou uma roupa no guarda-roupa e a toalha, ao passar por mim, parou ao meu lado fazendo um carinho na bochecha que me fez abrir um sorriso, a porra do meu coração tava todo apertado por não saber o que ela queria conversar.

Separei minha roupa pra tomar meu banho e fui até a cozinha depois, fiz dois sanduíches e separei um copo de suco assim que ouvi o chuveiro sendo desligado, deixei tudo em cima da mesa da cozinha e fui pro quarto pegar minhas coisas.

– Fiz uma coisinha pra ti comer, ta lá na cozinha! –falei assim que entrei e vi ela penteando o cabelo molhado.

– Ah, obrigada.

– Come lá, não vou demorar.

Tomei um banho rapidão, me troquei no banheiro mesmo, sequei meu cabelo com a toalha e fui até a lavanderia pra pendurar. Quando cheguei à sala, a Julia já tinha terminado de comer e estava sentada na ponta do sofá mexendo no celular, as pernas cruzadas e a cabeça deitada na palma da mão.

Me sentei no outro lado do sofá, ficando de frente pra ela que desligou o celular assim que percebeu minha presença, o jogando ao seu lado e se virando para ficar de frente para mim.

– Fala aí. – apontei com a cabeça pra ela cruzando meus braços.

– Na verdade, eu nem sei como começar. – ela deu uma breve risada negando com a cabeça enquanto olhava para a barra da blusa – Não é algo que aconteceu, tipo, não sei te explicar, mas é algo que vem me incomodando, e eu não posso continuar com isso, entende?

– Só fala o que ta acontecendo nessa porra, Julia. – fechei meus olhos passando a mão pelos cabelos.

– Eu nunca fui uma pessoa fácil, Lucas. Minha insegurança e timidez nunca deixaram que eu tivesse muitos relacionamentos, tanto amizades ou ficantes, até mesmo namorados. Depois do acidente isso tudo aumento umas dez vezes, ficou complicado demais pra mim depois de tudo, e eu me afastei de tantas pessoas.

Broken HeartsOnde histórias criam vida. Descubra agora