Lucas
– Mas não foram vocês dois que me juraram que eram só amigos? – a mulher que se intitulava minha avó paterna falou ao colocar as mãos na cintura sem tirar o sorriso enorme do rosto.
– Dona Vânia... – a Julia começou a falar baixinho ao meu lado com o rosto todo vermelho pela vergonha, me fazendo apertar um pouco os seus dedos entrelaçados com os meus e interromper sua falar.
– Amigos também beijam vó, ou vai me dizer que nunca pegou um amigo, porra? – eu dei de ombros recebendo um tapa fraco e nada disfarçado da garota ao meu lado. Minha avó, no entanto, semicerrou os olhos na minha direção me repreendendo enquanto negava com a cabeça.
– Esse menino não me respeita mais, vou te contar hein, Julia. – a Dona Vânia falou sem deixar de negar com a cabeça e, assim que nos aproximamos mais, a mesma segurou o pulso da garota loira ao meu lado a puxando para perto – Vem, me deixa conversar contigo a sós.
– Vó, a gente já vai ir embora, outro dia vocês conversam! – passei a mão no rosto esfregando meus olhos, eu já estava cansado dessa festa e a ressaca de ontem não ajudava em nada.
– Lucas. – a Julia me chamou baixinho passando um dos braços pelos ombros da minha avó – Aposto que vai ser rápido e ai a gente pode ir embora. Não vamos demorar, não é? – ela perguntou calmamente olhando para a senhora que concordou com a cabeça sem nem disfarçar o sorriso enorme – Me espera lá em baixo?
– Eu odeio vocês duas! – revirei os olhos e bufei baixinho, as fazendo rirem da minha cara – Qualquer coisa me chama. E não demora caralho.
– Olha a boca, menino. – dona Vânia me repreendeu e eu dei um beijo na testa dela já me despedindo caso nós não nos víssemos antes de eu ir embora.
Pisquei na direção da Julia fazendo ela abrir um sorriso tímido na minha direção antes da senhora minha avó sair puxando ela pro seu quarto. Fiquei ali no meio do corredor observando a cena, a Julia não era alta, mas a minha vó batia no seu queixo.
Eu não sabia o que elas iriam conversar, mas resolvi confiar na Julia e com sorte – e um pouco de insistência – ela me contaria tudo depois.
Resolvi esperar ali na sala de estar, mesmo tendo poucas pessoas agora eu não queria sair e encarar o restante dos meus familiares, que assim que me visse sozinho, iriam me encher de perguntas sobre quem era a menina com quem passei a festa toda de mãos dadas.
– A menina já te meteu o pé na bunda, foi? – levantei o meu olhar assim que escutei a voz adorável do meu pai, depois de vários minutos em que eu estava naquela sala silenciosa.
– Não começa, pai!
– Foi por ela que você saiu dois dias mais cedo do trabalho? – ele se sentou ao meu lado no sofá enquanto esperava uma resposta.
– Naqueles dois dias eu cheguei mais cedo de meio dia, então eu tinha o direito de sair. – falei ainda sem encará-lo brincando com o celular em minhas mãos. Quando o velho não falou nada, me obriguei a olhá-lo encontrando suas sobrancelhas levantadas e os braços cruzados – Foi por ela também.
– Da onde você conhece essa menina? Lucas, espero que você não tenha voltado pra aquela sua fase...
– Caralho, não enche. Voltei pra porra de fase nenhuma. – ele me encarava bravo me fazendo revirar os olhos.
– Lucas Gabriel, essa menina é boa, e eu não vou aceitar que você use ela. – ele repetia o mesmo discurso de quando eu tinha 15 anos – Espero que você tenha mesmo mudado.
– Lucas! – antes que eu pudesse responder algo mal educado para o meu pai, ouvi uma voz me chamando me fazendo direcionar meu olhar para a escada onde a Julia estava – Estou atrapalhando?
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Broken Hearts
Teen FictionDuas pessoas de mundos totalmente diferentes. Julia Maria era uma menina calma, quieta e de uma cidade pequena, mas que apesar do seu jeito encantador, já havia passado por algumas coisas que marcaram sua vida, e não de uma forma boa. Assim, ao pass...
