Capítulo 29

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Julia

– Para de gritar, Maria Eduarda! – resmunguei baixinho fechando meus olhos e passando a mão sobre o cabelo.

Eu havia acabado de acordar, mas a minha amiga já estava toda elétrica em plena quarta-feira as 7h30 da manhã. Observei a mesma andar de um lado para o outro na sala enquanto contava alguma coisa que não fiz esforço para entender.

Eu dormi menos de 4 horas essa noite, então meus olhos pesavam e o meu corpo estava dolorido pelo cansaço que eu sentia. Deitei no sofá enquanto esperava a Helena terminar de se arrumar e escutava a Duda contar algo que a havia deixado irritada no dia anterior.

Não demorou muito para que a minha amiga terminasse de se arrumar, seguimos em direção a nossa faculdade em passos lentos, enquanto eu bebia um pouco de café tentando manter meus olhos abertos, e forçando meus pés a se arrastarem pela calçada para manter o ritmo das duas ao meu lado.

– Você deveria voltar a tomar remédio para dormir. – franzi a testa ao ouvir as palavras da Maria Eduarda assim que passamos pelo portão de entrada do campus, chamando a atenção também da Helena ao seu lado.

– Não preciso. Foi só essa noite, acontece. – falei firme enquanto encarava a morena ao meu lado. Eu não gostava de falar sobre essas coisas, e eu não pretendia contar para a Helena sobre os meus problemas para dormir, mesmo sendo perspectiveis para qualquer um.

– Julia, eu estou falando sério. A gente pode marcar uma consulta e eu vou contigo, ou falamos com sua mãe. – a minha amiga voltou a insistir no assunto me deixando ainda mais irritada do que eu já estava. Eu sabia que ela estava fazendo isso por estar preocupada, mas não era o momento certo e nem o local.

Respirei fundo fechando os olhos para logo em seguida dar um gole no meu café, prestando a atenção no gosto de cafeína forte e escolhendo as palavras que eu diria.

– Conversamos depois sobre isso, Duda. – falei depois de longos minutos em silêncio, a fazendo suspirar forte ao meu lado e concordar com a cabeça.

Assim que nos aproximamos mais da mesa em que sempre ficávamos, pude perceber que todos estavam ali, me fazendo pensar seriamente em dar meia volta e ir direto para a minha sala, como eu havia feito várias vezes. Me aproximei da lixeira mais próxima para jogar o meu copo de café fora, para só depois seguir em direção as meninas que tinham me deixado para trás.

– Bom dia. – falei baixo assim que cheguei na mesa, chamando a atenção de todos que me responderam e voltaram para a conversa animada que estavam antes.

– Bom dia, gatinha! – me assustei com a voz rouca próxima a minha orelha que me causou um arrepio assim reconheci o dono, me fazendo levantar o olhar e encarar os seus olhos castanhos do Lucas e seu sorriso no rosto.

– Não comece a me zoar pelo meu estado. – semicerrei os olhos ainda o encarando, que o fez franzir o cenho e me olhar dos pés a cabeça.

– Que estado? – ele parecia confuso, o que me fez revirar os olhos com a minha falta de paciência naquela manhã.

O Lucas permaneceu ao meu lado me encarando e, em certo momento, passou um dos braços pelos meus ombros me puxando para mais perto. Se fosse qualquer outro dia eu teria estranhado sua aproximação exagerada na frente dos amigos ou teria me afastado. Mas, a única coisa que fiz, foi ficar em silêncio prestando atenção na conversa enquanto os dedos do loiro faziam movimentos circulares no meu braço.

Depois de alguns minutos, me despedi do pessoal já ciente de que chegaria alguns minutos atrasada para a primeira aula, mas como o professor era de boa, não me importei em andar com passos lentos sendo seguida pelo Lucas que insistiu em me acompanhar.

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