Durante toda a madrugada não consegui dormir nem um minuto, rolei na cama diversas vezes ainda processando a informação e, somente quando eu vi que o Lucas tinha realmente conseguido dormir, deixei que minhas lágrimas rolassem pra valer.
A dona Vânia havia se tornado minha avó também, e apesar de só termos nos visto uma vez, foi o suficiente para eu me apegar. Ela me conquistou nas primeiras palavras, com o jeito brincalhão e debochado, igual dos netos. As mensagens que ela me mandava, tornavam meu dia melhor, pois a imaginava sorrindo e resmungando quando errava uma letra.
Perto da uma da madrugada, levantei para tomar água, acabei ligando para o Luis Gustavo, eu sabia o quanto meu amigo deveria estar mal, e eu precisava estar do seu lado também. Apesar do horário tardio, ele me atendeu no segundo toque.
– Oi, Ju. – sua voz saiu baixa e embargada, como um sussurro.
– Eu sinto muito! – imitei seu tom de voz, me jogando no sofá e me segurando para não chorar novamente.
– Eu sei que ela tá melhor agora. Ela foi tão forte, eu só não esperava por isso, ela ainda tinha tanto pra ver, pra viver. – concordei com a cabeça mesmo sabendo que ele não estava me vendo, se eu fosse falar qualquer coisa, eu iria chorar e não sei como me acalmaria.
– Ela foi tão maravilhosa comigo, me acolheu e me fez se sentir em casa, se tornou especial pra mim sem nem precisar falar muito. – escutei seu choro baixinho do outro lado e então deixei que minhas lágrimas descessem com presa.
Não prolonguei a conversa com o Luis Gustavo no telefone, assim que desliguei vi a Duda escorada na entrada da sala, os braços cruzadas e uma carinha preocupada. Sem dizer nada, ela sentou ao meu lado e me abraçou forte, me dando conforto durante um longo tempo.
Quando amanheceu, eu ainda não tinha conseguido dormir, então fiquei brincando com os cabelos do Lucas que estava deitado ao meu lado com o rosto ainda vermelho. Não demorou muito para ele começar a resmungar, se virando de um lado para o outro, como aconteceu diversas vezes durante a noite.
Aproximei meu rosto do seu, depositando alguns beijos na sua bochecha e entrelaçando seus dedos nos meus, fazendo com que ele se acalmasse sem nem abrir os olhos.
– Você não dormiu? – escutei sua voz baixinha e rouca, ainda de olhos fechados ele levou sua mão até meus cabelos, fazendo um cafuné.
– Eu não consegui.
– Você precisa ir pra faculdade, já vou levantar e me arrumar pra ir embora, só espera um pouquinho. – ele abriu os olhos me fazendo franzir o cenho.
– Você ta falando sério? Não vou pra faculdade, e não vou te deixar sozinho.
– Eu não sou mais criança, posso me virar sozinho.
– Lucas, não começa, por favor.
– Você não precisa deixar de fazer suas coisas por minha causa. – ele sentou na cama ficando de costas para mim, me levantei em um pulo indo para frente dele.
– Você ta se escutando? – coloquei minhas mãos na cintura juntando as sobrancelhas, quando ele desviou o olhar, me aproximei dele, pegando em seu rosto com as duas mãos – A gente ta junto nessa. E ta tudo bem você precisar de outra pessoa, ta tudo bem você demonstrar o quanto ta doendo tudo isso, sou só eu, não vou te julgar.
– Tá foda de aguentar, loirinha! – ele sussurrou esticando os braços para me abraçar, me puxando para sentar no seu colo – Eu não sabia que ela tava doente, ninguém me contou, juro pra ti que eu não sabia.
– O que ela tinha? – dei um beijo no seu ombro esperando sua resposta.
– Não consegui entender direito na hora, mas era algum tipo de câncer, essa porra de câncer. Mas, a questão é que ela tinha parado com o tratamento, e fez todo mundo prometer não contar para nenhum neto. Porque ela parou? Porque ninguém me contou?
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Broken Hearts
Teen FictionDuas pessoas de mundos totalmente diferentes. Julia Maria era uma menina calma, quieta e de uma cidade pequena, mas que apesar do seu jeito encantador, já havia passado por algumas coisas que marcaram sua vida, e não de uma forma boa. Assim, ao pass...
