Julia
Meu corpo todo doía, assim como minha cabeça, e eu nem tinha mais força de vontade de levantar do sofá pra nada. Eu sou a pessoa mais fraca que eu conheço, não posso pegar um ventinho mais forte que a gripe já aparece. Minha imunidade é uma bosta mesmo.
Ontem à tarde, quando voltava da editora, acabei pegando chuva, chegando em casa ensopada. O fato de eu ter ido dormir tarde com certeza colaborou pro meu estado atual.
No momento, estou aqui jogada no sofá da sala, enrolada em um cobertor e comendo brigadeiro com chá. Uma péssima combinação. Mas hoje é quarta-feira, e sendo assim, é dia de futebol.
A cada 10 minutos a Maria Eduarda aparece no corredor pra ver como eu estou, parece até que estou morrendo. Talvez minha aparência esteja horrível, mas eu já tomei todos os remédios recomendados pelo Google e é só o tempo de fazer o efeito.
Era 21h30min e eu estava preparadíssima pra passar raiva com meu time quando a campainha tocou, estranhei logo de inicio, pois o porteiro não havia avisado nada. Quando tocou pela segunda vez, imaginei ser a Helena, por mais que ela tivesse falado que dormiria fora.
– Duda – gritei o mais alto que eu pude para que ela me ouvisse e fosse abrir a porta, mas saiu tão baixo que aposto que ela nem escutou.
Quando a campanhia tocou pela terceira vez, bufei alto me levantando e arrastando o cobertor comigo. Não me importei de arrumar meu cabelo que estava todo embaraçado e alto, apenas fui até lá e abri pronta para xingar quem quer que fosse.
Me arrependi no momento em que abri a porta e dei de cara com o Lucas ali. Franzi o cenho surpresa e confusa por vê-lo, ao mesmo tempo em que ele levantou as sobrancelhas claras ao me ver.
– Boa noite? – falei em tom de exclamação, sem entender ainda o motivo de ele estar parado na minha frente, com a roupa preta de sempre e com uma sacola de mercado em uma das mãos.
– Oi – ele disse simplesmente colocando a mão livre no bolso da calça – A Helena falou que você não estava bem.
– Ah, eu já to melhor, na medida do possível. – tentei arrumar meu cabelo com uma das mãos enquanto a outra segurava o cobertor, mas não deu muito certo – Você quer entrar?
– Você já tava dormindo? – ele pediu enquanto passava por mim indo em direção a cozinha.
– Não – franzi o cenho com a pergunta, mas depois entendi o porquê – Eu tava assistindo.
Fui até a sala e me joguei no sofá me enrolando no cobertor e em seguida, arrumando o meu cabelo com as pontas dos dedos. Alguns minutos depois, quando o loiro apareceu na sala, ele estava com uma bacia de salgadinho e dois copos de refrigerante.
– A Helena falou que você estava mal – ele disse entrando na sala e se sentando ao meu lado no sofá – Mas eu não pensei que você estivesse tanto, ao ponto de assustar as pessoas ao abrir a porta.
– Idiota – resmunguei baixinho e ele deu risada negando com a cabeça – O que ta fazendo aqui? Aqui em casa?
– Vim te ver, cansei de segurar vela lá em casa – ele deu de ombros voltando sua atenção para a televisão – Desde quando você assiste futebol?
– Estranho – semicerrei os olhos na direção dele e logo voltei à atenção para o jogo – Desde sempre ué. Acho que desde que me entendo por gente eu sou apaixonada.
– Puts, perfeita demais caralho – ele disse rindo e eu dei um tapa fraco no braço dele para que parasse de brincadeira.
– Julia – ou vi a voz da Maria Eduarda vindo do corredor e me ajeitei no sofá, quando ela chegou, parou e franziu a testa nos observando com atenção antes de voltar a falar – Desde quando você ta aqui?
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Broken Hearts
Genç KurguDuas pessoas de mundos totalmente diferentes. Julia Maria era uma menina calma, quieta e de uma cidade pequena, mas que apesar do seu jeito encantador, já havia passado por algumas coisas que marcaram sua vida, e não de uma forma boa. Assim, ao pass...
