Capítulo 13

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Julia

Nunca fiquei tão feliz com a chegada de uma sexta-feira.

Essa semana passou lenta e com poucas emoções, claro que eu estou animada com o meu emprego, conheci o restante da equipe essa semana, todos foram super gentis comigo e eu me senti muito mais aliviada. Mas apesar da minha animação com meu trabalho eu não poderia ignorar o que eu venho evitando há dias.

Depois da conversa de domingo com o Lucas, nós não nos falamos mais, ele me procurou todos os dias e me mandou mensagens, as quais eu não respondi, talvez minha atitude esteja sendo infantil, mas eu fiquei totalmente perdida e confusa depois de suas palavras.

Não posso esquecer que eu voltei a ter insônia, não conseguir dormir de noite está me torturando, e eu sei qual é o problema, só não quero admitir, mas vou dar um jeito nisso.

Quando chego a minha sala faltam apenas dois minutos para o inicio da primeira aula e o Luis Gustavo já está sentado na sua mesa - a frente da minha - mexendo no celular. Quando me vê desliga o aparelho o colocando em cima da mesa e se vira para trás no momento em que me sento.

- Bom dia - quando murmuro apenas uma resposta baixa, ele faz uma careta e volta a falar - Não conseguiu dormir de novo? Você deveria começar a tomar um chá, ou um remédio antes de dormir, pra ajudar.

- Eu dormi sim - minto e quando ele levanta as sobrancelhas duvidando solto um suspiro - eu não preciso de remédio, só to cansada, esquece isso, o professor já entrou.

- Vou fingir que acredito em você - ele diz antes de se virar e me deixar com um pequeno sorriso no rosto.

Durante a aula o professor explicou um conteúdo novo, o primeiro que eu entendi logo de cara e que achei fácil, Luis Gustavo ficou o tempo todo resmungando o quanto odiava esse professor e que ele nem sabia explicar direito.

Já na última aula, a professora acabou passando um trabalho sobre um conteúdo complicado e que eu não havia entendido nada - pelo fato de no dia anterior ter dormido boa parte da aula - mas como meu querido e melhor amigo entendeu tudo, resolvi me aproveitar disso quando fomos liberados.

- O que você vai fazer amanhã de noite? - perguntei como quem não queria nada enquanto caminhávamos pelo corredor.

- Acho que nada, não combinei nada com ninguém, por quê?

- Você bem que podia ir lá no apartamento daí a gente pede pizza, ai como a gente não vai ter nada pra fazer, podíamos fazer esse trabalho ai - olhei para ele e fiz minha melhor cara de coitada e quando ele retribuiu o olhar continuei - sério, não entendi nada desse conteúdo, tenha dó de mim.

- Hum, não sei não - fiz bico e ele deu risada passando um dos braços pelos meus ombros - eu vou sim, mas eu escolho o sabor da pizza então.

- Ta bom, mas só por que você vai me explicar e me ajudar no trabalho direitinho - olhei para ele com os olhos semicerrados, ele concordou com a cabeça e resmungo um "ata, aham".

Quando chegamos ao lado de fora do prédio e eu avistei a mesa de sempre, me despedi do meu amigo que se recusava a ir para lá comigo. Caminhei lentamente pela calçada, eu fui poucas vezes ali nessa semana, tenho evitado por não saber como reagir quando ver o loiro que tanto domina meus pensamentos nas últimas semanas.

Bem próxima da mesa, consegui visualizar melhor quem estava ali, Melissa, João, Marcelo e o Lucas. Que ótimo. Tudo bem, penso, eu só preciso ficar ali alguns minutos até a Maria Eduarda aparecer e depois posso ir embora.

- Quem é vivo sempre aparece - João falou abrindo um sorriso assim que me aproximei mais.

- Infelizmente ela apareceu - Melissa disse baixo antes que eu pudesse cumprimentar eles.

Broken HeartsOnde histórias criam vida. Descubra agora