Capítulo 17

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Margarida

O João tinha sofrido falta e na marcação do livre, ao fazer-se à bola, tinha apoiado mal o pé esquerdo e tinha-se lesionado. Encontrava-se deitado no chão agarrado ao tornozelo e o árbitro ainda não tinha deixado a equipa médica entrar, melhor ele nem tinha parado o jogo! Estava com uma irritação imensa por causa disso! Por favor senhor pare o jogo para o ir ajudar! Só se apercebeu do sucedido segundos depois, após o aviso do árbitro auxiliar. O João encontrava-se deitado havia alguns segundos e não se conseguia levantar, por isso o árbitro permitiu a entrada da equipa médica. Os meus colegas tinham-me dito que hoje faria assistência dentro de campo e assim que recebi autorização, pus-me a correr para junto do João com mais um médico atrás de mim.
Muita gente pode achar o meu comportamento exagerado, mas o João significa tanto para mim que só de pensar no facto dele se ter magoado, me deixava com uma sensação horrível no peito.
Cheguei primeiro junto dele que o outro médico, por isso rapidamente lhe perguntei o que se passava.
João- O gajo deu-me com força no pé quando fez a falta e agora no livre pus mal o pé no chão e magoei-me mesmo à séria! Estou com umas dores horríveis! Parece que o corpo termina no tornozelo, é como se não existisse nenhuma ligação com o pé.
Margarida- Tem calma João, vamos ajudar-te.
O meu colega passou-me o spray e pu-lo logo para o tentar aliviar de tanta dor. Ajuda-mo-lo a levantar-se e saímos de campo. Ele não estava em condições de continuar. O Rui (nome do meu colega médico) avisou logo o treinador que era necessária a substituição.
Fui ajudando o João a ir em direção ao banco de suplentes enquanto que o Rui levava a mala dos primeiro socorros. O João ia apoiado em mim e custava a andar. O seu peso estava todo sobre mim, mas nesse momento eu não queria saber. Estava cega de dor por ver uma pessoa de quem eu tanto gosto em tamanho sofrimento. Quando chegámos ao banco, a equipa médica pediu-me para ir com o João para dentro. Assim podia tentar fazer um diagnóstico.
Dentro da enfermaria a dor era quase palpável. Ele estava mesmo muito aflito não só do tornozelo como do músculo da perna. Eu já o tinha visto agarrado à coxa, que lhe tinha ficado a doer depois de o João ter feito um corte muito forçado, mas como ele não tinha feito sinal nenhum e continuou o jogo, fez-nos pensar que estava tudo bem. Tirei-lhe a bota, a meia e a caneleira e tentei perceber o que se passava.
Margarida- Meu querido fizeste uma entorse no tornozelo esquerdo. Não te preocupes não é das mais graves. Como não tens inchaço nenhum vou só por-te uma ligadura, gelo e pomada. Vais tomar um anti-inflamatório intravenoso para aliviar as dores e para atoar mais rapidamente. Está descansado que não sou enfermeira mais sei fazer isto, não tens medo pois não?
João- Quando estou contigo nunca tenho medo.- Disse-me a sorrir e eu dei-lhe um beijinho na bochecha.
Margarida- Caso tenhas algum sintoma novo avisas-me a mim ou a outro médico imediatamente.
João- E não vou poder jogar por uns tempos?
Margarida- Vais fazer um treino condicionado agora nos próximos 2 dias, se tudo estiver em ordem podes voltar mas não a 100%. Se esforçares demasiado vais estar parado uns tempos e tens que andar de canadianas.
João- Está bem eu faço o que me recomendares...
Dei-lhe o anti-inflamatório e gelo para por no tornozelo e saí para ir buscar a ligadura. O medicamento ia fazer efeito num instante por isso não tarda ele ia começar a sentir-se aliviado. Pensando bem se calhar era melhor dar-lhe umas canadianas, a dor agora vai passar mas a inflamação ainda está lá e as canadianas iam ajudá-lo a andar sem se esforçar.
Quando entrei na divisão vi o João a fazer o que lhe tinha pedido e coloquei-lhe a ligadura para que o tornozelo estivesse mais apertado e não fizesse tanto movimento.
João- E do músculo da perna, o que é que se faz?
Margarida- O que aconteceu foi como que um "esticão" ao músculo. Vou fazer-te uma massagem e isso passa. É apenas fatiga.
Ele indicou-me a zona em que lhe doía, apliquei o creme e comecei a fazer a massagem. De vez em quando dizia que lhe doía e o resto do tempo estive a falar com ele para ver se o animava, mas o menino João não largava o telemóvel.
Margarida- Oh João deixa lá a namorada que eu estou a falar contigo?
João- Não estejas com ciúmes, ela não me está a tocar nem a fazer uma massagem bem boa neste momento.- Disse piscando-me o olho a rir.
Margarida- Olha...
João- Estou a brincar linda, estou a falar com a minha mãe. Eles estão preocupados, porque assistiram a tudo e nunca mais te viram sair, pensaram que podia ter acontecido alguma coisa mais grave.
Margarida- Se quiseres eu falo com eles para explicar a situação.
João- Quando eles vierem ter comigo no fim do jogo falas com eles.
Estivemos mais um bocado naquele espaço a ver o jogo pela televisão. Ainda fui ao campo para ver se estava tudo em ordem, mas disseram-me que podia vir ter com o João para ele não estar sozinho. Se precisassem de mim comunicavam. O Benfica estava a ganhar e era muito engraçado ver a cara de concentração do João, ele era tão querido.
João- Sabes que te sinto a olhar não é?- Perguntou me rindo e fazendo-me ficar corada.
Margarida- Não estava não...
João- Não precisas de negar eu sei que estavas, mas isso não tem mal nenhum. Anda cá.- Abriu os braços e chamou-me para junto dele.- Sabes, és só assim a médica mais gira e fofinha que vi em toda a minha vida.
Margarida- E já viste quantas?- Perguntei rindo.
João- Já vi umas quantas, mas não preciso de ver mais para saber que isto é verdade.- Quando ele disse isto encostei-me ao seu ombro.- E acho que vou dizer que tenho dores nos músculos mais vezes para receber mais massagens destas. Belas mãozinhas Margarida!- Disse na brincadeira fazendo o movimento de baixar e levantar as sobrancelhas.
Margarida- Ficaste maluco com as massagens.- Disse-lhe seguindo o seu jogo.- Ficas fofinho com cara de concentrado, dá vontade de te dar mimos.
João- Tu és sempre! Podes dar à vontade! Sabes que gosto muito dos teus.- Respondeu beijando-me na testa.




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Um beijinho enorme e até ao próximo capítulo <3333

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