Capítulo 15

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Rosie

Acordei com uma leve batida na porta. Olhei no relógio e já era mais de 10 horas da manhã. Sai da cama e fui ver quem estava ali.

"Bom dia Dorminhoca! Me deixa entrar, princesa. Trouxe café da manhã." Esse era o insuportável do meu irmão. Ele sabe ser adorável quando quer e odiável em outros momentos.

"Quieto, Enrico. Sua noiva está dormindo ainda. Não vai querer acordar ela, né?"

"Martina dormiu aqui?" perguntou ele tentando espiar pra ver se conseguia vê-la na cama.

"Sim, chegamos tarde. E para de tentar entrar no meu quarto. Ela vai me odiar eternamente se você a conhecer sem maquiagem, com cabelos embaraçados e cara amassada."

"Até parece que não vou acordar e dar de cara com essa visão todos os dia, né? Esqueceu que vou me casar com ela?"

"Claro que não esqueci, idiota! Só quero que você conheça a bela Martina primeiro e depois quando não puder fugir mais, conheça a Martina Monstrinha Mal-humorada da manhã."

Ele começou a rir, mas aceitou. Deixou a bandeja com o café da manhã e desceu as escadas.

Eu estava faminta, imagino que Martina também. Bom, preciso encarar a Monstrinha que era minha amiga pela manhã. Acordar Martina era sempre um risco, ela era mal-humorada demais normalmente e agora ainda iria ter que encarar uma Martina mal-humorada e de ressaca. Que todos os santos me ajudem!

"Marty, querida. Acorde. Tem café!" Disse, cutucando a fera.

Olha abriu só um olho, grunhindo pra mim. Resmungou algo.

"Bom dia Marty. Já passa das 10. Temos muito que fazer hoje. Amanhã é a festa de seu noivado."

"Bom dia? Bom dia, só se for pra você! Minha cabeça está explodindo! Me passa um suco e aspirina urgente!"

Não disse que ela era assustadora de manhã, junte a isso uma mulher descabelada, com olhos injetados de fúria e ressaca. Meu irmão iria sofrer na mão dessa mulher, essa era a parte mais divertida da história.

"Tá aqui. Tome logo. Depois banho, se vista e vamos gastar dinheiro. Precisamos comprar roupas pra festa, marcar salão e etc. Dia de Princesa da Máfia!"

"Volte aqui vadia! Posso saber por que está tão feliz?"

"Por nada."

Disfarcei e fui me vestir. Voltei usando um jeans colado, uma cropped branca e saltos. Fiz uma maquiagem leve, arrumei meu cabelo num coque despojado, peguei minha bolsa e me preparei pra sair.

Martina saia do banho, aparentemente já estava melhor. A primeira dose de cafeína sempre melhora o humor dela.

"Princesinha feliz, posso roubar uma roupa sua?"

"Claro, bruxa mal-humorada. Fique a vontade, sabe que o que é meu, é seu também."

Ela resmungou e entrou no meu closet. Ela escolheu um shorts curto de barra desfiada e uma regata listrada. Calçou botas de cano longo, prendeu o cabelo negro em um rabo e estava linda. A mulher de ressaca era uma Deusa. Aplicou uma maquiagem simples, delineador, blush e seu batom vermelho. Essa era a marca registrada de Martina. Ontem, ela me fez usar essa cor. Achava que não combinava com minha pele branca, mas de acordo com ela ficava perfeito em mim.

"Estou pronta. Me sinto quase humana. Vamos?"

"Sim."

Decidi não contar pra ela que o Enrico estava lá embaixo. Achei melhor deixar ela descobrir sozinha.

Descemos as escadas, Martina ia na frente e eu a seguia. De repente, do nada ela estancou no degrau. Olhei e procurei o que causou esse efeito na minha amiga. Eu sabia, mas queria confirmar e lá estava meu irmão.

Enrico era muito bonito, principalmente de terno, no seu melhor estilo mafioso. Percebi que ele também ficou encantado com a noiva. Afinal Martina Martinelli era um arraso.

"Querido irmão, se continuar a comer sua noiva com os olhos desse jeito, tenho medo de presenciar uma cena imprópria e papà não irá gostar nada." Disse provocando.

"Cala a boca princesinha! Olá Martina, finalmente nos conhecemos pessoalmente. Sou Enrico Bianchi, seu futuro marido."

Meu irmão estendeu a mão para ela e a ajudou terminar de descer as escadas. Antes de soltar sua mão, a levou aos lábios, depositando um beijo. Deu aquele sorriso sacana molhador de calcinhas e nos acompanhou à sala.

Minha mãe estava sentada a mesa conversando com meu pai e nos viu entrar.

"Querida, que bom que resolveram se juntar a nós. Estava esperando vocês para irmos ao shopping comprar os vestidos para o noivado. Olá querida Martina! Vejo que seu impaciente noivo já foi te buscar. Ele estava desesperado para te conhecer. Quase invadiu o quarto de Rosie enquanto vocês estavam dormindo."

"Menos mamà!" Disse Enrico, levemente corado. Ele estava com vergonha. Essa era uma primeira vez.

Pra quebrar o embaraço, fui cumprimentar meu pai com um beijo no rosto. Sentamos e terminamos o café. Pude perceber que os noivos estavam encantados um com o outro. Sabia que eles iriam se gostar. Ficava feliz pelos dois, era um casamento fadado a dar certo. Meu irmão podia ser um assassino frio, mas sabia ser doce quando queria.

"Ah, princesinha, lembrei! Falei com Dante hoje e ele já está em Nova York. Chegou ontem. Ele virá pro meu noivado e para te conhecer."

Senti um arrepio, um frio na barriga. Eu não temia Dante, conhecia seu histórico. Meu medo era que eu não conseguisse disfarçar e ele descobrisse o meu deslize na boate ontem. Será que ele iria perceber que eu beijei outro homem? Será que ele descobriria que senti prazer ao ser tocada pelo estranho? Será que isso fica impregnado na pessoa? O que ele pensaria de mim, que não era digna de ser sua esposa? Que era impura, uma puta, uma qualquer? Se isso acontecesse, tenho certeza, ele me mataria sem pensar duas vezes.

Olhei pra comida em meu prato, tentando disfarçar. Martina percebeu que algo estava errado no meu olhar e mudou de assunto.

"Dona Martha, podemos ir? Estou meio indisposta, e queria ir logo escolher as roupas e mais tarde ir para casa descansar um pouco. Preciso estar linda para o meu noivado, não é mesmo?"

"Querida, se você ficar mais linda, serei obrigado a matar todos que ousarem olhar pra você" disse meu irmão galanteador para Martina.

Ela deu aquela suspirada, corou levemente e sorriu pra ele. Pronto, eles estavam conseguindo me deixar enjoada.

"Vocês são lindinhos juntos, mas isso tá ficando doce demais pra mim. Vai me dar diabetes!" disse levantando-me da mesa. "Vamos noivinha e mamà."

"Me aguarde, princesinha. O que é seu tá guardado." Resmungou baixinho pra mim e Martina. Sabia que ela iria me zoar quando eu conhecesse Dante.

O Inferno de DanteHistórias para pegar e não largar. Descubra agora