(Continuação do capítulo 24 - narrado por Chase)
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Dias atuais...
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E mais uma vez eu tinha feito merda.
Com certeza ela não iria querer olhar mais na minha cara. Dessa vez era o fim.
Eu deveria ser o cara mais idiota que ela havia conhecido, disso eu podia ter certeza.
Sopro o ar preso em meus pulmões, e quase dura um minuto completo, mas logo em seguida vem um outro.
Bati com força na porra do volante daquele Chevrolet Impala. O ar dentro do carro começava a não ser mais suficiente para mim.
Abaixo o vidro na tentativa de fazê-lo entrar ou eu poderia morrer sufocado a qualquer momento.
Meu coração estava acelerado como um caralho – isso porque eu não achei uma palavra que distinguisse tão bem o que eu queria dizer.
Ligo o rádio na tentativa de acalmar meus nervos.
Distração, Chase.
A voz da minha terapeuta zumbia no meu ouvido.
O rádio estava sintonizado na Antena 2, tocando canções no programa Nightlight, "de segunda à sexta à partir das duas horas, três horas de músicas para começar bem a sua madrugada", era a vinheta que passava entre um clássico meloso – triste – e outro, só pra romanticamente aumentar a melancolia dentro do carro, que passou a contar com "Bohemian Rhapsody" do Queen como trilha sonora.
Isso é a vida real?
Isso é apenas uma fantasia?
Pego num desmoronamento, sem escapatória da realidade
Abra seus olhos, olhe para os céus e veja
Sou apenas um pobre garoto, eu não preciso de compaixão
Porque eu tenho altos e baixos
Eu não precisava de uma reflexão agora.
Pego um cigarro no porta objetos do freio de mão e o coloco entre meus lábios, acendendo com o isqueiro. Puxando a fumaça com força até chegar em meus pulmões.
Sabendo que aquilo um dia iria me matar. Eu a solto pelo ar.
Mamãe, acabei de matar um homem
Coloquei uma arma contra sua cabeça
Puxei o gatilho, ele está morto agora
Mamãe, a vida tinha acabado de começar
Mas agora eu me fui, joguei tudo isso fora
Era exatamente assim.
Eu morri por dentro no momento em que perdi meu pai.
Morri, quando matei aquele homem no tatame do Matadouro.
Morri ainda mais quando perdi um filho de uma forma tão... grotesca.
Eu morri, quando vi Ariel Hayes beijar outro bem na minha frente.
E hoje, eu morri muito mais quando vi ela defendê-lo de mim.
Daqui a mais algum tempo, posso prometer que não irá restar mais nada de mim, além de casca e destruição.
Eu era capaz de acabar com a vida de quem se aproximasse de mim. Isso era real.
Um som alto de buzina me faz despertar, e olhar para o lado. O carro estava parado a um palmo de distância do meu. Observo o dono dele gritar comigo por ter ultrapassado o sinal vermelho.
— Quer morrer, seu imbecil?! — gritou.
Eu quase o respondi com um "sim".
Já estava dirigindo por horas, e não fazia ideia de onde eu estava agora. Procuro um posto de combustível mais próximo para conseguir abastecer, ou meu carro poderia me deixar na mão a qualquer minuto.
O frio a essa hora estava de tremer os dentes, e nem a minha jaqueta de couro dava conta mais. Aperto meus braços ao redor de mim na tentativa de afastá-lo.
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NOCIVO
RomanceSinopse ❝Ele era simplesmente perfeito. Seus cabelos e olhos negros eram da cor da escuridão, e pareciam sugar minha alma só de me olhar. Ele exalava maldade, conseguia sentir de longe. Eu queria lutar para mantê-lo distante. Não queria me machucar...
