Pv Frederick
Estou a caminho da casa dos meus pais, o trânsito flui tranquilo, o que significa que vou chegar rápido. Não que essa seja minha vontade, a última coisa que quero agora é ouvir mais um dos discursos do senhor, todo poderoso, Oliver Belgrado.
Outra coisa que me encomenda pelo caminho é tentar entender o que aconteceu comigo hoje, a muito tempo não me deixava levar pela emoção. E tenho toda razão para isso, a última vez que deixei meus sentimentos me guiarem quase levei um golpe de uma mulher que achava ser minha companheira, então aprende a duras penas que a emoção só nos faz tomar péssimas decisões.
Mas analisando a situação de hoje, apenas fiz uma boa ação a alguém que precisava, isso não me trará grandes consequências. Apenas mais um dos longos discurso do senhor Belgrado.
Estou entrando com o carro na garagem e já posso ver minha mãe na porta me esperando, deve estar com saudades como também estou. Tenho que admitir que estou sendo um filho ausente e que não posso me deixar levar pela raiva do homem mesquinho que meu pai se tornou, e parar de me afastar da mulher maravilhosa que é minha mãe.
Mal saio do carro e já sou recebido por um abraço caloroso.
_ Estava com saudades filho.
_ Também estava mãe.
_ Seu pai está te esperando e está soltando fogo pelas ventas.
_ Já estou indo lá, mas depois quero passar um tempo com a senhora.
_ Mas é claro que vai passar, mesmo que não quissese, você não vai me escapar.
_ Sei que não.
_ E quero saber direitinho a história dessa menina.
_ Então vocês já estão sabendo?
_ Sim e seu pai está achando que enlouqueceu, mas eu estou muito orgulhosa.
_ Aquele fofoqueiro do Carlos, vai se ver comigo.
_ Esqueça isso, meu menino.
Dou um beijo na testa dela ainda rindo do seu jeito espontâneo e saiu em direção da toca do leão.
_ Dá para me explicar o que aconteceu? Para quem não queria nem ir ao orfanato, você está bem caridoso. E para que? Esse tipo de atitude não rende muitos comentários bons. Vão logo questionar porque não fazemos isso por todas as crianças.
_ Já acabou seu discurso?
_ Não, não acabei. Ainda por cima perdeu a entrevista, se pelo menos tivesse simplesmente mandado ela para o hospital, mas não, ainda teve que ir até lá e perder a entrevista. Além disso, já gastamos demais com essas crianças, tudo por sua mãe, mas as coisas tem limites.
_ Não precisa se preocupar com dinheiro, o tratamento vai sair unicamente do meu bolso.
Nesse momento vejo minha mãe entra no escritório e desconfio que ouviu grande parte da conversa. Vejo também, o senhor Oliver mexer nos cabelos, pois ele sabe que ela ouviu e sabe ainda mais a dor de cabeça que isso vai dar para ele. Afinal, apesar de tudo que ele se tornou, ele ainda ama incondicionalmente minha mãe, e isso é o único resquício de admiração que tenho por ele.
_ Oliver Belgrado, você devia se envergonhar por ter pensamentos tão mesquinhos e egocêntricos, esse não é o homem com o qual eu casei.
_ Querida, não é assim, estou pensando no futuro dos nossos filhos, que está relacionado as empresas....
Aproveito minha mãe brava para escapar dessa conversa tediosa, pois sei que ele não vai sair de lá até amansar a fera. Enquanto isso, vou até a cozinha atrás de "vovó" Neide, ela é governanta e cozinheira da casa desde antes de nasce, é uma senhora com um talento extraordinário na cozinha. Qualquer comida que ela faça é minha favorita.
_ Vovó Neide do meu coração, você não vai acreditar a fominha que eu to.
_ Você tem sorte menino, de ser apaixonada por alimentar você, porque isso não cola mais comigo não.
Estou na varanda deliciando a lasanha da Neide, quando minha mãe chegar e sei que quer conversar e saber tudo dessa história.
_ Já ouvi a versão dos fatos das outras pessoas, não quer me contar a sua, não?
_ Não tem o que contar mãe, eu estava no orfanato quando receberam a notícia, me senti tocado pela situação da menina e quis ajudar, pronto.
_ Tocado? Devo admitir que estou supresa. Apesar, que eu conheço o homem bondoso é, mesmo que tente esconder. Sei o que passou e entendo o jeito que vê as coisas hoje em dia, mas fico feliz de ver o meu menino do coração enorme dar as caras.
_ Não é nada demais, alguém precisava de ajudar e eu ajudei, simples.
_ Não menospreze sua atitude querido, não é qualquer um que faria isso. E apesar de tudo que já passou, continue assim e tente não perder sua essência como seu pai cem perdendo.
_ Tudo bem mãe.
Passei a tarde ali com minha mãe e sai de lá com a promessa que iríamos visitar a menina no dia seguinte, ideia de minha mãe. Apesar de não ser o meu plano, que era simplesmente pagar o tratamento e não ter nenhum contato, eu vou com minha mãe até lá.
Depois do descanso de uma noite, e de ter descarregado as energias do dia estressante com Charlotte, estou revigorado essa manhã indo busca minha mãe para irmos ao hospital. O caminho é tranquilo e quando estamos em direção ao quarto da menima, minha irmã se junta a nós e vai nos contando alguns coisas.
_ O quadro dela está estável, não houve nenhum piora desde o atendimento, mas ela não acordou até agora. O que de certa forma é bom, porque quando ela acordar sentirá muitas dores. Mas acredito que até o final do dia ela deve começar a despertar.
Chegamos ao quarto e logo vejo Dona Maria e a menina do mesmo modo do dia anterior. Vejo minha irmã conversar com ela enquanto a examina, reparo minha mãe se aproximar prestando atenção em Sophie e suas conclusões com o olhar tocado e preocupado, mas o que me impressiona é o olhar dirigido à ela, uma espécie de encantamento, um brilho nos olhos.
_ Pode parecer loucura, mas as feições dela me lembram você, Sophie na idade dela.
Minha mãe fala isso enquanto a acaricia. Decorre-se um tempo, no qual minha mãe, dona Maria e Sophie engatam numa conversa sobre o orfanato, enquanto fico no canto do quarto apenas observando-a com seu semblante sereno. Acho que por isso sou o primeiro a perceber sua agitação e me aproximo, mas logo isso capta a atenção de todas. Ouço um pequeno sussurro sair de boca.
_ Helena, helena...
Ela simplesmente para e se aquieta outra vez, mas me deixa curioso de quem ela está chamando, e não resisto e perguntou à Maria.
_ Quem é Helena?
_ É uma moça que aju...
Dona Maria é interrompida por uma enfermeira que entra para trocar o soro dela e fazer suas verificações. Após ela sair resolvo que é hora de ir.
_ Mãe, acho que está na minha hora de ir, você quer ir comigo ou vai ficar mais um tempo?
_ Ah querido, vou ficar mais um tempo fazendo companhia a Maria.
Aceno concordando com minha mãe e vou me despedir de todas, dou um aperto de mão na responsável pelo orfanato, um beijo na testa de minha mãe e irmã, e no impulso do momento, repito o mesmo beijo na menina e saiu do quarto deixando as outras mulheres um pouco espantadas.
Pv Eleonor
Estou me surpreendendo a cada minuto desde que entrei nesse quarto de hospital. A primeira foi entrar no quarto e ver que não conhecia a menina na cama, apesar de ser muito pouco devido a minha rotina e de desejar ir mais vezes e com mais tempo, visito o orfanato sempre que posso o orfanato. Então, logo deduzo que a menina deve ser recém chegada, e ai vem minha segunda surpresa, quando Maria me conta que ela está lá desde que nasceu, mas que por sempre se manter afastada das outras crianças não devo tê-la visto.
E então, observo pela terceira vez chocada, a ação de meu filho, que depois sai pela porta como se fosse algo comum, mas o que mais me choca vê a seguir. Como nos contos de fadas que contava a minha filha e as crianças do orfanato, a bela adormecida acorda depois do beijo, neste caso inusitado e não encantado.
Ao abrir os olhos, eu vejo o brilho no olhar que só conheço em meu filho, mas o que mais surpreende não é o brilho, mas a cor, ou melhor as cores, exatamente igual as dele.
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Sob um novo olhar
Teen FictionAnnabeth Hope é uma menina que cresceu em um orfanato, que mesmo que todas circunstâncias estivesse contra ela, pois desde cedo sofreu muito, filha de uma viciada, nao conheceu seu pai e sempre foi alvo das chacotas. Todavia, ela tornou-se uma garot...
