PV Helena
Estar de volta ao meu país é mínimo reconfortante, ainda mais depois de ter passado um ano nos Estados Unidos a pedido exclusivo do meu avô, Gregory Mansur, já não bastava ter feito uma faculdade de advocacia para satisfaze-lo, ainda tive que ir fazer mestrado. Mas também não posso reclamar, teve suas vantagens ter ido tão longe para estudar, pude fazer o que eu quero, na medida do possível, ao contrário do que meu avô queria, fiz algo focado na área social.
Devo dizer que agora que estou chegando à sede da Advocacia Mansur, estou cada vez mais nervosa porque ninguém sabe que estou de volta, apenas meu irmão e ele acha que estou apenas de passagem para matar a saudade, quando na verdade voltei de vez. O senhor Mansur queria que fizesse um doutorado, mas para mim já deu, quero ir atrás dos meus sonhos, matar a saudade dos meus amigos, das minhas crianças, em resumo, da minha verdadeira vida.
_ Chegamos senhorita.
_ Agradeço, aqui está e pode ficar com o troco.
Entro no prédio da minha família, tento passar despercebida usando minha digital nas catracas, mas falho miseravelmente quando sou cumprimentada pela recepcionista.
_ Senhorita Mansur.
Faço o máximo para não fazer uma careta pelo uso do meu último sobrenome, prefiro passar despercebida usando o de mamãe, Oliveira, que não carrega o peso de todo interesse e do tratamento especial que o pomposo Mansur causar.
_ Deseja que avise de sua chegada?
_ Avise ao meu irmão, mas espere um tempo, antes quero fazer uma supresa ao vovô e não quero que nada estrague isso.
_ Entendo, vou fazer como a senhorita deseja e bem-vinda de volta.
_ Obrigada.
Me encaminho ao elevador, espero-o e entro, mas quando ele já está se fechando vejo uma senhora se aproximar, logo intercepto as porta para que ela entre.
_ Eu agradeço querida.
_ Por nada senhora.
Não sou tão simpática com ela quanto gostaria de ser graças a minha ansiedade. Ela logo parece notar e pergunta.
_ Nervosa com algo?
_ Sim, estou prestes a ter uma conversa difícil.
_ Boa sorte e fique tranquila, tudo irá se resolver.
O elevador se abra e ela sai no andar inferior ao que me direciono, no andar que pretendo vir logo após essa conversa. Logo chego ao último andar, o andar da presidência. Sou recebida com a cara de surpresa da secretaria do todo poderoso Gregory Mansur.
_ Senhorita Mansur, você tinha algum horário marcado?
_ Não, mas eu poderia falar com meu avô? Ele está ocupado?
_ Pode sim, me desculpe a indiscrição, é claro que você não precisa de horário marcado.
_ Sem problema, tem alguém na sala agora ou ele está em reunião?
_ Não, ele pode te receber, só um minuto, vou avisa-lo.
_ Se não se importa, não quero que avise, vou surpreende-lo.
_ Claro, tudo bem senhorita.
Seguro o suspiro, acho desnecessário esse tipo de tratamento, mas deixo pra lá, afinal são regras da empresa.
Paro na frente da porta, respiro fundo pedindo aos céus que me ajudem nessa conversa e só então toco na porta
_ Pode entrar, até onde sei não tem nada marcado na minha agenda agora...
_ Vô, sou eu.
Só depois de ouvir minha voz ele olha na cara de com quem está falando. Sua expressão mudo rapidamente de sem emoção para choque, para logo em seguida vir a desconfiança e indignação.
_ Helena? O que está fazendo aqui?
_ Vim te ver no seu trabalho.
_ Para de enrolar, estou perguntando o que está fazendo na cidade, ou melhor, no país?
_ O mestrado acabou.
_ Mas até onde sei, o doutorado não.
_ Nem começou na verdade, mesmo que fosse fazer ainda teria um período de recesso.
Resolvo contar logo de cara, sem enrolação pois não faz o estilo do vovô, muito sem paciência. E é então que ganho 100% da sua atenção.
_ A que ótimo, veio relaxar e descansar nesse intervalo... espera, você se? Eu entendi direito? Está insinuando que não vai continuar.
_ É isso mesmo que quis dizer, acabou.
_ Você está louca, é claro que não acabou, de onde tirou essa ideia maluca, absurda. Você tem que continuar seu estudos em direito civil, tem que estar totalmente preparada para assumir seu cargo na empresa. Você vai voltar e acabar.
_ Vovô me desculpa, mas não vou, o que fiz já é suficiente no que quero trabalhar.
_ E no qu pretende trabalhar? Aqui na empresa não espero nada menos que o melhor.
_ Eu não vou trabalhar aqui, vou seguir na área que sempre sonhei.
_ E o que você pretende fazer? Sonhou? Não me diga que ainda não tirou aquela ideia estúpida da cabeça de trabalhar com órfãos. E o que o mestrado que você fez tem haver com isso, vai simplesmente joga-lo fora?
_ Na verdade ei fiz o mestrado na area social, e sim, vou trabalhar com crianças.
_ Pelo amor de Deus, você enlouqueceu, e você vai viver de que? Vai viver na miséria como eles?
_ Para de insulta-los sem conhecer, e vou fazer uma concurso para ser advogada do conselho tutelar e vou continuar ajudando com as crianças.
_ Era só o que me faltava, já não bastava seu pai ter caridade ficando com sua mãe, agora me vem você. Tem mesmo sangue dela.
_ Não ouse falar dos meus pais, e tenho mesmo o sangue de minha mãe, e me orgulho muito desse sangue honesto, humilde, cheio de compaixão. Não tem apenas seu sangue, como deseja, esse que é cheio de prepotência, orgulho, ganância e egoísmo.
Saio da sala correndo e esgotada, tudo que quero é o colo do meu irmão mais velho, já que não mais o dos meus pais.
PV Oliver
Os dias tem passado rápido desde a ideia mirabolante de Eleonor, devo ressaltar que não me agrada nada essa situação, mas o que essa mulher não pede chorando que eu não faço sorrindo.
Com a rapidez dos dias, chegou-se o dia de sua vinda para cá, ela vem acompanhada de minha esposa e filha, e sei que a presença de Sophie é toda pelo medo de como vou tratar a menina. Mas é claro que não viu trata-la mal, não sou um monstro, só não esperem que a trate como uma princesa ou cheia de bajulação. Eu a aceitei em casa,mas não pretendo me aproximar e cria laços.
Estou apreciando a vista do lago ao fundo de nossa propriedade, quando escuto elas chegando em casa, me viro e deparo com uma menina visualmente nervosa, mexendo na mãos e admirando o chão. Mas logo Sophie se manifesta.
_Pai, tira essa carranca do rosto, está assustando a menina.
_ Meu bem, essa é Annabeth e Hope querida, esse é meu marido Oliver.
_ Seja bem vinda.
Limito a dizer isso, afinal nem vi a menina direito. Já estou prestes a me virar quando a menina resolve levantar os olhos e o que vejo me pega e me deixa completamente atordoado.
Conheço esses olhos, não é possível, eles são idênticos aos dele. Não pode ser verdade, é como se eu entrasse num túnel do tempo, estão vindo em minhas cabeça várias memórias do meus filho enquanto crianças, dele principalmente, brincando, rindo, se divertindo. Como podem ser tão parecidos?
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Sob um novo olhar
Fiksi RemajaAnnabeth Hope é uma menina que cresceu em um orfanato, que mesmo que todas circunstâncias estivesse contra ela, pois desde cedo sofreu muito, filha de uma viciada, nao conheceu seu pai e sempre foi alvo das chacotas. Todavia, ela tornou-se uma garot...
