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Klaus on

- Eu te odeio - ela falou e saiu correndo da sala.

Eu nunca fui muito bom em palavras ou para me expressar em geral. Minha solução sempre foi matar ou só ameaçar. Mas estávamos falando da minha filha perdida, eu achava que eu teria uma chance com ela, de evitar dar mais problemas para todos a minha volta.

Eu nunca quis ser odiado. Calma, risca isso, eu quis ser odiado, mas não pela minha família, e saber que a menina que eu não pude segurar quando era pequena ou ajudar ela com trabalhos, me odeia, eu não sei o que pensar.

- Niklaus - Elijah me chama.

Olho para frente e todos me encaravam, pessoas que nem minha família são presenciaram essa cena. Hope ainda estava processando o que acabou de acontecer. Freya me olhava e não entendia o porquê de Ayla ter falado aquilo.

- Nik - Rebekah falou se aproximando - você tá bem?

- Hum, sim - eu falei depois de um tempo.

- Ótimo - ela falou - O que você tinha na cabeça? Quer ser o monstro para a sua filha também, assim como você é para toda Nova Orleans?

- Rebekah - Elijah falou mas foi interrompido.

- Não, Eli, deixa eu continuar - ela disse olhando para ele - Me desculpa se eu não vou concordar com você, Nik. Mas a menina tem razão. Acorda, nem tudo gira ao seu redor.

- Ah, claro - Eu comecei a falar - Falou a mulher que só faz as coisas se ganhar algo em troca, não estou certo, Bekah?

- Cala a boca, Klaus - Ela falou.

- Chega! - Hope gritou - Chega, por favor.

Todos olhamos para ela, Hope estava muito quieta desde que descobriu que tudo que acontecia com a irmã poderia acontecer com ela, e desde quando ela recebeu a marca.

- Vocês não percebem? - ela falou - Pai, você literalmente está fazendo com que a Ly fique presa aqui, ela não tem contato com ninguém, ninguém pelo menos que era da vida antiga dela, como você acha que ela se sente? Ela é meio explosiva e não sabe como reagir, e você sabe disso, pai. Mas o que você falou, você acha isso justo? Eu sei que ela falou uns negócios bem ruins, mas não se fala isso para uma filha que você não criou laços.

Ela parou de falar e olhou para gente. Ela estava certa, nós dois estávamos errados. Ela olha para todos na sala para ver se eles concordavam.

- Agora eu tenho que ir - ela falou - procurar a Ly para ter certeza de que ela não vai matar ninguém ou ser sequestrada de novo.

Ela sai da sala sem fazer algum escândalo como bater à porta ou gritar depois que sair, ela simplesmente sai correndo para ir atrás da irmã, o que eu também deveria estar fazendo.

Olho para todos na sala, Rebekah não olhava para mim, assim como Elijah, Hayley já tinha saído para procurar Ayla, quase um instante depois que Ayla saiu. Alaric, Caroline e suas filhas saíram depois de Hope, as meninas para as aulas e os dois para a diretoria. Kol e Freya estavam atrás de mim e antes que os dois saíssem, Freya me abraçou e Kol deu dois tapinhas no meu ombro.

Ficou eu e os dois outros originais. Olho para eles que ainda me evitavam, os dois quietos e perdidos nos pensamentos. Vou para porta mas sou parado por um voz.

- Eu só quero que você entenda, Nik, que as suas filhas nem sempre vão obedecer o que você fala.

Eu fecho a porta e deixo os dois lá dentro. Eu até iria procurar Ayla, mas ela parece não querer falar comigo, pelo menos, não agora.

Ayla on

Não sei até onde eu fui, ou que horas eram. Só sei que estava escuro, eu estava sem celular, exausta e perdida. Tava tudo certo mesmo. Me sentei num toco de árvore que estava ali e ouço um barulho vindo atrás de mim.

- Quem está aí? - eu perguntei, mesmo que eu talvez estivesse falando sozinha, ou poderia ser um animal.

Ouço o barulho de novo e levanto. Fui andando até o suposto barulho e vejo Josie atrás do arbusto.

- O que você tá fazendo aqui? - Eu perguntei.

- Eu podia estar fazendo a mesma pergunta - Ela respondeu - Porém, eu vou te responder, tem uma casa por aqui que o grupo geralmente se encontra e eu sei que não ia ter ninguém lá e eu to indo para lá se quiser ir comigo.

- Hum - penso, é melhor ir com ela do que ficar no escuro no meio de uma floresta - Tá bom.

Fomos até essa casa em silêncio, e o máximo era uma olhar para a outra. Ela era mais alta do que eu, não muito, mas se ela me abraçasse, a minha cabeça encaixaria no seu pescoço.

- Por que você fugiu? - ela me perguntou.

- Eu precisa esfriar a cabeça - eu disse - Eu não sabia que tinha poderes e eu não sei do que sou capaz de fazer se eu perder a cabeça, imagina uma doida com poderes descontrolados.

- Verdade - ela falou e deu uma risada - Minha irmã e eu somos meio assim. Fazemos tudo pela impulsividade, juro. Ela melhorou, enquanto eu piorei. As vezes eu também preciso sair para poder respirar.

Chegamos na casa, e ela abriu a porta. Assim que a porta fechou começou a chover. Ela faz um negócio com as mãos e temos luz na casa, tinha umas plantas espalhadas, a parede arranhada.

- Tá meio desorganizado, mas sempre foi assim - ela falou e se sentou no chão. - Então, me conte sobre a sua vida antes disso - ela fala e gesticula as mãos em círculos.

- Bom - eu comecei - Era calma até, eu era uma criança de orfanato, vivi em várias casas, até me fixar em uma, a dos Gomes, eles eram pessoas bem legais, mas agora eu já não sei. Mas enfim, eu morava em Nova York e com eles eu fui para Mystic Falls, me tornei amiga da Clary, que é fanática por qualquer coisa sobrenatural, juro ela estaria pirando nesse momento. - eu paro e riu da minha amiga que nem estava aqui - e eu tinha tudo, uma família que me amava, amigos que me faziam bem, e num piscar de olhos tudo foi levado. Entende?

- Não, me desculpa, mas eu não te entendo - ela respondeu - Mas pensa que você pelo menos tem memórias com eles, você conseguiu falar com a Clary no final e eu tenho certeza de que seu pai vai entender.

- O problema é que eu não quero ser a mesma pessoa que eu era - eu disse - eu não quero que ele entenda, eu quero, mas não do jeito que você ache. Eu não queria estar aqui, eu queria ter ido para Nova York com a Clary, eu não queria saber que tudo que eu e a Clary pesquisávamos era verdade, eu quero que ele entenda que eu preciso ter um tempo para entender tudo que está acontecendo, e que eu não vou conseguir deter essa pessoa que está querendo matar todos nós. Entende?

- Eu entendo - ouço uma voz vindo da porta.

A mikaelson perdidaOnde histórias criam vida. Descubra agora