POV. Miguel
Era sexta-feira de madrugada. Eu estava sozinho no apartamento de Daniel. Ele ainda não havia voltado de sua viagem à São Paulo, mas pelo o que havia dito voltaria com grandes novidades.
Fiquei deitado no sofá da sala assistindo a um documentário sobre a Indonésia, falando sobre animais, plantas e mais alguma que eu não me lembro porque caí no sono.
Despertei com meu celular tocando. Tateei na mesa de centro até encontrá-lo. Esfreguei meus olhos para me acostumar a claridade e o nome de Carolina aparecia na tela. Arregalei os olhos, levantando do sofá. Olhei rapidamente para o relógio na parede. 2:15. Meu coração acelerou de preocupação e atendi rapidamente o celular.
- Alô? Carol? Tá tudo bem? Aconteceu alguma coisa? - atendi preocupado e disparei as perguntas.
- Oi, Miguel. Desculpa ter te acordado. Não aconteceu nada. Fica calmo. - ela disse, tentando me tranquilizar.
- Graças a Deus. - falei, respirando aliviado, mas notei que havia algo de errado em sua voz. Sentei novamente no sofá e passei nervoso a mão pelo cabelo. - O que aconteceu pra ligar?- perguntei, curioso para saber o motivo da ligação. Ela podia me ligar quando ela quisesse para falar sobre qualquer coisa, mas eu sabia que tinha algo errado.
- Eu e Luísa discutimos hoje. - ela disse depois de hesitar.
- Discutiram sobre o quê?
- Ela saiu depois do curso de inglês e não me avisou nada. Fora que saiu com amigos que a gente nem conhece.
- Outros amigos? - perguntei estranhando. Luísa costumava a falar sobre os seus amigos para a gente. Até quando fazia novas amizades.
- Sim. Depois eu e ela começamos a discutir e não foi nada legal...Ela não está sabendo lidar com a nossa separação. Ela não quer aceitar que é hora da gente seguir em frente.- ela respondeu e suspirou.
Carolina deu uma pausa e fiquei esperando se ela me contaria sobre essa saída dela com Rodrigo, apesar de eu saber o que havia acontecido por conta do Facebook. Acho que ela não quer ficar compartilhando isso comigo. Pelo menos não dói tanto igual ouvir da boca dela que ela estava saindo com outro cara.
- A gente falou coisas tão feias uma pra outra. Na hora da raiva dei um tapa no rosto dela, Miguel! - arregalei os olhos, chocado. Percebi a voz de Carolina estava começando a falhar. Ela devia estar segurando o choro. - Eu tô me sentindo muito culpada, Miguel. Eu não queria ter feito isso.
Carolina não era uma pessoa que chorava com facilidade, mas eu sei muito bem o que a destroçava por dentro, assim também como a mim: nossos filhos se machucarem ou se magoarem.
Lembro de quando Luísa era pequena e havia aprendido a rolar pela nossa cama sem parar. Tínhamos que ter sempre nossos olhos sobre ela, mas uma vez Carol se distraiu, como poderia ter acontecido com qualquer um, e nossa filha caiu da cama. Ela não se machucou muito, acho que o susto foi maior que a dor, mas Carolina ficou um bom tempo se culpando.
- Eu sei, Carol. - falei tentando acalmá-la. -Nós somos pais, mas também somos humanos. A gente erra como todo mundo...
- Mas eu entendo ela. Ela tem o direito de não se sentir bem com isso. Ela não merecia o tapa e nem nada disso. Nada dessa situação... - ela falou e sei que devia estar pensando em todo o sofrimento que teve com separação dos pais.
- Eu sei, mas vai ficar tudo bem. - tentei amenizar a situação. Eu queria dizer que a solução era simples, bastava que voltássemos. Quem me dera que fosse tão simples assim. Eu não queria pertubá-la de madrugada com isso. Ela já estava chateada. - Vamos fazer o seguinte: amanhã eu passo aí e levo as crianças para passear e converso um pouco com a Luísa. Ok?
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Saber Amar
RomanceO amor não basta para sustentar uma relação. Miguel aprendeu isso quando já tinha idade, quando talvez fosse tarde demais... O famoso "último dos românticos", Miguel acreditava muito bem na existência do amor da sua vida e que encontrou-o por acaso...