Capítulo 30

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Pov. Day

Estou cansada, não consigo dormir direito por causa das lembranças do acidente. Carol comprou um remédio para me fazer dormir, mas não posso tomar antes de saber o diagnóstico que a neuropsicóloga passou.

- Sérgio está vindo. - Carol avisou e levantei da cama indo até à sala.

- Já temos 28 anos, por que sempre passam o diagnóstico para ele primeiro?

- Me respeita que eu tenho 27 anos. - riu e sentei ao seu lado no sofá. - Sérgio é médico e entende mais do assunto, sempre fez questão de cuidar dessa parte quando se trata de nós três.

- Nós três?

- Eu, você e o mundo. - a encarei confusa e ela riu. - Eu, você e o Vitão.

- Entendi. - deitei minha cabeça em seu ombro. - Desculpa por não ter deixado você dormir.

- Não é culpa sua.

- Tudo bem. - suspirei e alguém bateu na porta.

Carol levantou para abrir a porta e cumprimentou Sérgio com um abraço.

- Bom dia, Day. - Sérgio me abraçou.

- Bom dia, tio. - sorri.

- Quer um café? Acabei de fazer. - Carol ofereceu indo até à cozinha.

- Quero sim, querida. - sorriu sentando ao meu lado. - Parecia bem ontem, o que aconteceu?

- Não consigo dormir. - reclamei e Carol entregou uma xícara de café para ele.

- Eu trouxe as coisas que a neuropsicóloga me passou. Como você me contou tudo ontem, já entendi o porquê disso. - falou abrindo uma pasta e Carol sentou do meu outro lado. - Você está com Transtorno de Estresse Agudo. É normal ter flashbacks do acidente e não conseguir dormir. Tudo que você precisa fazer é descansar e evitar ao máximo entrar no carro para que não fique ainda mais ansiosa ou estressada. Esse transtorno dura cerca de um mês, se passar disso o diagnóstico mudará automaticamente para Transtorno de Estresse Pós-traumático que é algo mais complexo e sério. Tenho certeza que não chegaremos a esse diagnóstico, certo? - olhou para a Carol.

- Estou cuidando muito bem dela, Sérgio.

- Verdade. - concordei. - Ela ficou a noite toda acordada comigo.

- Enfim, você pode tomar o remédio que quiser e espero que se recupere logo. - Sérgio fechou a pasta. - Preciso ir agora.

- Obrigada por vir. - Carol falou levantando do sofá e acompanhando Sérgio até a porta.

- Tchau, Day. - me deu um beijo na testa. - Vejo vocês na premiação.

- Até lá. - Carol acenou e ele saiu.

- Que premiação? - perguntei confusa e ela sorriu abertamente.

- Sua gravadora ganhou o prêmio de melhor gravadora da América Latina. Vitão disse que ele receberá o prêmio no seu lugar, mas na verdade, nós estaremos lá de surpresa e vamos anunciar que voltamos.

- Mas todo mundo já sabe, não é?

- Tudo se trata de marketing, meu amor. Precisamos de algo mais polêmico que um vídeo da gente se pegando na internet.

- Não vejo motivos, mas tudo bem. - dei de ombros a fazendo rir.

- Deita lá que vou te dar o remédio. - falou pegando a sacola da farmácia.

- Não aguento mais ficar no quarto. - resmunguei.

- Vou trazer o travesseiro e você deita aí mesmo então. - me entregou o remédio e logo tomei.

- Obrigada. - agradeci pelo travesseiro e ela apenas assentiu sentando na mesa com o notebook.

Fechei os olhos sentindo meus músculos relaxaram. Acabei pegando no sono e quando acordei Carol não estava mais na sala. Agradeci mentalmente por ter conseguido dormir um pouco e levantei. Fui até o quarto guardar o travesseiro e trocar de blusa já que suei um pouco.

- Deixei um sanduíche no micro-ondas para você. - Carol falou assim que me viu.

- Eu quero um beijo. - tirei minha blusa procurando uma mais confortável.

- Vem cá pegar. - fui até ela e tirei o notebook do seu colo. A puxei para um beijo rápido e finalizei com uma mordida no seu lábio inferior apenas para provocar. - Vai colocar uma blusa antes que eu tire o resto. - sorriu me dando um selinho.

Vesti uma blusa qualquer e deitei ao lado de Carol que já estava com o notebook no colo novamente.

- Sabia que você fez um vlog de casamento? - riu. - Eu achei a ideia ridícula, mas você insistiu tanto.

- Como assim? - deitei minha cabeça em seu ombro.

- Acho que é esse aqui. - ela clicou em uma pasta e eu apareci na tela:

- Olá, gente. Eu sou a Day e essa aqui é minha noiva. - eu falava animada enquanto Carol fazia a maquiagem no fundo. O cabelo dela estava gigante.

- Não acredito que você realmente está fazendo isso. Estamos atrasadas para contar para o meu pai.

- Se apresente pelo menos, poxa.

- Olá, meu nome é Carol e estamos atrasadas. Tchau! - o vídeo acabou do nada.

Carol então clicou em outro vídeo.

- Oie, gente. Estamos indo para a casa do meu sogro para decidir algumas coisas do casamento e vou levar vocês juntos comigo. - falei sorrindo para a câmera.

O vídeo corta e aparece em outro lugar.

- Estamos aqui na casa dos pais da Carol e agora ela está brava porque não sabe qual penteado usar no casamento.

- Eu disse que ela não seria uma menina fácil. Não aceito mais devoluções, hein? - o pai de Carol aparece na tela me fazendo sorrir.

- Amor, você vai usar aquele penteado mesmo? - Carol grita ao fundo e eu viro a câmara para ela.

- Sim, aquela da primeira revista. Dona Rose, aparece aqui. - grito e logo a mãe da Carol aparece.

- Não sabia que estava gravando. Vão mostrar no dia do casamento?

- Eu queria, mas Carol não gostou da ideia. - falei fingindo estar chateada.

- Dayane, vem escolher o vestido logo! - Carol grita e eu desligo a câmera rapidamente.

Carol começou a mexer um pouco na pasta até achar outro vídeo.

- Não lembro desse vídeo. - falou apontando para a tela.

- Clica logo. - pedi ansiosa.

Ela riu e fez o que eu pedi. Apareci na tela com um olhar perdido e eu com certeza tinha chorado antes de ligar a câmera.

- Estou encerrando o vlog do casamento porque a Carol desistiu, ela não quer mais se casar comigo. Vocês nem conheceram meu amigo Vitão ainda. - sorri fraco. - Quer saber? Estou com ela há quatro anos e meio, isso é muito para desistirmos agora. Vou atrás dela amanhã, mas se não der certo, eu viro youtuber ou blogueira, talvez os dois. - falei meio enrolada e ri. - Fui!

O vídeo foi encerrado.

- Isso foi quando meu pai morreu. - Carol falou enquanto passava por vídeos aleatórios. - Caralho, não acredito. - clicou em um vídeo.

- Olá, baby. Hoje faz um ano que estamos casadas e infelizmente estou longe de você. Eu até poderia mandar uma carta, mas iria demorar um pouquinho para chegar. - ri e meu celular começou a apitar. - Olha só você aqui me mandando figurinhas. - mostrei a tela do celular. - Aconteceu tanta coisa nesse último ano. Você passou por muita coisa, mas anda feliz ultimamente e agradeço muito a Deus por isso. Conseguimos comprar um apartamento melhor aí em São Paulo e estou aqui fazendo de tudo para montar minha gravadora. Logo você termina a faculdade e vai fazer algo que gosta também. Enfim, obrigada por ser a melhor mulher do mundo mesmo tendo momentos que você não pense isso. Te amo muito, muito, muito. Estou com saudade, ruiva. -  mandei um beijo e desliguei a câmera.

Carol estava chorando ao meu lado. Fechei o notebook e coloquei na mesinha ao lado da minha cama. Puxei minha mulher para um abraço apertado.

- Eu não lembrava daquele vídeo. Nesse mesmo fim de semana você chegou feliz da vida porque conseguiu um estúdio para começar do zero com a gravadora. Foram dois anos até isso realmente dar certo e você conseguiu, baby. - falou me abraçando forte. - Tanto que receberá o prêmio da gravadora da América Latina. Esse era um dos seus maiores sonhos, ser boa o suficiente para ganhar um prêmio.

- Tenho certeza que você sempre me apoiou em tudo e agradeço por isso. - fiz um carinho em seus cachos.

O capítulo ficou curto, mas vocês que lutem porque eu cansei de lutar bjo

Acho que posso falar que estamos na reta final da fic

Obrigada por ler e até logo ♡

Flashback - DayrolOnde histórias criam vida. Descubra agora