Capítulo 24

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Pov. Day

Estou sentada no sofá esperando Carol terminar de lavar a louça.

- Podemos conversar? - perguntei assim que ela apareceu na minha frente.

- Claro. - sorriu sentando ao meu lado.

- Desde que acordei venho lembrando de algumas coisas. - ela me encarou confusa. - Em um dos meus primeiros dias aqui, eu simplesmente olhei para a parede e vi a gente se pegando. Isso já aconteceu várias vezes, na verdade.

- Por que não me contou, Day?

- Fiquei com vergonha. Se coloca no meu lugar, eu estava morando com minha melhor amiga. - fiz aspas com os dedos. - E imaginando coisas completamente erradas.

- Eu teria falado a verdade se soubesse disso. - me encarou irritada.

- Que cara é essa? Isso tudo aqui é culpa sua. Você quem deveria ter falado a verdade desde o início.

- Tudo bem, já entendi. - levantou as mãos em rendição.

- Enfim, a psicóloga falou que temos uma forte conexão no sexo, então essas memórias ficaram presentes no meu cérebro.

- Realmente, a gente transando é surreal. - sorriu maliciosa.

- Boba. - ri. - Conversei com o Sérgio ontem. - comentei me ajeitando no sofá.

- Lá vem. - ela revirou os olhos e deitou no meu colo.

- Ele me falou que preciso me esforçar para lembrar das coisas agora. Também conversamos sobre uma terapia diferente, mas ele disse que você não iria gostar da ideia. 

- Por quê? - perguntou confusa e levei minhas mãos até seus cachos fazendo um leve carinho.

- Hipnose. - bastou eu falar isso para Carol sair do meu colo.

- Nem pensar, Dayane. Vou te apoiar em qualquer coisa, menos nisso. - ela falou em pé na minha frente.

- Carol, para de ser a do contra. Eu quero recuperar minha memória logo e vou fazer isso sim.

- Então eu te dou a porra do divórcio. - me encarou irritada e correu para o nosso quarto me fazendo levantar.

- Conversa comigo, Caroline. - bati na porta do quarto. Não acredito que ela trancou a porta e a chave reserva não está na gaveta. - Por que você age como se eu fosse a errada aqui? Eu só quero voltar ao normal para ver você bem.

Silêncio. Tudo que escuto é o silêncio, o que é bizarro porque ninguém ouve o silêncio. Isso dói, ela não tem o direito de fazer isso comigo.

- Carol, me diz o que você quer. As vezes acho que nem casadas deveríamos estar mesmo, parece que você não faz questão de ter um relacionamento comigo. - senti as lágrimas escorrerem pelo meu rosto. - Quer saber? Vai se ferrar! Você tem sido uma babaca comigo desde o início e eu sempre fico aqui que nem uma trouxa. - dei um soco na porta do quarto.

Caminhei até o banheiro e me tranquei no mesmo. Estou cansada de tudo isso, entendo que Carol tem os problemas dela, mas aguentar isso já é demais para mim.

- Vem cá, baby. - ouvi a voz da Carol no outro lado da porta.

- Não quero falar com você.

- Tenho a chave reserva aqui comigo. - falou me fazendo revirar os olhos. Saí do banheiro e fui até o quarto me jogando na cama, nem olhei para a cara dela.

- Desculpa, eu não queria ter falado aquilo. - ela deitou na cama e afundei minha cara no travesseiro.

- Não aguento mais ouvir sua voz. Me deixa quieta, por favor. - pedi e a ouvi suspirar baixinho.

Flashback - DayrolOnde histórias criam vida. Descubra agora