0.2 capitão

14.3K 1.4K 1.4K
                                        

Mia Berner

Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.

Mia Berner

Os dias para o funeral haviam se passado, essa seria finalmente a data em que velaria o seu irmão. Tentou sempre manter a mente ocupada cuidando das crianças e freiras do orfanato, mas a lembrança do seu ente querido sempre soprava em sua cabeça. 

Havia pedido a tarde de folga para a Madre superiora, porém antes de sair do orfanato recolheu um punhado de flores para depositar no túmulos dos soldados falecidos. Mesmo não os conhecendo, também sentia empatia pelos homens que morreram ao lado do seu irmão em busca da liberdade. Todos eles mereciam flores e carinho de alguém, nem que fosse de  uma desconhecida.

Já era próximo ao fim da tarde quando a loira chegou ao cemitério de Trost, e o vento que lhe tocou a face só lhe trouxe desespero. Centenas de túmulos novos cercavam a área, como enfermeira do distrito, vinha ao cemitério com frequência para rezar pelas almas dos seus pacientes que já se foram, entretanto nunca havia visto tantos assim. Estavam extremamente próximos, como se não coubessem no terreno. Com toda certeza, a mulher não havia levado flores suficientes.

Depois de um momento, conseguiu achar o túmulo de Moblit Berner. Mia repousou a mão na grama verde, não havia sido cavada e não tinha nem a altura de uma criança de distância para os outros túmulos. Seu irmão não estava ali.

Depositou quase todas as flores no falso túmulo, deixando apenas uma entre seus dedos. Onde quer que ele estivesse, as boas coisas eram bem vindas, conhecia seu irmão afinal. Fechou os olhos e começou uma oração, segundos depois, sentiu uma mão em seu ombro.

- Mia-chan, eu sinto muito.

 Halpert parecia um pouco mais composto do que quando é visto frequentemente, seus olhos pareciam vermelhos e suas bochechas estavam coradas.

- Alguns homens da polícia militar também foram recrutados não né? Sinto muito pela morte dos seus companheiros, Halpert.

- Mob também era meu companheiro Mia! Ele era meu amigo!

Exclamou Halpert com lágrimas nos olhos, apesar de se afastarem, costumavam a ser amigos, podia sentir a dor nas suas palavras, mas ele já não era a mesma criança que era quando se conheceram. Entretanto conhecia sua dor, e dos dois, o homem a sua frente era o mais necessitado de um ombro amigo, porém Mia não seria esse ombro. 

- Está tudo bem Halpert, Moblit está bem agora.

Afagou a bochecha do velho amigo com uma das mãos, enxugou suas lágrimas e sorriu.

- Mia-chan, você vai ficar sozinha agora? 

Perguntou o homem a sua frente em meio a soluços, enquanto falava, Halpert inclinava o rosto em direção as mãos macias da loira. 

- Meu irmão era muito ocupado com as missões da tropa de exploração, já me viro sozinha com facilidade Halpert, mas agradeço a preocupação.

- S-sabe, se você pedisse eu poderia ficar na sua casa por um tem...

- Não Halpert.

Mia interrompeu-o, sabia onde essas conversas levavam e o que a mulher menos queria era se envolver com um homem como Halpert. Ele podia ser um bom homem, mas quando estava com seus companheiros da polícia militar nunca a tratava com respeito. 

- Mia eu... 

- Eu preciso ir Halpert, andar à noite por Trost não é muito seguro, obrigada mais uma vez pela preocupação.

Dito isso, Mia deixou o túmulo de Moblit sem olhar para trás, as coisas precisavam mudar agora. Não podia se prender ao passado, mesmo que ele fosse tão importante. Precisava ser forte pelas crianças e por si mesma. 

Enquanto andava pelos diversos túmulos, a loira olhava para os nomes nas estacas, haviam pequenas famílias aqui e ali, mas em um certo local se concentrava a maioria dos soldados que vieram para o cemitério. Em meio a pequena multidão estava Hanji Zoë, a superior de Moblit. Ela estava com uma faixa que lhe cobria metade da face, seu coração apertou por um momento assim que imaginou como estaria a face de seu irmão quando o mesmo faleceu. Balançou a cabeça para evitar tais pensamentos, não podia desabar, não ali, não agora. 

- MIA! É VOCÊ? 

A voz de Hanji ecoou pelos ouvidos de Mia, se sentiu aliviada, encontrar uma velha amiga seria muito confortante. Sentiu os braços de Hanji ao lado dos seus, ela estava chorando bastante pelo o olho que a loira ainda conseguia ver, deve estar sendo um dia bem mais difícil pra ela. 

- É um prazer ver você de novo Hanji-san, sinto muito que tenham que ser nessas circunstâncias.

- Eu nem sei o que dizer Mia, o Moblit, ele...

Viu o nariz da mulher escorrer e ela estava em soluços, estava sofrendo por Moblit também.

- Está tudo bem, não foi sua culpa, tenho certeza que o Mob está em um bom lugar agora Hanji-san.

A loira deu um pequeno sorriso, era um sorriso triste, mas era um conforto para Hanji, que chorou mais ainda no ombro de Mia. 

- Ei quatro-olhos, recomponha-se! 

Exclamou um soldado ao longe, era o mesmo que havia lhe dado a mensagem da morte de Moblit. E nesse mesmo momento decidiu que não gostava do sujeito, aqueles não eram modos adequados para um funeral e muito menos para lidar com alguém que perdeu um amigo querido. 

Os soldados já estavam se retirando, assim como eles, Hanji também precisava ir, segundo ela, precisava trocar seus curativos, aparentemente havia perdido um olho na batalha. Mia aproveitou a situação e a convidou para um chá na sua residência, para que assim pudessem conversar melhor, a soldado aceitou sem hesitação e se foi junto com os outros. 

Só restava ali o homem baixinho que foi rude com Hanji, passou os olhos por cima do túmulo que estava a frente dele. Era o túmulo de Erwin Smith. Seu irmão contara diversas histórias sobre o comandante da tropa de exploração, como ele queria sempre mais e mais, toda sua jornada em busca da razão por todos estarmos cercados pelas muralhas e o mundo lá fora, era perceptível a admiração nas palavras dele, com toda certeza era um bom líder. 

Passou a frente do homem de cabelos negros e abaixou-se perante o túmulo. Ao contrário do túmulo de Moblit, o de Erwin estava cavado, sem grama. O seu corpo estava ali. Depositou a única flor que tinha nas mãos no túmulo do comandante, deixando suas condolências, neste momento, sentiu olhos em suas costas. 

- Eu sinto muito pelo seu superior, espero que ele esteja descansando em paz agora.

Falou Mia, ainda virada para o túmulo, mas direcionando as palavras para o homem atrás dela. 

- Tenho certeza que está tendo mais paz do que teve em vida.  

Falou o homem atrás da moça, que se virou em surpresa. Com toda certeza, aquele era um homem rude, mas de certo modo, havia alguma melancolia no seu jeito, ele parecia triste desde que o viu na porta do orfanato. Mas por que ele parecia tão hostil naquele momento? 

Mia levantou-se e olhou nos olhos dele como se quisesse desvendar o que pensava, ele a olhava de volta, com algo que mais parecia com desprezo. Seus olhos pequenos se estreitavam com indiferença perante a mulher.

- Posso saber seu nome por gentileza?

Perguntou curiosa

- Por que isso importa? 

Com certeza, Mia não se daria bem com este homem.


Comeback | levi ackermanOnde histórias criam vida. Descubra agora