Levi ackerman
Depois de tudo o que passou, a última coisa que imaginava ter que fazer era virar garoto de recado. Levi Ackerman estava andando de residência em residência, para ir de encontro às famílias dos soldados que morreram na missão para selar a brecha da muralha Maria e estava cansado. Sua sorte (ou não) era que a maioria dos soldados não possuía família ou alguém para avisar. Morreriam e passariam despercebidos, cumprindo o papel que lhes foi dado sem ter algum reconhecimento.
Pensamentos como esse rondavam a mente do capitão a todo momento, era torturante saber de tudo o que aconteceu e voltar vivo para encontrar quem perdeu alguém. Apesar de ter perdido alguém também.
Todo a tropa de exploração estava abalada, Hanji saberia lidar melhor com pessoas do que o próprio Levi, mas ela mesma não estava em condições de se levantar do seu leito, muito menos sair andando pela cidade. Chegando no último destino de tantos, se deparou com uma casa maior, parecia mais uma república, entretanto era surpreendentemente bem cuidada. Olhou para a placa acima da porta e percebeu que era um orfanato.
Torceu o nariz por um instante, iria dar a notícia para uma freira ou algo do tipo? Pessoas religiosas julgavam a tropa de exploração a pouco tempo atrás e não estava com cabeça para aturar esse tipo no final da tarde. Suas pernas relutaram em dar meia volta, mas como soldado tinha que cumprir sua missão, por mais irritante que fosse.
Assim que deu um passo na escada que levava à porta de madeira antiga, a mesma se abriu revelando um garotinho moreno de olhos verdes.
- Mama! Mama! Um soldado da tropa! Um soldado da tropa!
Ao ver aquela cena Levi revirou os olhos e apenas ignorou, estava acostumado com tal coisa apesar da tropa de exploração ser tão julgada, essas situações eram sempre embaraçosas. O garoto continuava sorrindo pra ele chamando a tal "Mama", talvez essa seja a pessoa que deveria falar sobre Moblit Berner.
A porta se abriu um pouco mais e assim se revelou uma mulher um pouco menor que o capitão. Era loira e seus olhos eram extremamente azuis, seus cabelos estavam presos em um laço que juntava as duas tranças nas laterais de seus cabelos. Seu vestido branco e azul expôs o fato de não ser uma freira, provavelmente era essa mulher que o garoto chamava por Mama, pois estava agarrado na barra de seu vestido.
- Mama, Mama! Um soldado da tropa! Faz tempo que eles não vem né? A gente pode brincar com ele? Diz que pode Mama!
O garoto continuava puxando a barra do vestido da loira a sua frente e o capitão já estava começando a ficar confuso com a situação, e apesar de toda a euforia da criança a mulher continuava sorrindo para o garoto como se estivesse tudo bem. Se ela realmente era próxima à Moblit, sabia que não estava tudo bem.
- Temo que o soldado não tenha vindo para brincar Phill, poderia ir pra o jardim para que eu possa conversar com ele um minuto? Prometo que vamos brincar depois disso!
- Mas o soldado não pode brincar com a gente Mama? Por que?
- Ele não veio aqui pra isso Phill, mas quem sabe outra hora, ein?
A loira olhou para Levi com um sorriso sem dentes, esperançosa que ele entendesse o que ela estava tentando fazer, crianças realmente não são fáceis de lidar, mas preferia isso aos titãs que enfrentara a pouco.
- Obedeça a mulher garoto, ela irá voltar brevemente.
Falou Levi olhando para o garoto moreno à sua frente, os olhos dele brilharam somente de ouvir a voz do capitão.
- Sim senhor!
Disse o moreno baixinho e ao mesmo tempo colocou a mão fechada no peito esquerdo, imitando a continência dos soldados. Assim que fez isso, saiu marchando adentro da casa com passos rápidos. E essa com certeza foi a situação mais embaraçosa do dia inteiro.
- Se o Mob não está com o senhor, tenho ideia do que pode ter acontecido.
Assim que voltou seus olhos para a mulher loira novamente, seu sorriso simpático havia desaparecido, sua expressão era vazia, com somente algumas linhas de expressão ao lado de seus olhos azuis, parecia estar colocando força neles, por um segundo, Levi viu um vislumbre de lágrimas, porém logo seus cílios volumosos piscaram e elas pareciam já ter sumido.
- Moblit Berner, faleceu na missão para selar a muralha Maria, tenha fé que seus esforços não foram em vão e ele cumpriu o seu papel com a humanidade, sinto muito pela sua perda.
A frase já estava decorada na língua do capitão, já havia a dito diversas vezes nesse mesmo dia, mas todas tinham um peso em seu coração, mesmo que não percebesse, essa era a principal coisa que estava lhe deixando cansado.
- Entendo, tem alguma ideia de como aconteceu, senhor?
A voz da garota parecia tortuosa, havia dor nela, Levi podia sentir, mas assim como ele, a mulher parecia não querer transparecer seus sentimentos e ele respeitou isso.
- Eu não estava presente no momento, mas provavelmente foi causada por uma chuva de pedras feita pelo titã colossal, que mais tarde foi subjugado pelos nossos soldados.
- Hm, entendo.
A garota sem nome continuava olhando para baixo, seu olhar parecia vazio, nada que o soldado não tenha visto o dia todo.
- Dada a notícia, haverá um funeral daqui a alguns dias em respeito aos que se foram, como parente do Berner, a senhorita está convidada. Tenha uma boa tarde.
E assim, Levi desceu do degrau da escada onde havia parado e deu as costas para a loira que ainda estava parada na porta com a mão no peito. O vento soprou em seus cabelos loiros, levando também a lágrima que estava presa desde que o capitão havia chegado.
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Comeback | levi ackerman
FanfictieMia Berner, irmã de Moblit Berner, oficial executivo do quarto esquadrão de investigação regido por Hanji Zoë, é enfermeira em um orfanato no distrito de Trost. Depois da última missão da tropa de exploração, Levi Ackerman vai de encontro à Mia...
