0.3 quem é ele?

13.3K 1.3K 1.4K
                                        


Mia Berner

Ocupada em observar a histeria da senhorita Zoe, Mia estava longe de suspeitar que se tornaria um objeto de confissão para a décima quarta comandante da tropa de exploração. Se surpreendeu ao receber a notícia, comandante é um posto altíssimo, mas alguém como Hanji parecia perfeita para esse posto, nunca conheceu alguém tão fascinada pelo próprio trabalho como aquela mulher.

- Eu sinto tanta falta do Sonny e do Bean também Mia, por que tudo aconteceu tão rápido? - disse Hanji enquanto tomava a quinta xícara de chá - eu sinto que ainda havia tanto a descobrir com os dois, e estávamos tão perto.

- Tenho certeza que eram ótimos soldados senhorita Hanji, - disse Mia adicionando mais chá na xícara da mulher a sua frente, se sentiu mal por ainda estar em sua segunda xícara - as pessoas vem e vão isso é natural, só temos que lidar com isso.

- Eram titãs, Mia-chan. Eram titãs que eu estava pesquisando e mataram eles como se fossem nada. 

Mia não deu qualquer resposta, sem dúvidas Hanji era uma mulher excêntrica, o que não a impedia de ser alguém incrível para se conversar. A loira apenas concordou vivamente, gracejando durante um tempo sobre o pobre fim dos dois titãs injustiçados.

Haviam se passado duas semanas desde do velório e Mia ainda sentia seu coração apertado, esse sofrimento já estava cansativo, custara para ela admitir isso. Tinha que superar, por mais que fosse difícil. Seu irmão cumpriu seu papel e nada mais, é assim que vive um soldado. 

Por volta das cinco horas, onde já estavam escurecendo, Hanji precisava partir. A loira insistiu para conduzi-la até onde a mulher tinha combinado com o cocheiro. Sem dúvidas, um luxo de soldados de alta patente. 

A mulher aceitou facilmente, não parecia estar bem, Mia se perguntou se havia algo no chá de camomila que tinha servido, talvez Hanji estivesse apenas com sono, apesar de tudo era uma cena engraçada de se ver e com certeza era uma pessoa agradável de se estar.

Depois de andar algumas quadras chegaram onde a mulher deveria estar. Já estava escuro, mas Mia conhecia aquela região afinal e estranhamente, nesse certo dia não sentia medo de voltar para casa na penumbra da noite.

- Foi um prazer passar a tarde com você Mia-chan - disse Hanji - as pessoas da tropa não são tão amáveis quanto você, está um clima tenso lá ultimamente.

Uma vez que Hanji falou isso, se lembrou do rosto do homem que anunciara a morte de seu irmão. As feições duras e melancólicas daquele homem haviam se fixado em sua mente após o velório, provavelmente um consequência da má impressão que ele havia lhe causado. Mas mesmo depois de tudo, sentia uma estranha curiosidade sobre ele.

- Senhorita Hanji, espero não estar sendo muito invasiva com os assuntos militares, - disse Mia - mas um homem, pouco mais alto que eu veio me trazer a notícia da morte do meu irmão. Se não lhe for de muito incômodo, poderia me dizer quem é esta pessoa? 

- Mas com certeza esse baixinho é Levi Ackerman, sinto muito se ele foi grosso com você em algum momento, tenho certeza que foi. Inclusive tenho uma reunião com ele em alguns minutos. - a comandante olhou de relance para o relógio em seu pulso - Na verdade a reunião foi marcada para alguns minutos atrás, acho melhor eu me apressar, ele não é um homem paciente. 

Hanji subiu na pequena carruagem enquanto a loira se despedia com um aceno. Conhecia o nome daquele homem, de certeza que já ouviu em algum lugar. Nas conversas com Moblit talvez? Considerando o comportamento deve ser do tipo petulante, de certeza não agradável.

Andou em caminho a sua casa novamente, era uma fria noite de domingo, amanhã iria trabalhar novamente, apesar de tudo era sua tarefa que não a fazia se afogar em lenços de papel, tinha nas crianças uma esperança de que um dia tudo isso acabasse, tanta morte e tanto sangue já se viram dentro desses muros, desde de pequena sempre teve que lidar com cadáveres. 

Enquanto divagava pela noite, um calafrio lhe subiu a espinha, instintivamente Mia olhou para trás, mas não havia nada. Pensou ser o frio da noite lhe arrepiando a pele e apenas apressou o passo para voltar ao calor de sua casa.

O alerta da loira aumentou quando ela percebeu passos em suas costas, virou a rua para se distanciar. De certo era um cidadão comum não havia o que temer, entretanto, ao se virar viu uma sombra preta em seu encalço. 

Andou o mais rápido que pode, mas não correu, ainda sim poderia ser somente um cidadão comum andando a noite assim como ela. Virou mais uma esquina, para se certificar se precisava correr ou não, assim que olhou para cima, viu um muro em sua frente. Havia entrado em um beco.

- Não havia local melhor - falou a voz atrás de si - tenho certeza que a senhorita está querendo isso também, não é?

A loira olhou pra trás, e no mesmo momento congelou, se sentiu uma criança indefesa. A sua frente havia um homem, com certeza com o dobro da sua altura, ele vestia o uniforme da polícia militar e um sorriso ladino em seu rosto. Quis chorar, Mia conhecia essas feições, sabia o que ele queria fazer, mas lutara contra sua mente, sua casa não estava tão longe, se corresse o bastante conseguiria chegar. 

- Senhor policial, acho que cometi um engano no caminho de casa - disse a loira com um sussurro - poderia abrir caminho para que eu regresse por favor? 

O sorriso do homem alto se estendeu, e a passos lentos ele se aproximava, enquanto no mesmo ritmo, Mia andava para trás. 

- Eu sei onde você mora senhorita, vejo você todos os dias do bar - respondeu o policial - você a que não dá mole pra ninguém. Acha que só porque tem um rostinho bonito pode ignorar um homem como eu, mas agora você não parece nada orgulhosa, não é?

- E-Eu vou contar tudo para o Halpert senhor, me deixe passar agora!

O homem a sua frente deu um risada alta, fazendo a loira arregalar ainda mais os olhos.

- Aquele idiota é o primeiro que quer comer você lindinha, só não toma coragem. - Nesse momento Mia sentiu o muro em suas costas, não havia lugar para onde ir - Mas pode ficar tranquila que eu vou tomar coragem por ele. 

Nesse momento o encostou ambos os braços na parede atrás de Mia, estava a sua frente. As suas pernas tremiam, mas não podia entregar a sua honra agora, não para um homem como este. Em um movimento rápido, Mia acertou-lhe um chute entre as pernas e tentou sair da barreira que o homem corpulento criou. Ele urrou de dor e a loira se sentiu satisfeita, começou a correr mas sentiu um braço em sua cintura. 

- Eu adoro quando elas resistem sabia? - disse o policial em seu ouvido, a garota naquele momento teve suas pupilas diminuídas, em um curto espaço de tempo, foi jogada com violência contra a parede.

- SOCORRO! HALPERT, SOCORRO! - gritou Mia 

No mesmo momento a mão do homem foi de encontro a boca da loira, estava a calando e ninguém estava vindo, ninguém iria a ouvir.

- Relaxe e aproveite, vai acabar mais rápido assim - assim que o homem o falou, Mia fechou os olhos com força, sentindo as lágrimas escorrerem. 

Quando o homem começou a abaixar as alças de seu vestido, Mia caiu no solo. O homem havia a soltado de repente. Abriu os olhos e ele estava jogado no chão, tinha levado um soco no rosto que o derrubara. A fúria lhe subia os olhos, e aquele homem gigante parecia uma besta agora.

- Até suas bochechas dão nojo de socar seu merda.

Conhecia aquela voz, rapidamente Mia virou seu rosto para o lado, as lágrimas escorriam pela sua face e parte do seu colo estava a mostra. Levantou o olhar e era ele. 

- Levi?

Comeback | levi ackermanOnde histórias criam vida. Descubra agora