Mia Berner
Mia passou apenas uma noite instalada no quartel da tropa de exploração, mas sua visita foi o suficiente para a convencer que deveria imediatamente treinar seu pequeno senso de direção. As inúmeras portas que haviam naquela instalação a faziam ficar tonta, e impôs a si mesma a obrigação de permanecer em seu quarto até que lhe chamassem, porém não conseguia repousar de maneira alguma.
Dois meses haviam se passado desde do momento em que havia tido desentendimentos com a madre superiora do orfanato. O assunto entre elas havia se esgotado e apenas conversavam sobre tarefas obrigatórias. Não se ausentou de seus afazeres um dia sequer, mas em toda essa determinação havia um motivo, queria atender os soldados que partiram no dia de todo o desconforto que passara. Sentia que tinha uma obrigação com eles, por ter os conhecido um dia antes de sua partida e pelo seu irmão que tanto lutou ao lado da humanidade por todo esse tempo.
Foi pessoalmente ao quartel da tropa de exploração procurar ter conhecimento sobre como poderia ajudar quando eles regressassem. E aqui estava novamente, seus olhos estavam fixos no teto acima de si e tinha certeza que já havia passado das três da madrugada.
Sua mão estava suavemente repousada sobre a própria clavícula, que ficava exposta devido ao seu vestido de repouso. Suas alças lhe tocavam os ombros e seguiam até o começo de seus antebraços. Suas pernas permaneciam levemente reveladas pelo tamanho do mesmo, que terminava no fim de suas cochas, revelando sua pele branca.
Pensava incessantemente na possibilidade de não haver quem pudesse atender naquela manhã, sua mente não cansava de imaginar os piores cenários que podiam acontecer e seu coração bateu mais forte ao lembrar que a pessoa que esperava ver, pudesse não voltar. Fechou os olhos com força e os conservou assim. Estas agitadas reflexões prosseguiram torturando-a, até a manhã, quando ouviu o ruído da porta de madeira batendo.
Eles haviam cruzado os portões da cidade.
Trocou rapidamente de vestimentas e munida de uma maleta com os equipamentos necessários, seguiu até o local indicado, mas não sem antes se perder pelo menos duas vezes. Mia se recompôs a tempo de ver os médicos abrindo as portas que davam acesso a entrada e após uma pausa embaraçosa foi se juntar ao resto do corpo médico.
Em um curto espaço de tempo se permitiu soltar o ar que estava preso em seu peito, vários haviam regressado, apesar de ver sangue em praticamente todos os rostos, achou uma oportunidade para agradecer aos céus.
Mia não ficou muito tempo contemplando silenciosamente a vitória sob seus pensamentos negativos e se pôs logo a focar na localização de alguém que estivesse inconsciente, pois eram a prioridade no atendimento de urgência. Deu um pequeno salto ao ouvir seu nome ser chamado por uma voz conhecida. Virou-se em direção ao som e lá estava o soldado que a havia recebido na primeira vez que entrou naquele lugar.
Envergonhou-se levemente por não lembrar de seu nome.
Chegando na carroça em que o homem estava, todos se levantaram deixando caminho livre para que o corpo do garoto no meio da charrete fosse examinado. O moreno que havia a chamado prontamente ofereceu sua mão para que a loira subisse na charrete de madeira, lhe agradeceu com um ligeiro sorriso e seguiu em direção a cabeça do soldado repousado.
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Comeback | levi ackerman
FanfictionMia Berner, irmã de Moblit Berner, oficial executivo do quarto esquadrão de investigação regido por Hanji Zoë, é enfermeira em um orfanato no distrito de Trost. Depois da última missão da tropa de exploração, Levi Ackerman vai de encontro à Mia...
