0.1 notícias parte 2

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Mia Berner

- Amém!!! 

Todas as crianças falaram em um único som com as mãos juntas, prontas para comer. Agarram seus pães e mergulharam na sopa, não era uma regalia nem uma comida luxuosa, era uma simples sopa de legumes e um pão seco de centeio na verdade, porém já era um grande alimento para crianças sem casa em um mundo tão sombrio.

Mia sorria apesar de tudo, tinha que manter a compostura em frente as freiras e as crianças. Assim que o soldado de cabelos negros chegou na sua porta, desacompanhado de seu irmão Moblit, sentiu o seu peito doer e suas pernas bambearam, mas estava em frente a Phill,  e uma criança que já sofreu tanto não deve saber dos males da morte tão cedo. Por isso Mia manteve seu sorriso e pediu, carinhosamente como sempre, que Phill se retirasse, e assim o vez assim que o homem a sua frente o mandou.

Ele não era tão alto quanto a maioria dos homens, mas parecia forte, seus braços marcavam o seu casaco, assim como os traços marcavam o rosto dele. Teve certeza que ele era algum tipo de nobre, mas não era esse seu interesse, queria saber o que havia acontecido, apesar de seu coração já ter previsto.

Aparentemente seu irmão morreu como um herói, participando da missão que subjugou o titã colossal, porém isso não acalmava as mãos da mulher que não paravam de tremer. A colher de sopa parecia dançar em sua mão, por isso comeu o mais rapidamente possível, para que ninguém notasse sua inquietação. 

Não poderia se deixar abalar, Mob não ficaria feliz com isso, Mob nunca quis a ver triste. Ocupar a mente era o objetivo da garota de olhos azuis agora. O funeral dos oficiais estava bem próximo pelo o que soube, seu irmão poderá descansar em paz, sabendo que ajudou diversas pessoas, inclusive Mia. Era isso que ela tentava por em sua cabeça, só isso. Um consolo, palavras que justificariam sua perda e que acalmariam seu coração

- Mama! Mama! Quando o soldado vai vir de novo? 

Perguntou o pequeno Phill, puxando a barra do vestido branco da loira, seus olhos verdes brilhantes passeavam pelo rosto de Mia, procurando um sinal de que o soldado que tanto admirava voltaria.

- Temo que ele não venha de novo querido, as notícias que ele veio trazer foram breves.

Disse Mia, levantando Phill em seus braços para leva-lo para a cama.

- Mas você disse que ele ia brincar com a gente Mama! Eu queria brincar de soldado com ele! 

- Soldados são ocupados Phill, não podem brincar com crianças, provavelmente ele está resolvendo coisas de soldado agora, não acha? 

Falou a loira, colocando o indicador no meio da testa no garoto moreno no seus braços, já estavam no quarto cheio de crianças em suas devidas camas, muitas delas ainda acordadas querendo brincar.

- Todo mundo na cama agora ou vou ter que chamar a Madre Jill!

Madre Jill era a Madre superiora do Orfanato onde Mia trabalhava como enfermeira, era uma mulher já idosa, porém com muito pulso firme, e de certo modo as crianças tinham medo dela e de suas punições. Por ser uma mulher muito severa acabou com má fama entre os pequenos. Deste modo, era só falar seu nome que as crianças deitavam em suas respectivas camas e se cobriam. Ainda era possível escutar uma risada aqui e ali, mas pareciam bem mais calmas, estavam cansadas afinal.

- Mama, eu quero ser soldado quando crescer! 

Falou o pequeno Phill já na sua cama e coberto até o pescoço, nesse momento o peito de Mia doeu e as lágrimas ameaçaram surgir em seus olhos, não podia perder mais ninguém, muito menos uma de suas valiosas crianças. 

- Você tem que pensar muito antes de uma decisão assim pequeno Phill, ser soldado requer muita responsabilidade.

- Mas eu tenho! Prometo que vou cuidar de todo mundo do orfanato, assim como você cuida da gente Mama!

O sorriso fraco de Mia se abriu novamente, assim como todas as crianças, Phill era puro e não conhecia outra maldade que não fosse a dos titãs. Selou um beijo na cabeça do menino e se direcionou à porta do orfanato para ir para sua casa.

- Moblit morreu não foi?  

Ouviu a voz atrás dela, no prédio já silencioso e escuro, era Madre Jill, como sempre ciente de todas as coisas.

- Sim, o funeral é em alguns dias Madre Jill.

Os lábios já enrugados da freira se apertaram, conhecia Moblit desde que era criança.

- Ele era um homem bom minha querida, espero que os deuses tenham o levado em paz 

- Tenho certeza que sim Madre, nossas orações estarão com ele a partir de agora. 

Falou Mia com um pequeno sorriso e os olhos fechados

- Vou ter que ir agora, chegarei amanhã cedo como sempre Madre, tenha uma boa noite!

- Uma boa noite minha querida, irei orar por você e por seu irmão.

Dito isso, Mia adentrou na escuridão da noite no distrito de Trost, sua casa não ficava muito longe dali, mas ainda sim, como polícia militar era pouco competente, precisava apressar o passo sempre que saía tarde do orfanato. Na esquina da pequena república onde morava havia um pequeno bar, perto de um beco que os soldados da polícia militar usavam para urinar e vomitar, mesmo sendo enfermeira, a cena era de longe uma das que mais lhe dava náuseas, principalmente por causa dos homens que frequentavam o bar.

- Mia-chaaaaaan, boa noite!

Falou o soldado Halpert, um homem que já havia dividido pão com ela e Moblit, entretanto havia se perdido em bebidas e sedentarismo mesmo sendo um soldado, não parecia nem de longe ter a mesma idade que Mia. 

A loira não respondeu ao homem, do mesmo jeito que fazia todas as noites, não aprovava o estilo de vida que ele levava, pois estava afundando a si mesmo. E como sempre seus amigos, também soldados, começaram a assobiar e soltar gritos obscenos, a voz irritada e manhosa de Halpert se ouvia ao fundo e mesmo esse assédio acontecendo todas as noites, a mulher não conseguia se acostumar com uma coisa tão desconfortável.

Subiu as escadas da pequena república, cumprimentando a pequena senhora que cuidava da portaria. Não era o lugar mais bonito do mundo e nem tinha a melhor vizinhança das muralhas, mas era o seu lar e fazia de tudo para o manter em bom estado. Como enfermeira, Mia gostava que todo seu pequeno alojamento estivesse em perfeitas condições, poeiras a incomodavam bastante, por isso sempre antes de sair de casa, a limpava por completo, para que assim que voltasse, pudesse dormir tranquilamente.

Porém, essa noite mesmo estando tudo em perfeita ordem, Mia não estava tranquila. Sentia o vazio no seu peito, mas engoliu o grito que lhe corroía a garganta. 

Tirou suas vestes e se dirigiu até seu leito, onde adormeceu pensando em seu irmão e em tudo que havia perdido até agora.

Comeback | levi ackermanOnde histórias criam vida. Descubra agora