12. deixe-me

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Mia Berner


Assim que abriu a porta da pequena sala, Mia tentou permanecer calma enquanto pôde. Tudo o que conseguiu sair de sua boca era um ar pesado e rápido.


- O que pensa que está fazendo? - disse Levi com um fina linha atravessada pouco abaixo de seu pulso. Em sua outra mão havia uma agulha ligada a linha em seu braço. Ele estava aplicando pontos em si mesmo.


- Tenho mil e uma razões para pensar mal do senhor, - disse a loira. - mas não vejo nenhum motivo para que me odeie a ponto de recusar meus cuidados e preferir fazer isso sozinho. Isso é um ato de capricho ou instabilidade senhor?


Ela fez uma pequena pausa e viu, com grande indignação, que ele a escutava ser nenhum remorso. Ele a olhava apenas com uma feição de descrença afetada. Sentia nele a mesma insolência de uma criança que se recusa a tomar um remédio. 


- Acaso nega tal petulância? - replicou ela.


- Não vou negar nada que fiz a você. Não é de seu interesse nada que eu faço e nem aqui você deveria estar, não estou falando apenas desta sala. 


Mia desdenhou mostrar que se afetou pela rudeza de sua afirmação, e seu sentido não lhe escapou, mas não era de sua natureza expôr fraqueza.


- Vai acabar com o resto de seu braço se continuar assim - disse Mia olhando para o ponto mal-feito, haviam outras feridas que seguiam pelo seu braço e não quis nem imaginar o estado do pulso que segurava a agulha. - Parece que está costurando um tecido, com todo respeito, mas esse é um trabalho patético, senhor. 


Levi abriu seus lábios por um instante mas os fechou novamente. Olhou para frente contrariado e apenas continuou sentado olhando para a linha que costurava em seu braço. 

Ao perceber que não ouviria nenhuma resposta para seu comentário atrevido pegou um pequeno banco entre as prateleiras e o posicionou a frente do soldado. Ele a olhava incrédulo de cima, pelo fato de sua cadeira ser mais elevada que o banquinho de Mia. A loira também estava espantada com a própria ação e nada disse durante um tempo. 

Após alguns minutos, sentiu uma mão aproximar-se de si. Nela estava a agulha de Levi, e não pode se impedir de sentir um embrulho estômago ao ver a pele dele esticada em sua direção. Arrastou seu banco para mais perto dele, que endireitou a própria coluna para afastar-se.


- Analgésicos, pomadas, linhas, gazes... Acho que o senhor está com mais de alguns arranhões no braço. - disse Mia olhando para o chão abaixo dos dois. Todos os medicamentos que ele havia pegado estavam cuidadosamente organizados em cima de um pano branco. A loira pegou a agulha oferecida por Levi, e assim que seus dedos roçaram nos dele, ela sentiu um pequeno arrepio em sua espinha. Olhou para cima para checar a reação de seu companheiro de sala, mas ele apenas estava com o rosto virado para o próprio braço. 


- Vamos ter que tirar essa linha daí, senhor. - continuou Mia. - A cicatrização será mais demorada se permanecer assim, além do senhor correr mais riscos de infecções.


- Você não é nenhum soldado, não precisa me chamar de senhor a cada dois segundos.


Comeback | levi ackermanOnde histórias criam vida. Descubra agora