Capítulo 66

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- Nathália Narrando -

A primeira vez que eu saí na rua depois do baile eu recebi tantos olhares que achei engraçado mas eu só segui a minha vida como se nada tivesse acontecido e realmente eu só tinha ficado uma pessoa. Hoje eu iria levar o Kauã pra fazer teste no Flamengo, o professor de educação física dele que me ajudou e eu só tive que levar ele.

- Fica calmo - falei amarrando a chuteira dele

- Impossível - falou me olhando

- Respira fundo - falei sorrindo de lado - E faz o que você sabe bem

- É diferente, mãe - falou nervoso

- Não tem nada de diferente - falei simples - Você vai lá e fazer gol

- Mãe - tentou falar e eu não deixei

- Você sabe, meu amor - dei um selinho nele e o mesmo sorriu - Arrasa

- Vou tentar - falou e correu pro campo

O Kauã jogava muito bem e não era por eu ser mãe, ele realmente jogava bem. Mas hoje nada estava dando certo e ele perdia gols inacreditáveis. Quando o juíz apitou o final do primeiro tempo ele veio na minha direção e eu percebi que ele estava bem chateado.

- O que tá acontecendo? - perguntei quando ele se aproximou

- Eu tô nervoso, mãe - Kauã falou me olhando

- Lá na quadra você joga tão bem - falei olhando pra ele

- Lá tem o pessoal e você grita pra mim e comigo quando eu erro - falou com os olhos cheios de lágrima

- Se eu gritar funciona? - perguntei e ele assentiu - A mamãe vai gritar e brigar então

- Isso - falou e o juíz apitou chamando

- Para de perder gol feito - falei séria e ele assentiu - Você estava de cara pro gol e chutou pra fora

- Eu vou tentar - falou firme

- Tentar não, você vai conseguir - falei e vi o juíz fazendo sinal - A próxima vez que você errar um gol assim eu te jogo da janela do seu quarto

- Mamãe - falou indignado

- Vai lá - bati na bunda dele e ouvi uma risada, quando eu olhei fiquei surpresa em ver o Rafael, pai do Gabriel amigo da natação

- Isso que é incentivo - falou rindo

- É cada coisa que eu tenho que fazer - neguei com a cabeça - Vida de mãe é difícil

- Percebi - falou rindo

- Tá aqui desde quando? - perguntei curiosa

- Desde que vocês chegaram - falou e eu fiquei mais surpresa ainda, eu realmente não tinha notado

- Veio trazer o Gabriel? - perguntei e olhei no campo tentando achar o menino

- Não, eu vim trazer o filho de um amigo, ele não conseguiu se livrar do serviço - explicou e eu assenti - Posso falar uma coisa?

- O que? - perguntei olhando pra ele

- O Kauã tem talento - falou e eu sorri

- É, falam isso sempre - falei sorrindo e eu voltei a minha atenção pro campo - Vai, Kauã - gritei quando ele ficou na cara do gol e gritei mais ainda quando ele conseguiu fazer o gol, o pessoal que estava lá ficou me olhando mas eu nem liguei - Eu hein, posso nem torcer pelo meu filho

- Calma - Rafael falou rindo

O Kauã não se aguentava de felicidade e eu não estava diferente, ver o meu filho feliz era a coisa que eu mais gosto na vida. No segundo tempo ele conseguiu fazer mais dois gols, deu assistência e mostrou que sabe jogar muito bem, não foi surpresa pra mim quando anunciaram o nome dele no meio dos que passaram. Quando chegamos em casa ele correu pra ligar pro Rael e contar a novidade, um depois que eu cheguei a Ju chegou e o Cuíca também.

NatháliaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora