Capítulo 62

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Depois que eu consegui fazer o Kauã comer um pouco ele acabou dormindo e acabei dando uma cochilada também. Acordei no início da noite pra dar um remédio pro Kauã e fiquei na sala, não demorou muito e eu escutei um barulho na porta quando olhei era o Rael com o Cuíca.

- Cadê o Kauã? - Rael perguntou me olhando

- Dormindo - falei e Cuíca sorriu de lado pra mim e se sentou no sofá

- Por que não me chamou e nem avisou? Eu só fiquei sabendo porque encontrei com a tia Fátima e ela me contou - falou se referindo a minha sogra

- Na hora eu nem me liguei - falei sincera - Eu só queria levar logo ele pro médico

- Ele tá com o que? - Rael perguntou e se sentou

- Gastroenterite - contei

- Gastro quem? - Cuíca perguntou confuso

- Gastroenterite - falei devagar - É uma infecção intestinal

- E isso é grave? - perguntou preocupado

- Com o tratamento certinho ele fica bom logo - falei explicando

- Comprou os remédios? - Rael perguntou e eu confirmei

- Ele passou vários, tô cheia de pena do meu filho - falei e o Cuíca segurou a minha mão fazendo carinho

- Ele é forte - Cuíca falou sorrindo

- É, daqui a pouco tá correndo e falando um monte de coisa - Rael falou e eu assenti

- Tomara - falei baixo - É horrível ver ele assim, ontem estava brincando o tempo inteiro e hoje tá assim - falei limpando rapidamente a lágrima que escorreu

- Chora não, Nat - Rael falou - Tem coisa que é normal com criança

- Mas é difícil - falei limpando o meu rosto

- Pensa que já já você vai tá gritando o nome dele pela casa - Cuíca falou sorrindo - E na quadra com ele reclamando que o Novinho joga mal

- E pedindo pra você fazer bolo - Rael falou e eu ri baixo, era engraçado os meninos tentando me animar

- Eu espero - falei sorrindo fraco

Depois que os meninos foram embora eu subi pro meu quarto e vi que o Kauã ainda dormia, me deitei ao lado dele e fiquei pensando em algumas coisas, no meio dos meus pensamentos acabei me lembrando de uma cólica que ele teve e eu fiquei desesperada sem saber o que fazer.

- Flashback On -

Sabe aquela sensação de querer fazer algo mas não conseguir por medo ou algo te prendia? Eu estava assim nesse momento e era desesperador. O Kauã tinha acabado de fazer 2 meses e as terríveis cólicas chegaram, eu ficava desesperada e a minha sorte era a minha mãe e a minha sogra que pegavam ele e resolviam o "problema". Mas hoje não foi assim, quando ele começou a chorar por causa das cólicas eu estava sozinha, o Michel estava trabalhando, a minha mãe tinha ido levar a minha avó no médico e a minha sogra estava trabalhando. O Kauã chorava desesperado e eu não sabia o que fazer.

- Que escândalo é esse? - escutei a voz do Michel e não demorou pra ele entrar no quarto - Nathália - chamou assustado e pegou o Kauã da cama que gritava - Ei, fala comigo - passou a mão no meu rosto e foi como se eu tivesse despertado

- Ele começou a chorar e eu não sei o que fazer - comecei a falar rápido e bem embolado por causa do choro

- Tentou falar com a sua mãe ou com a minha? - perguntou tentando fazer o Kauã parar de chorar

- Eu não consegui, elas não atendem - falei e ele pegou o celular no bolso - Eu não sei o que fazer

- Nem eu - falou baixo e saiu do quarto, eu estava me sentindo péssima, eu não consegui pensar e nem agir de um jeito normal. Uns 10 minutos depois o Michel voltou, o Kauã apenas choramingava, o bichinho não devia tá mais aguentando chorar

- O que é isso? - perguntei quando ele colocou uma sacola na cama

- Eu liguei pra tia Dê - se referiu a mãe do Rael e colocou o Kauã na cama e tirou a roupa dele - Ela mandou o Rael comprar um remédio e ele veio trazer

- Vai dar banho nele? - perguntei quando ele tirou a fralda

- Ela falou pra dar um banho morno - falou pegando o Kauã no colo e foi em direção ao banheiro - Me ajuda? - pediu e eu me levantei, foram poucas as vezes que ele tinha dado banho no Kauã, ele tinha medo e as nossas mães estavam sempre aqui nos ajudando

- Ajudo - me levantei e eu fui atrás dele

- Pode ser no chuveiro? - perguntou e eu neguei

- Melhor não - falei passando a mão no rosto e peguei a banheira, coloquei pra encher e quando vi que a temperatura estava boa fiz sinal e o Michel começou a molhar o Kauã aos poucos que na hora iniciou um choro mas não demorou pra se acalmar - O cabelinho dele você lava assim - falei baixo e mostrei como era pra fazer

- Não pode do outro jeito? - perguntou e começou a massagear levemente a barriga do Kauã que começou a resmungar

- Pode cair no olho dele - expliquei

- Ah, entendi - falou pensativo e o Kauã fez beiçinho pra chorar - Ué? - Michel falou confuso - Não tá gostando mais?

- A água tá esfriando - falei e peguei a toalha dele - Finaliza aí

- Ta bom - falou e quando ele acabou eu ajudei a enrolar o Kauã na toalha e voltamos para o quarto, ele colocou a fralda, peguei um pijama na cômoda e entreguei pra ele que logo vestiu no Kauã - Toma - falou e quando veio me entregar eu neguei

- Não - me afastei

- Nat, pega ele - falou e eu percebi que ele estava assustado pela minha recusa

- Eu não sei cuidar dele - falei tentando segurar o choro mas estava impossível

- Sabe sim - falou calmo - A tia Dê falou pra você tentar dar o peito pra ele

- Não, Michel - falei chorando

- Segura ele, Nat, é o nosso filho, o nosso bebê - falou e eu vi que ele estava com os olhos cheios de lágrimas

- Eu não sei - falei soluçando

- Sabe sim - falou fungando e alisou o meu rosto - Ele precisa de você, amor, ele quer você

- Ta - falei me tremendo e ele passou o Kauã pro meu colo que logo se ajeitou e começou a caçar o meu peito

- Isso - Michel falou e riu fraco pela busca do Kauã e abaixou a alça da minha blusa deixando o meu peito de fora

NatháliaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora