Capítulo 22

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Foi ótimo lembrar de alguns momentos com o Michel, eu pensei que iria chorar até não querer mais porém eu dormi em paz e feliz com as lembranças. No dia seguinte assim que eu deixei o Kauã na escola eu resolvi ir no mercadinho lá no morro comprar algumas coisas.

- Cuidado, Kevin - falei quando um garotinho aqui do morro esbarrou em mim, ele tinha a idade do Kauã

- Foi mal, tia - falou me olhando

- Cadê sua mãe? - perguntei olhando pra ele

- Foi trabalhar - falou e eu assenti - Aí eu tô com a minha vó

- E ela sabe que você tá aqui? - perguntei já imaginando a resposta

- Sabe - falou e eu neguei com a cabeça

- Sabe mesmo? - perguntei e ele negou - Tá fazendo o que aqui?

- Vim comprar doce - mostrou a nota de 2 reais

- Guarda esse dinheiro e pega o doce que você quiser que a tia paga - falei e ele abriu um sorriso

- Ta bom - falou saindo correndo pelo mercadinho e eu ri. Fiquei mais uns 5 minutos ali e fui pagar

- Quanto deu os doces do Kevin? - perguntei pegando o dinheiro na capinha do celular

- 5 reais - o dono do mercadinho falou e eu entreguei uma nota de 20 pra pagar tudo

- Obrigada, seu Antônio - falei pegando as coisas

- Nada - acenou e eu saí, dei alguns passos do mercadinho e vi o Kevin no meio de maior confusão, um dos meninos novos aqui do morro puxava ele pela orelha e o mesmo chorava, o povo olhava e não falava nada

- Ei, solta ele - gritei e o cara me olhou - Tá fazendo o que?

- Esse moleque roubou a minha carteira - falou e eu olhei incrédula

- Eu não peguei nada, tia - Kevin falou chorando

- Pego sim - o cara falou dando um tapa na cabeça dele e me subiu um ódio na hora

- Para com isso - gritei e me aproximei deles

- Se mete não - o cara falou sério me olhando

- Me meto sim - falei indo pra cima dele e tentei puxar o Kevin - Ele é uma criança

- Vaza - falou sério mas eu não me movi um centímetro, ele colocou a mão na cintura e puxou a arma - Solta

- Não - falei firme, por dentro eu estava morrendo de medo dele fazer algo, mas eu só pensava que poderia ser o meu filho naquela situação

- Eu já mandei - estava falando mas foi interrompido por uma falação, quando eu olhei era o Rael com os meninos

- O que tá acontecendo nessa porra? - Rael perguntou alto - Abaixa essa arma

- Essa piranha me afrontando - o cara falou e eu olhei incrédula pra ele

- Te afrontando? Você está batendo no menino atoa - falei com raiva

- Abaixa - Rael mandou apontando a arma e os outros meninos apontaram a arma pro cara também

- Vão atirar em mim? - o cara perguntou debochado - Duvido

- Eu não pensaria duas vezes - Novinho falou com a arma apontada

- Você vai tomar tanto tiro que não vai saber qual te matou - Rael falou sério

- Que porra é essa? - Dg, o dono do morro parou com a moto e desceu com arma na mão e outra moto parou também - Vocês são irmão de facção! Ficaram doido? Abaixem a arma

- Com todo respeito, chefe, só vou abaixar quando ele tirar a arma da mira da patroa - Neguinho falou sério

- O papo foi dado - Gb falou encarando ele

- Abaixa a arma, 2N - Dg falou sério e na hora ele abaixou fazendo o Kevin correr pra perto de mim e me abraçar - Vocês agora - falou e os meninos olharam desconfiado

- Abaixa - pedi e o Rael acenou pra eles abaixando a arma em seguida

- Todo mundo pra boca - Dg falou sério - E vocês circulando - falou alto para os moradores e rapidinho eles saíram

- Dg Narrando -

A favela estava muito quieta par ao meu gosto, parecia que eu estava esperando alguma coisa acontecer e não deu outra, eu só não esperava que a confusão seria com os meus homens apontando as armas um pro outro.

- Quem vai começar me explicando? - perguntei assim que entramos na boca

- Essa piranha - 2N começou e eu percebi os outros olharem sério pra ele

- Olha como você fala - Rael falou sério

- Menos, 2N - alertei

- Deixa ele pô, tá achando que me ofende? Obrigada pelo elogio - a viúva do Michel falou rindo debochada, a mina estava em um desenrolo e não recuava de jeito nenhum

- Sabe que é, né? - 2N provocou

- Não, mas sei que homem babaca adora falar isso quando não tem o que falar ou quando usa dos xingamentos pra compensar o tamanho do pau - falou simples e eu escutei a risadinha do Cuíca

- Olha aqui - 2N falou indo pra cima dela que nem se moveu mas o Rael entrou na frente

- Parou os dois - falei sério - Começa a falar - apontei pra Nat

- Eu estava no mercadinho com o Kevin, deu tempo nenhum que ele saiu e saí também, só que o bonitão estava agredindo o menino - contou e eu olhei pra ele

- Por que você fez isso? - perguntei olhando pro 2N

- Ele roubou a minha carteira - falou e eu passei a mão no rosto, eu sei que ele era criança mas também sabia que tinha muito menor mão leve

- Aonde foi o roubo? - perguntei e percebi a Nat me olhando sem acreditar

- Lá na padaria - ele mal acabou de falar e ela soltou uma gargalhada

- Eu quero saber da graça, me conta - falei sério olhando pra ela que nem ligou

- Nem se o Kevin fosse o flash iria conseguir fazer isso - Nat falou óbvia

- A distância é grande mesmo - Rael falou simples

- E o que te faz pensar que foi ele? - perguntei olhando pro 2N

- Era um moleque da altura dele e mesma cor de camisa, igualzinho - falou me olhando e eu neguei com a cabeça

- Você viu a cara? - perguntei e ele ficou quieto

- Fez igual a polícia faz com vários, né? Olha pra cor e atira - Nat falou e o Gb falou algo baixo pra ela - Verdade

- O que foi? - perguntei olhando pra eles

- O chefe tinha ordenado colocar câmera em todos os comércios, justamente pra evitar essas coisas - Gb falou e eu sabia que ele se referia ao Michel

- Menor, vai pegar essas filmagem - falei olhando pra ele

Maratona 1/6

Se os capítulos postado não ter 100 votos e 70 comentários cada, não irei fazer maratona no final de semana.

NatháliaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora