Capítulo 13

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– Então você vai terminar comigo? – ele perguntou assim que entramos no elevador do prédio. Tínhamos passado o resto do dia todo conversando apenas sobre o indispensável – Vai terminar comigo só por um jogo idiota?

Luan estava no fundo do elevador como de costume, e eu parada frente a porta. No entanto, fugindo do habitual, não senti arrepios ao tê-lo se aproximando e virando meu corpo para me beijar. Ficamos estáticos ali, até chegarmos no corredor. Paramos ao lado das nossas respectivas portas, no encarando.

– Então, é isso? – perguntou outra vez.

– Não vou terminar com você. E não é pelo jogo, que também não só mais um jogo idiota. Você joga sujo, trapaceia da forma mais descarada. Sabe, – suspirei – algumas pessoas levam isso sério, e você chega e vence a partir de uma sabotagem bem pensada. Pensei que fosse diferente, que fosse honesto.

– Espera aí, – soltou uma risada irônica – você quer mesmo duvidar da minha honestidade, Pixie? – ele deu um passo a frente, tinha uma expressão completamente séria no rosto, diferente – Depois de tudo que passamos juntos, você quer mesmo duvidar da minha honestidade por conta um jogo estúpido?

– Não é só pelo jogo!

– Bem, sim, eu sou tão competitivo que jogo sujo. Só que isso não me define, Pixie, é uma parte minha que eu nem mesmo gosto. Eu sou muito mais que um personagem de vídeogame, consegue enxergar isso?

– Podemos conversar amanhã?

– Pix...

– Até mais, Luan.

Abri a porta e entrei no meu apartamento fechando-a antes que ele pudesse me responder. Caminhei lentamente, praticamente me arrastei até a sala, me sentando no sofá. Becca e Tina ainda não tinham chegado da faculdade, estava sozinha naquela residência, que parecia que ficar cada vez menor – era minha angústia gritando dentro de mim.

Pedia aos céus que aquilo fosse apenas um engano. Eu amava Luan de verdade, mas não queria que ele fosse TheFera, meu pior inimigo, o único jogador que jogava de forma que desrepeitava todo os jogadores sinceros, o único que me causava raiva. Ou pelo menos não queria ter descoberto aquilo no momento em que tudo desmoronava sobre minhas costas sem dó e piedade. Me perguntava se o fato de eu ter praticamente descoberto sobre a real identidade do meu adversário tivesse vindo a tona em um outro momento, talvez pudesse ser apenas uma mera informação e não mais uma na minha lista de informações ruins.

Eu não estava pensando direito, nem sobre o vírus, os e-mails, nem mesmo sobre Luan.

Me levantei após alguns minutos, tomei banho e me troquei, sentei na minha cama e, a contra gosto, abri meu notebook. A primeira coisa que me chamou a atenção foi outra notificação de e-mail daquela maldita. Li só a primeira linha, que dizia: "Só queria te lembrar de como você é uma fracassada, baby", e logo desisti do que iria fazer fechando a tela e o deixando sobre a cama. Voltei até a sala quando ouvi o som da maçaneta. Tina e Becca conversavam a medida que entravam no apartamento, apenas pararam quando notaram minha face claramente triste.

– O que rolou aqui? – perguntou Becca.

– Está tão na cara assim? – questionei, e me sentei no sofá outra vez. Becca e Tina apenas assentiram com a cabeça e se sentaram ao meu lado – Hoje eu descobri que o Luan é o TheFera.

– Caramba, amiga... – comentou Tina.

– E no que está pensando?

– Só que o meu namorado é um trapaceiro e vive me sabotando no meu jogo favorito.

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