Capítulo 17

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– Eu vou enlouquecer! Se já não enlouqueci, afinal, estou sentada nessa mesa, tomando um pouco desse delicioso café deixado por Tina antes de ir ao trabalho e conversando com uma cadeira na minha frente! – grunhi – Eu realmente estou enlouquecendo.

Passaram-se três dias desde que meu contrato fora suspenso, e eu já sentia falta do meu trabalho. Nos dias anteriores eu fazia o mesmo: me torturava vendo as publicações das contas oficiais do Fundom. Parecia estar tudo bem por lá, Álvaro, o salvador da pátria, estava cumprindo bem seu papel de falso moralista. Meus amigos me mandaram algumas mensagens, diziam estar com saudades, e que Álvaro não chegava aos pés da minha eficiência naquele lugar – sobre ele, ainda não fazia ideia do que fazer, por outro lado, só precisava encontrar endereço de IP dos e-mails de Julieta, porém não estava com cabeça para tal. Já que eu estava me afundando na meu tédio e quase explodindo de tão deprimida, Luan me fez prometer que ficaria longe das redes até que tivéssemos uma ideia.

Bufei alto, bebendo o último gole do meu café, virei o rosto de pressa e corri até a porta quando ouvi a batida especial de Luan. Ele estava parado no corredor com as mãos nos bolsos da calça – ele ficava ainda mais atraente naquela posição –, e com o típico sorriso nos lábios. Quase me esqueci que estava surtando de tédio, e me virei indo até a cozinha, tirando a caneca de cima da mesa e a lavando na pia.

– Bom dia? – ele disse quando me seguiu e ficou atras de mim, deixou um beijo em minha bochecha e soltou uma risada curta pelo nariz – Como estamos hoje, minha querida, linda, amor da minha vida?

Sorri.

– Estamos surtando – enxáguei a caneca e a pendurei no escorredor de louças.

– Vamos surtar ainda mais com isso – ele segurou minha cintura com uma das mãos e me virou para si de um jeito inesperado, me prendendo contra o mármore, e ergueu dois ingressos com a mão livre – Quer sair comigo?

– São dois ingressos da Tecnofest na sua mão?! – abri o sorriso mais empolgado que pude, aquele era um dos meus eventos de jogos favoritos. A primeira vez que fui foi com meu irmão quando ainda morava na Colômbia.

– São dois ingressos da Tecnofest na minha mão.

– É um dos festivais de jogos mais incríveis do mundo!

– De fato, mas você ganha – ele se aproximou, me dando um rápido beijo – Então, quer sair comigo?

– Você é um bobo, sabia? – dei um rápido beijo nele – Será um prazer ter a sua companhia nesse admiravel evento, nessa tarde tão satisfatória, Sr. Intuição.

– O prazer será todo meu, Srta. Tecnologia.

Ele fazia eu me esquecer dos problemas em um passe de mágica, como se fosse a coisa mais fácil do mundo, de forma tão simples quanto o ato de sorrir.

Fui até o meu quarto e tomei um rápido banho, escolhi a minha melhor roupa – embora estivéssemos juntos há algum tempo, Luan e eu nunca tivemos um encontro de verdade. Ele fez o mesmo quando voltou ao seu apartamento, e então nos encontramos no corredor.

– Você está fascinante, Pix – ele disse.

Sorri.

Luan era uma das poucas – e o único garoto – que conseguia ver beleza nas escolhas dos meus vestuários, mesmo se eu estivesse usando uma camisa social branca com um simples blazer preto e calça preta, que era o que eu usava naquele dia. E era uma das muitas coisas que eu amava nele, ele me via como eu era, como eu, Priztyla Isabel Ocaranta, queria ser, se Luan me visse usando um vestido, salto alto e maquiagem seria o primeiro a notar que aquela não era quem eu queria ser de verdade.

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