Meus pés bateram no asfalto quente assim que saltei do carro, a pistola já erguida. À frente, a cena era um borrão de violência.
Jason corria em direção ao casal caído com uma imprudência suicida. Como líder, eu deveria ter ordenado que ele parasse, que avaliasse o perímetro, mas ele não estava ouvindo ninguém. Os três zumbis que perseguiam o casal estavam quase sobre eles. O homem, que havia tropeçado, chutava freneticamente o ar, tentando afastar as criaturas enquanto gritava para a garota correr.
— Saiam daí! — Jason rugiu, disparando em movimento.
Bang. Bang.
Dois dos mortos caíram, crânios estourados. O terceiro conseguiu agarrar o tornozelo do homem. Houve um grito agudo, um som de tecido rasgando e dentes encontrando carne, antes que Jason chegasse perto o suficiente para encostar o cano da arma na têmpora da criatura e puxar o gatilho.
O zumbi desabou. Mas o homem no chão começou a convulsionar violentamente. A infecção tomou conta dele em segundos. Ele parou de gritar, seus olhos viraram e ele rosnou.
— Não... — a garota sussurrou. — Amor?
A coisa se lançou sobre ela. Jason não hesitou. Disparou duas vezes. O corpo caiu flácido sobre as pernas da garota.
Eu cheguei logo atrás, assumindo a cobertura e varrendo o perímetro com o olhar treinado de quem comanda, mas minha mente estava longe. Jason já estava de joelhos ao lado dela.
A garota tremia violentamente. Cabelos loiros cacheados, óculos de aros finos, olhos verdes.
Jason congelou.
— Mary? — ele sussurrou.
A semelhança com a falecida esposa dele era assustadora. Jason tocou o ombro dela com uma delicadeza trêmula.
— Olha... — a voz dele tremeu. — Meu nome é Jason. E o seu?
— Me... meu nome é Benedite.
— Tudo bem, Benedite. Nós vamos te levar para um lugar seguro.
Voltamos para os carros. As mulheres — Claire, Maze e Lorena — já haviam manobrado o segundo veículo. Assim que nos aproximamos, Claire, sempre clínica, apontou.
— Ela foi arranhada — disse Claire, a voz fria. — Vocês não estão vendo?
Um rasgo feio no antebraço esquerdo de Benedite sangrava, a pele ao redor escurecendo.
— Quem te arranhou?! — perguntei, minha voz de comando falhando levemente pela exaustão. Dei um passo à frente, avaliando o risco para o meu grupo.
— E... eu não sei — Benedite choramingou.
— Você tem que nos dizer, quem te arranhou?! — insisti. Eu não podia permitir uma infecção interna.
Jason se colocou entre mim e ela, desafiando minha autoridade com o peito estufado. — O que você está fazendo, cara?! Ela pode ter se arranhado quando caiu! Aliás, nós nem sabemos se arranhões causam transformações. Parem de implicar com ela e entrem no carro!
Claire cruzou os braços. — Eu não vou correr o risco de ir no mesmo carro com ela. Nem fodendo. Eu não sigo ordens suicidas.
Jason bufou, ignorando a hierarquia. — Tudo bem. Nós vamos em outro carro. Vem, Alec!
Eu hesitei. Ele estava agindo por impulso, quebrando o protocolo. — Jason, espera. Eu preciso decidir...
Ele já tinha virado as costas, puxando Benedite e ligado o motor. — Vamos, Alec! Agora!
VOCÊ ESTÁ LENDO
Projeto Lacrimosa
Fiction généraleUma nova droga, inicialmente tratada como um entorpecente modificado, revela efeitos impossíveis de explicar. Pessoas expostas ao composto entram em estados de violência extrema, perdem funções cognitivas em questão de minutos e... não morrem como d...
