A Serra das Araras não era apenas uma estrada; era uma cicatriz de concreto rasgando a mata atlântica.
Pisei no freio com tanta força que senti o cheiro de borracha queimada invadir a cabine da van antes mesmo do veículo parar. Girei o volante bruscamente para a esquerda. A van blindada, pesada como um tanque, derrapou lateralmente, os pneus gritando em protesto, bloqueando as duas faixas da rodovia.
— Segura! — gritei para Sete e Baldir.
Pelo retrovisor, vi a cena se desenrolar em câmera lenta. O Jipe Renegade amarelo, com Maze ao volante, vinha logo atrás. E colado no para-choque delas, o caos sobre duas rodas.
Três motos custom, barulhentas como trovões, cercavam o carro das meninas. Eram máquinas pesadas, cheias de cromados sujos e alforjes de couro. Os pilotos pareciam ter saído de um pesadelo de Mad Max tupiniquim: gordos, barbudos, vestidos em couro grosso sob o sol escaldante, sem capacetes, com os dentes amarelados expostos em gritos de guerra.
Um deles, o da direita, girava uma corrente de metal grossa acima da cabeça.
— Abaixa! — Maze gritou no Jipe, freando bruscamente.
A corrente desceu como um chicote de ferro, estilhaçando o vidro traseiro onde Lorena estava. Ouvi o grito dela abafado pelo som dos motores.
O motoqueiro da corrente emparelhou, rindo, pronto para o segundo golpe. Mas ele cometeu o erro de subestimar quem estava dirigindo. Maze não tentou fugir. Ela girou o volante para a direita, usando o Jipe como um aríete. CRASH. O metal do carro prensou a perna do motoqueiro contra a lataria. O homem perdeu o equilíbrio. Antes que ele pudesse cair, Maze sacou sua pistola pela janela aberta e, sem olhar, disparou para trás. A bala entrou pela testa dele, transformando a expressão de fúria em surpresa vazia. A moto tombou, arrastando o corpo pelo asfalto a oitenta quilômetros por hora, deixando um rastro de faíscas e pele.
Eu estava parado logo à frente, a van atravessada como uma barricada. O segundo motoqueiro, vendo o bloqueio, tentou frear, mas era tarde. Acelerei a van em direção a ele. Foi um jogo de galinha que ele perdeu. O impacto foi brutal. A grade reforçada da van atingiu a moto de frente. O homem voou por cima do nosso teto como um boneco de pano, girando no ar, e caiu no barranco trinta metros atrás de nós. O som dos ossos dele quebrando foi audível mesmo com as janelas fechadas.
Restava um. O líder, provavelmente. Ele pilotava uma Harley modificada com chifres de boi no guidão. Ele tinha uma espingarda de cano serrado presa às costas e, vendo seus companheiros mortos, ele não recuou. Ele acelerou em direção ao Jipe, emparelhando com o lado de Claire.
— Ele tem uma arma! — Jason gritou do fundo da van.
O motoqueiro sacou a espingarda com uma mão, mantendo a outra no acelerador. Ele apontou para a cabeça de Claire. Claire, num ato de desespero suicida, esticou-se para fora da janela e agarrou o cano quente da arma. Os dois começaram um cabo de guerra mortal a cem por hora.
— Lorena! Atira nele! — gritei, impotente dentro da van parada.
Mas Lorena não atirou. Talvez o medo, talvez a arma tivesse caído. Em vez disso, ela fez algo insano. Ela pegou a corrente do primeiro motoqueiro, que tinha ficado presa nos destroços do vidro traseiro. Com um grito primal, Lorena girou a corrente e a lançou. O metal pesado enrolou-se no pescoço do líder da gangue. Lorena puxou. O motoqueiro foi arrancado da moto para trás. A traqueia dele deve ter esmagado na hora. Ele caiu no asfalto quente, rolando e quicando, enquanto a moto seguia sozinha até bater no guard-rail.
O silêncio que se seguiu foi quebrado apenas pelo chiado dos motores superaquecidos.
Manobrei a van, dando a volta e parando ao lado do Jipe. Desci correndo, a arma em punho, seguido por Sete e Baldir. Jason e Antoni saíram dos fundos da van, pálidos e confusos.
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Projeto Lacrimosa
General FictionUma nova droga, inicialmente tratada como um entorpecente modificado, revela efeitos impossíveis de explicar. Pessoas expostas ao composto entram em estados de violência extrema, perdem funções cognitivas em questão de minutos e... não morrem como d...
