O som da tranca magnética selando a porta atrás de nós foi o som mais bonito que ouvi em meses. Um thud pesado, hermético, separando o mundo dos vivos do mundo dos mortos. Por um instante, o silêncio no laboratório foi absoluto, quebrado apenas pelo zumbido dos servidores e pela respiração ofegante de cinco pessoas que acabaram de se reunir no olho do furacão.
Olhei para Sara e Lorena, que estavam encostadas na parede, ensopadas de suor e fuligem. Lorena ainda tinha a guitarra elétrica pendurada nas costas, a correia de nylon atravessando o peito como uma bandoleira de munição.
— Vocês são loucas — sussurrei, ainda incrédulo que elas tinham abandonado a segurança da van para subir vinte e dois andares.
— O plano da guitarra funcionou bem até demais — Lorena respondeu, ofegante, limpando o rosto sujo com a manga da camisa. — Arrastamos a horda principal para a ponte norte, o caminho ficou livre. Mas vimos mais deles entrando pelo saguão e vocês não respondiam no rádio.
— Achamos que dois homens não seriam suficientes para carregar o ego dessa mulher se ela estivesse viva — Sara completou, sorrindo nervosamente enquanto apertava meu braço. — Então estacionamos a van no beco lateral e subimos pelas escadas de serviço. Chegamos na hora da festa.
Jason assentiu, aprovando a iniciativa tática, e voltou sua atenção para a mulher diante de nós.
Claire Tompkins nos encarava. De perto, a lenda da biotecnologia parecia humana demais. O jaleco estava encardido, o rosto magro marcado por olheiras profundas e os óculos, trincados na lente esquerda, refletiam a luz azulada dos monitores que piscavam freneticamente com dados de biossegurança.
— Eu não tenho a cura — ela repetiu, a voz fraca, caminhando até uma bancada cheia de equipamentos desmontados. — Mas eu sei o que eles são. E sei que o tempo acabou.
Antes que eu pudesse perguntar o que ela queria dizer com "o tempo acabou", um estrondo metálico veio do teto. Poeira de concreto caiu sobre as bancadas estéreis.
— A estrutura... — Jason olhou para cima, tenso, levantando sua pistola. — O avião. O prédio está instável.
Claire soltou uma risada seca, sem humor. — O prédio aguentaria. O problema não é o concreto. O problema é que o sistema de ventilação do nível 23 colapsou com o impacto. E adivinhem quem estava fazendo um ninho nos dutos de ar condicionado?
Como se fosse uma deixa ensaiada pelo diabo, a grade de ventilação principal, uma peça de metal pesado no centro do teto do laboratório, cedeu. Ela caiu com um estrondo no chão, e com ela, veio a chuva.
Não de água. De corpos.
Eles caíram como sacos de carne podre. Um, dois, cinco infectados. Mas estes eram diferentes. Seus jalecos da Tompkins Bio estavam fundidos à pele por queimaduras químicas, os olhos brilhavam com uma fome frenética. Eles se levantaram, sacudindo a queda, e nos olharam.
Estávamos trancados lá dentro com eles.
— Afastem-se! — Claire gritou, não com medo, mas com uma autoridade furiosa.
Ela não correu para se esconder. Em vez disso, ela puxou uma lona que cobria um objeto volumoso sobre a mesa central.
O que ela revelou parecia um pesadelo de um engenheiro elétrico. Uma arma. Mas não uma arma comum. Parecia um fuzil de assalto que tinha sido cruzado geneticamente com uma bobina de Tesla e uma bateria de caminhão. Fios de cobre expostos pulsavam com uma luz azulada, e o cano era cercado por capacitores cerâmicos.
— Doutora? — murmurei, paralisado.
Um dos zumbis, um gigante que ainda usava o crachá de "Chefe de Segurança", avançou sobre ela rugindo.
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Projeto Lacrimosa
Narrativa generaleUma nova droga, inicialmente tratada como um entorpecente modificado, revela efeitos impossíveis de explicar. Pessoas expostas ao composto entram em estados de violência extrema, perdem funções cognitivas em questão de minutos e... não morrem como d...
