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BETTY COOPER

Acordo com o som irritante do meu despertador.

Demoro alguns segundos para entender o que está acontecendo. É sábado. 8:40 da manhã. Eu não faço ideia do motivo daquele alarme estar tocando.

Provavelmente esqueci de desativar.

Resmungo algo incompreensível e desligo o celular. Já que estou acordada, não adianta tentar voltar a dormir.

Levanto ainda de mau humor e vou para o banheiro. Escovo os dentes, lavo o rosto e tomo um banho demorado, tentando afastar o resto do sono. A água ajuda a organizar os pensamentos.

Visto uma roupa confortável — não tenho planos para hoje, pelo menos não até agora.

Desço para a cozinha esperando encontrar minha mãe, mas a casa está vazia. Nada surpreendente. Ela quase nunca para em casa mesmo.

Preparo duas torradas com requeijão e um copo de suco de morango. Sento à mesa sozinha, em silêncio.

Depois, volto ao banheiro para escovar os dentes e sigo para a sala. Me jogo no sofá, ligo a televisão e escolho qualquer filme na Netflix. Algo leve, só para passar o tempo.

Horas depois, quando os créditos sobem, pego o celular pela primeira vez desde que acordei.

Várias mensagens.

De Veronica.

Abro a conversa.

Vee:
— Hello, my friend
— Betty, cadê você??
— Betty, acorda
— Eu vou aí puxar seu cabelo
— Acorda, eu tô feliz e preciso falar com você
— AAAA

Reviro os olhos, sorrindo sem perceber.

Eu:
— O que foi, doida?
— Eu estava vendo filme, deixei o celular no silencioso
— O que aconteceu?

A resposta vem quase instantaneamente.

Vee:
— Odeio quando você faz isso
— Mas enfim
— EU E O ARCHIE ESTAMOS FICANDO

Eu releio a mensagem.

Algo aperta dentro de mim. Leve, mas presente.

Por um momento, fico parada encarando a tela. Achei que aquilo já tivesse passado. Achei que Archie fosse apenas uma lembrança distante da infância.

Mas talvez não fosse tão simples.

Respiro fundo.

Veronica é minha melhor amiga. Se ela está feliz, eu deveria estar feliz também. E é só isso — uma paixonite antiga, mal resolvida. Nada que não passe.

Precisa passar.

Eu:
— Que bom, Vee. Fico feliz por vocês
— Só não quero ficar de vela
— Então, por favor, sem cenas constrangedoras na minha frente

Ela responde com emojis e risadas.

Vee:
— Prometo me comportar
— Agora tenho que ir pro shopping
— Depois a gente se fala
— Beijo!

Eu:
— Beijo.

Travo o celular e olho o horário.

10:25.

De repente, estou com fome — ou talvez só precise sair um pouco de casa.

Pego minha bolsa e saio, caminhando até o Pop's. Não é longe, uns dez ou doze minutos no máximo. O ar da manhã ajuda a clarear a cabeça.

Quando entro na lanchonete, procuro uma mesa vazia.

Mas antes mesmo de escolher onde sentar, meus olhos encontram algo — ou melhor, alguém — que eu definitivamente não esperava ver ali.

E, por um segundo, tudo ao meu redor parece ficar em silêncio.

𝐀 𝐁𝐀𝐁𝐀́ -  ᵇᵘᵍʰᵉᵃᵈ シ︎Onde histórias criam vida. Descubra agora