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BETTY COOPER

No dia seguinte, acordo às 7:30.

Por alguns segundos, fico olhando para o teto, tentando lembrar onde estou. Então tudo volta: casa dos Jones, quatro meses, babá.

Respiro fundo e me sento na cama.

Arrumo os lençóis — ainda estranho chamar aquele quarto de "meu" — e separo uma roupa simples para começar o dia. Nada chamativo. Hoje vou conhecer oficialmente a Jellybean, e não quero parecer nervosa... mesmo estando.

Entro no banheiro, fecho a porta — ou pelo menos acho que fechei direito — e começo o banho.

A água quente ajuda a relaxar. Lavo o cabelo com calma, tentando organizar mentalmente como vou agir quando conhecer a irmã do Jughead.

Estou enxaguando o shampoo quando ouço o som da porta se abrindo.

Meu coração quase para.

Desembaço o vidro do box com a mão e vejo quem é.

Jughead.

— Você não ouviu o chuveiro ligado? — falo, indignada. — Estou tomando banho!

Ele encosta na parede, como se a situação fosse a coisa mais normal do mundo.

— Calma, estressadinha. Primeiro: ninguém mandou deixar a porta só encostada. A tranca existe por um motivo.

Reviro os olhos.

— Sai daqui.

Ele me observa por um segundo a mais do que deveria. O olhar desce rápido demais.

— Segundo... — ele inclina a cabeça, um meio sorriso surgindo — você devia tomar mais cuidado.

Demoro um segundo para entender o tom da frase.

— Jughead, sai daqui agora.

Minha voz sai firme.

Ele levanta as mãos em rendição, mas o sorriso continua ali.

— Relaxa. Já estou indo.

Quando ele finalmente fecha a porta, solto o ar que nem percebi que estava prendendo.

Idiota.

Termino o banho mais rápido do que pretendia, agora irritada. Assim que saio, tranco a porta dessa vez — só por garantia — e me visto.

Passo um pouco de rímel, gloss e tento parecer o mais normal possível.

Quando desço para a cozinha, F.P. já está sentado à mesa com uma xícara de café.

— Bom dia, Betty. Posso te chamar assim? — ele pergunta.

— Bom dia. Pode, sim.

— E, por favor, me chama de F.P.

— Tudo bem.

Sento à mesa. O cheiro de café fresco deixa o ambiente mais acolhedor do que eu esperava.

Percebo que Jughead não está ali.

E agradeço mentalmente por isso.

O silêncio começa a ficar desconfortável, então resolvo quebrá-lo.

— A Jelly chega hoje, não é? Estou um pouco ansiosa para conhecê-la.

F.P. sorri de leve.

— Sim. O Jughead foi buscá-la agora cedo. Eles devem chegar a qualquer momento.

Assinto, tentando ignorar o fato de que ele acabou de dizer que Jughead foi buscá-la. Ótimo. Então o reencontro está mais perto do que eu gostaria.

— Tenho certeza de que vocês vão se dar bem — ele continua. — Você parece responsável.

— Espero que sim.

Tomo um gole do meu suco, tentando me concentrar nisso.

Daqui a pouco, eu finalmente vou conhecer a razão de estar aqui.

E, querendo ou não, minha nova rotina começa hoje.

𝐀 𝐁𝐀𝐁𝐀́ -  ᵇᵘᵍʰᵉᵃᵈ シ︎Onde histórias criam vida. Descubra agora