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BETTY COOPER

Era sábado, e Veronica estava passando a noite na minha casa. Já tinha avisado a mãe dela, então estávamos oficialmente livres de qualquer responsabilidade além de escolher o que assistir e o que comer.

Estávamos jogadas na minha cama, falando sobre tudo e nada ao mesmo tempo — escola, pessoas insuportáveis, teorias aleatórias que só fazem sentido depois da meia-noite.

— A gente devia chamar a Cheryl e a Toni — Veronica disse de repente, já pegando o celular.

Eu nem precisei perguntar onde elas estavam. Se uma estava em algum lugar, a outra também estaria.

Cheryl atendeu rápido.

— Espero que seja algo interessante.

— Convite irrecusável: noite das meninas, casa da Betty. Vocês vêm?

— Como você sabe que eu tô com a Cheryl? — Toni perguntou ao fundo.

— Toni, por favor — Veronica respondeu. — Vocês praticamente dividem o mesmo oxigênio.

Eu ri baixo.

— Estamos indo. Vinte minutos — Cheryl disse antes de desligar.

E, surpreendentemente, elas chegaram no tempo exato.

Desci para abrir a porta.

— Prima — Cheryl disse, entrando como se a casa também fosse dela.

O abraço foi rápido. Toni veio logo atrás, sorrindo daquele jeito tranquilo que equilibra a intensidade da namorada.

Subimos para o quarto, onde Veronica já organizava o "acampamento". Em poucos minutos, o ambiente estava oficialmente preparado para uma longa noite.

Fizemos pipoca, pedimos pizza e refrigerante. Perdemos tempo demais discutindo qual filme assistir — a democracia nunca funciona bem com quatro opiniões fortes — até desistirmos da disputa e escolhermos algo que ninguém odiava.

O resto da noite passou entre risadas altas, comentários desnecessários durante o filme e pequenas confissões que só surgem quando a gente se sente confortável o suficiente.

Havia algo bom naquela bagunça. Leve. Seguro.

Domingo

Acordei com o braço de Veronica praticamente atravessado no meu pescoço. A luz já invadia o quarto.

Cheryl e Toni dormiam no colchão ao lado da cama, abraçadas como se o mundo lá fora não existisse.

Saí com cuidado para não acordar ninguém e fui tomar banho. A água ajudou a organizar meus pensamentos antes mesmo do dia começar de verdade.

Quando voltei, Veronica já estava acordada.

— Que horas são? — perguntei.

— Dez.

Antes que eu pudesse impedir, ela se levantou com energia demais para aquele horário e se jogou em cima das duas no colchão.

Os protestos foram imediatos.

— Veronica!
— Sai de cima de mim!

Ela só ria.

Fiquei encostada na parede observando o caos matinal se instalar. Era impossível não rir.

O resto do dia seguiu no mesmo ritmo: música alta, tentativas vergonhosas de dançar Just Dance — especialmente as minhas — e mais conversa do que qualquer pessoa consideraria necessário.

Por volta das seis, a casa voltou ao silêncio.

Minha mãe passaria a noite fora, visitando Polly e as crianças na fazenda. Então fiquei sozinha.

Tomei banho, coloquei o pijama e esquentei as últimas fatias de pizza. Peguei um copo de refrigerante e subi para o quarto.

Escolhi uma série aleatória na Netflix — Supernatural. Nunca tinha assistido, mas acabei me envolvendo mais do que esperava.

Depois, desci para lavar o que tinha usado e voltei para a cama.

O fim de semana tinha sido bom. Simples, mas bom.

Amanhã teria aula cedo.

Com esse pensamento meio distante, fechei os olhos e deixei o sono me levar.

𝐀 𝐁𝐀𝐁𝐀́ -  ᵇᵘᵍʰᵉᵃᵈ シ︎Onde histórias criam vida. Descubra agora