JUGHEAD JONES
A porta quase sai do lugar quando a abro.
Do outro lado, meu pai.
Sorrindo como se nada tivesse acontecido.
— Que recepção é essa? — ele brinca, entrando com a mala na mão. — Nem parece que sentiu minha falta.
Demoro alguns segundos para reagir.
— Você não voltaria só daqui a três ou quatro meses?
— Era o plano. — Ele larga a mala perto do sofá. — Mas resolvi antecipar. Precisava ver meus filhos... e dar um descanso pra babá favorita da casa.
Meu olhar vai direto para Betty. Ela está parada perto da escada, visivelmente desconfortável.
— Fico feliz que tenha voltado antes, Sr. Jones — ela diz com educação. — Assim o senhor aproveita mais tempo com a Jelly.
Ele sorri satisfeito.
— E você pode descansar também.
Ela apenas concorda com a cabeça.
— Vou terminar de organizar minhas coisas.
Sem esperar resposta, sobe as escadas.
Meu pai me encara com um meio sorriso.
— Interrompi algo?
— Não.
— Hum... parece que sim.
Ignoro o comentário e sigo para o andar de cima. A porta do quarto dela está entreaberta. O som do zíper ecoa no ambiente silencioso.
Entro sem anunciar minha presença e a envolvo pela cintura. Ela se assusta.
— Jughead! — coloca a mão no peito. — Quer me matar?
Ela se afasta e volta a dobrar roupas.
— Já decidiu a hora de ir embora?
— Hoje à tarde.
A proximidade que existia entre nós ontem parece ter evaporado.
— Você vai fazer falta — digo, tentando diminuir a distância.
Ela solta um suspiro.
— Sério?
— Claro.
Ela fecha a mala com firmeza e finalmente me encara.
— A gente quase foi longe demais na sua cozinha. E você age como se tivesse sido só... mais um impulso.
— Nós dois queríamos.
— Isso não é o ponto.
Cruzo os braços.
— Então qual é?
Ela demora alguns segundos antes de falar.
— Eu não me envolvo desse jeito sem saber onde estou pisando. Não quero ser só mais uma história passageira.
— Quem disse que seria assim?
— Você nunca disse o contrário.
O silêncio pesa entre nós.
— Se tivesse acontecido... teria significado alguma coisa pra você? — ela pergunta.
As palavras ficam presas na minha garganta.
Eu não tenho uma resposta pronta.
E o meu silêncio acaba respondendo por mim.
Ela desvia o olhar.
— Entendi.
— Betty...
— Eu me valorizo, Jughead. Não vou me colocar numa situação em que posso sair machucada.
Ela pega a mala e vai até a porta.
— Terminei aqui.
Fico sozinho no quarto.
A pergunta continua martelando na minha cabeça.
Teria significado algo?
Eu sempre tratei essas coisas como simples.
Mas com ela... não parece tão simples assim.
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BETTY COOPER
Assim que ele sai, meus olhos ardem.
Eu não queria discutir. Muito menos me sentir assim.
Termino de organizar tudo antes que minha mãe volte do trabalho. Quando ela chega, descemos com as malas para a sala.
Charles aparece pouco depois para nos levar.
Jughead está sentado no sofá, distante, como se estivesse em outro lugar.
FP se aproxima.
— Obrigado por cuidar da Jelly Bean. Ela gosta muito de você.
— Eu também gosto dela — respondo com sinceridade.
— Já fiz a transferência do que combinamos.
Agradeço com um sorriso discreto.
Antes de sair, arrisco um último olhar para Jughead.
Ele evita o meu.
Isso dói mais do que qualquer discussão.
Entramos no carro.
Não olho para trás.
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A nova casa é simples, mas acolhedora. Não tem luxo, mas tem tranquilidade.
Passo pela sala observando cada detalhe. É pequena, porém segura. Exatamente o que precisávamos.
Depois do banho, deito na cama ainda cercada por caixas fechadas. O cansaço pesa, mas minha mente continua agitada.
Meu celular vibra.
Vee: Cinema amanhã às 19h. Sem desculpas.
Respondo que vou ajudar minha mãe com a organização, mas ela insiste até eu aceitar.
Talvez sair um pouco seja o que eu preciso.
Desligo o aparelho e o deixo sobre o criado-mudo.
Fico encarando o teto por alguns instantes.
Eu só queria que ele tivesse dito algo diferente.
Fecho os olhos tentando afastar os pensamentos.
Mas certas ausências falam alto demais.
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Notas da Autora 💕
Esse capítulo marca uma mudança importante entre eles.
Nem sempre o problema está no que quase aconteceu, mas no que não foi dito.
Às vezes o silêncio machuca mais do que qualquer palavra.
Betty começa a impor limites.
Jughead começa a perceber que sentimentos não são tão fáceis de ignorar.
Quero muito saber o que vocês acharam dessa fase da história, e quais as teorias de suas mentes brilhantes kkkk
Beijos até o próximo!🤍
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𝐀 𝐁𝐀𝐁𝐀́ - ᵇᵘᵍʰᵉᵃᵈ シ︎
FanficNo terceiro ano do ensino médio, Betty Cooper e Jughead Jones têm apenas uma coisa em comum: o ódio que sentem um pelo outro. Elizabeth Cooper é a definição de garota perfeita - meiga, tímida, extremamente inteligente e a melhor aluna da turma. Enqu...
