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BETTY COOPER

Acordei relativamente cedo, mas passei a manhã inteira jogada no sofá, assistindo a um filme que mal prestei atenção. Era só barulho de fundo para ocupar a cabeça.

Charles tinha me chamado para sair hoje, mas como já tinha confirmado o cinema com a Veronica, ele remarcou para amanhã à tarde. Melhor assim. Uma coisa de cada vez.

Depois de um tempo, levanto e vou até a cozinha. Minha mãe está concentrada no fogão, mexendo algo que cheira muito bem.

— Já é almoço? — pergunto, inclinando o rosto sobre uma das panelas.

Ela afasta minha mão antes que eu toque em qualquer coisa.

— Não começa. Vai arrumar a mesa.

— Nossa, que hostilidade.

— Hoje temos visita.

— Visita? — cruzo os braços. — Devo me preocupar?

Ela solta um suspiro paciente.

— FP e Jughead vêm almoçar.

A informação me atinge mais do que deveria.

— Entendi.

— O que foi essa cara?

— Nada. Vou arrumar a mesa.

Organizo tudo em silêncio. Quando abro o armário, percebo:

— Acabou o suco.

— Então vai ao mercado comprar refrigerante. E aproveita para passar na padaria e trazer um bolo de chocolate.

— Certo.

Subo para trocar de roupa. Ainda não organizei minhas coisas no closet, então demoro para encontrar algo. Escolho algo simples, confortável. Calço meu All Star, ajeito o cabelo, passo um pouco de gloss e pronto.

— Estou indo — aviso ao descer.

— Não demora.

O mercado é perto. Gosto disso. Caminhar sozinha ajuda a organizar os pensamentos.

Compro uma Coca-Cola e sigo até o Pop's para pegar o bolo.

— Faz tempo que não te vejo sorrindo assim — Pop comenta enquanto embala o pedido.

— Talvez eu só esteja tentando não complicar as coisas hoje.

Ele não pergunta mais nada. Agradeço e volto para casa.

Quando entro, eles já estão lá.

— Elisabeth, achei que tivesse se perdido — minha mãe comenta.

— Eu fui ali na esquina, mãe.

Cumprimento FP com educação e evito olhar diretamente para Jughead por tempo demais.

O almoço é tranquilo. Conversas leves, histórias antigas, perguntas sobre a escola.

— E as notas? — FP pergunta.

— Estão boas. Consegui fechar tudo sem recuperação.

— Sabia que conseguiria — minha mãe diz, satisfeita.

Depois de um tempo, ela resolve interferir:

— Betty, por que não mostra seu quarto para o Jughead?

Respiro fundo.

— Se você quiser ver, pode subir.

Ele aceita.

No quarto, fecho a porta atrás de nós.

— É simples — digo, sentando na cama.

Ele observa o espaço antes de se sentar ao meu lado.

O silêncio não é desconfortável, mas também não é leve.

— Eu pensei no que você disse aquele dia — ele começa.

Olho para ele.

— Sobre compromisso. Sobre significado.

Ele passa a mão pelos cabelos, nervoso.

— Eu fui imaturo. Não quero que você ache que seria só mais uma história qualquer.

Engulo seco.

— Eu só não quero ser tratada como algo temporário.

— Você não é.

Há sinceridade na voz dele.

— Então vamos fazer diferente — digo. — Sem pressa.

Ele concorda.

— Sem pressa.

Um pequeno acordo silencioso se forma ali.

À noite, já pronta para o cinema, espero Veronica na sala.

Minha mãe aparece arrumada.

— Vou sair com o FP.

— Interessante.

Ela me lança um olhar de aviso, mas está sorrindo.

Logo ouço a buzina. Saio e entro no carro.

— Oi — digo, surpresa ao ver Jughead no banco de trás.

— Oi — ele responde, tranquilo.

A discussão começa: terror ou aventura.

— Aventura — Veronica insiste.

— Concordo — digo.

No fim, assistimos "Jumanji 2". Rimos bastante. É estranho como as coisas podem parecer normais depois de quase darem errado.

Depois do filme, passamos no Pop's para milkshakes. Archie e Veronica discutem sobre quem escolhe o próximo filme, enquanto eu e Jughead trocamos comentários discretos, quase cúmplices.

Nada exagerado. Só confortável.

Quando me deixam em casa, já é meia-noite.

Subo para o quarto, troco de roupa e me deito.

O dia foi simples. E, pela primeira vez em muito tempo, isso parece suficiente.

Talvez algumas histórias não precisem começar com intensidade. Talvez elas só precisem de paciência.

Fecho os olhos pensando nisso.

Notas da Autora

Esse capítulo marca uma mudança no ritmo da história. As coisas não vão mais acontecer por impulso — pelo menos não sempre. Betty e Jughead estão tentando amadurecer as escolhas, e isso muda a dinâmica entre eles.

Agora oficialmente eles estão no 3º ano do ensino médio. Considerem essa a linha fixa da história daqui para frente.

Obrigada por continuarem acompanhando. Comentem o que acharam dessa nova fase e das decisões deles. 💛

𝐀 𝐁𝐀𝐁𝐀́ -  ᵇᵘᵍʰᵉᵃᵈ シ︎Onde histórias criam vida. Descubra agora